2011-08-31

svchost.exe, BITS e IP aleatórios

O meu svchost.exe tenta-se conetar a IP parvos.

Tirando os do DNS da Vodafone, nomeadamente, 212.18.160.133 e 212.18.160.134, há outros mais ou menos esquisitos, desde o do Windows Update a outros que não sei bem o que são.


Vou citar os que tomei nota, relembrando que o meu problema é com o facto de ser um serviço do Windows a fazer os pedidos - e explicarei mais abaixo que não é totalmente surpreendente - e com o facto de eu não conseguir descobrir quem é o responsável em última instância.

????????
4.23.56.254 -- Level 3 Communications -- <none>
Não faço a mínima do que seja, mas Level 3 é um backbone conhecido da Internet. Não estou a ver porque razão os contactaria.

213.199.181.90 -- Microsoft -- <none>
Sendo da Microsoft assumo que seja algo relacionado com o Windows, mas como há outro mais em baixo no post para o Windows Update, fica a dúvida.


?Akamai?
212.18.162.243 -- ? -- 243.162.18.212.rev.vodafone.pt
212.18.162.246 -- ? -- 246.162.18.212.rev.vodafone.pt

Os HTTP headers deste dizem "Server: AkamaiGHost". Vou assumir que é o CDN da Akamai, se por um lado acho estranho serem 'hostnames' normais, por outro parece que é normal -- e faz sentido -- fazerem mirror da rede deles 'dentro' do ISP.

Resta saber como descobrir que aplicação está a pedir acesso.


Windows Update
65.55.200.139 -- Microsoft -- update.microsoft.com


MSECN --> Microsoft Edge Caching Network
94.245.70.34 -- Microsoft -- cds29.par9.msecn.net
94.245.70.46 -- Microsoft -- cds41.par9.msecn.net
94.245.70.53 -- Microsoft -- cds48.par9.msecn.net
94.245.70.118 -- Microsoft -- cds99.par9.msecn.net
Vou assumir que é complemento ao Windows Update e/ou algo relacionado com o Microsoft Security Essentials


Google
209.85.227.100 -- Google -- wy-in-f100.1e100.net
209.85.227.101 -- Google -- wy-in-f101.1e100.net
209.85.227.102 ...
209.85.227.113 ...
209.85.227.138 ...
209.85.227.139 ...
Provavelmente pedidos originados no Google Update, instalado com o Chrome e outros produtos da Google.


VeriSign
199.7.55.72 -- VeriSign Global Registry Services -- OCSP.AMS1.VERISIGN.COM
199.7.54.72 -- VeriSign Global Registry Services -- OCSP.SFO1.VERISIGN.COM
199.7.71.72 -- VeriSign Global Registry Services -- OCSP.FRA1.VERISIGN.COM
Possível download de listas de verificação de certificados


Tenho ainda o 192.88.99.1, 239.255.255.250 e 224.0.0.252, mas esses são, respectivamente, um serviço do Windows (e de outros OS) de tradução IPv6/IPv4, UPnP e finalmente qualquer coisa só para a rede local.


Teorizando
O Windows fornece um serviço denominado Background Intelligent Transfer Service (BITS). Esse serviço pode ser usado por outros programas para fazer download de ficheiros. A vantagem de usar esse serviço é que os ficheiros são transferidos sem ocupar a largura de banda toda e o programador só tem de realizar o pedido, sendo o serviço que se encarrega de transferir o ficheiro de forma discreta.
Como desvantagem tem o facto de usar o mesmo executável (svchost.exe) que outros serviços essenciais do Windows para aceder à rede, como o DNS e DHCP, e de outros serviços como o UPnP e o IGMP, tornando mais difícil descobrir o que realmente aquele executável faz.

Quanto ao BITS em si, o comando «bitsadmin.exe /LIST /ALLUSERS /VERBOSE» deveria dar alguma informação útil, mas apenas dizer «Listed 0 job(s).»


Alternativa
Os pedidos podem ser originados por um processo filho do svchost.exe, o que me deixa como opções o wuauclt.exe (Windows Update), Dwm.exe (Aero Theme), WUDFHost.exe (se alguém descobrir me diga, fiquei com ideia que era o User Mode driver), AUDIODG.EXE (Servidor de som, creio), igfxsrvc.exe (qualquer coisa da gráfica Intel), wmiprvse.exe (servidor de WMI, creio).


Blog post acerca do svchost.exe

Jupiters Folly



Anyway, podem ver o novo jogo aqui. Avisem se quiserem jogar :p

2011-08-17

Ridículo com ridículo se combate




Bethesda
- companhia de desenvolvimento de jogos de vídeo, é hoje um gigante na indústria, e tem licenças como "Fallout" e "Elder Scrolls". É de momento a 3ª maior companhia do género nos US.

Mojang - companhia indie, de 3 pessoas. Criou o sandbox "Minecraft" e vendeu 3 milhões de cópias a 10€ cada uma, e tem 12 milhões de utilizadores

Problema:
Bethesda vai lançar, em Novembro deste ano, o próximo Elder Scrolls - "Skyrim". Mojang vai lançar este ano o seu segundo jogo indie - "Scrolls".

Bethesda acha que o jogo "Scrolls" tem um nome demasiado parecido com "Elder Scrolls - Skyrim", e mete o seu exército de advogados a ameaçar com um processo por violação de copyright!

É claro, a pequenina Mojang, embora tenha conseguido dinheiro sufiente com o minecraft para poder desenvolver o seu próximo jogo sem entraves de tempo e dinheiro, não se pode meter numa disputa deste género com o gigante da Bethesda. O criador do minecraft e dono da Mojang, sugeriu (e para apontar bem o ridículo deste lawsuit), a seguinte resolução:




“Remember that scene in Game of Thrones where Tyrion chose a trial by battle in the Eyrie?” asks Persson. “Well, let’s do that instead!”

He suggests two 20 minute matches, with the highest total frag count per team across both levels winning. The terms of the challenge he sets are,

“If we win, you drop the lawsuit.

If you win, we will change the name of Scrolls to something you’re fine with.

Regardless of the outcome, we could still have a small text somewhere saying our game is not related to your game series in any way, if you wish.

I am serious, by the way.”


Priceless.


2011-08-03

Atlantis, parte 2

Depois de no primeiro post ter mostrado o que acho que são bons motivos para crer que temos um elo perdido entre o homem pré-histórico e as grandes civilizações, quero nesta segunda parte explorar o porquê da "não existência" de vestígios arqueológicos, que no fundo, leva à ridicularização do tema.

O desaparecimento de Atlântida
Segundo Platão, em 9300 A.C, os Atlantes para além das "colunas de Hércules" entraram em guerra com os que viviam dentro das "colunas de Hércules". Deu-se uma guerra civil, e, "numa data posterior e apenas num dia e uma noite, ocorreram enormes terramotos e inundações, todos os guerreiros Atlantes foram engolidos pela terra, e a ilha engolida pelo mar. No seu lugar, o oceano ficou intransponível, estando bloqueado pelo pântano de lama criado enquanto a ilha era engolida."




Relato interessante mas aparentemente fantasioso. Qualquer geólogo tem como bíblia o facto de que mudanças geológicas são lentas e ao longo de muito tempo. Ilhas e continentes não aparecem ou desaparecem de um dia para o outro. Mais ainda, se houve realmente tal calamidade no meio do Atlântico, porque é apenas Platão que a relata, e não povos da Europa e África Ocidental, ou até das Américas? Certamente tal cataclismo não lhes passava ao lado...

História escrita
É algo tenebroso para mim, confesso. Por vezes penso na história recente do ser humano. Se amanhã a raça humana fosse dizimada da terra e apenas sobrevivesse uma pequena porção, escondida nalguma caverna, o que alguém diria daqui a 10000 anos quando encontrassem uma ruina enterrada aqui ou ali? Certamente já não escrevemos história nas paredes ou em pedras como os nossos antepassados. O papel usado nos nossos livros é horrível quando se fala de resistência aos elementos. A nosso existência hoje em dia é mais digital do que gravada no nosso mundo. Estaremos condenados ao esquecimento?

Porque é isso que se passou no passado. Os povos antes do aparecimento da escrita são um mistério para nós. Que cultura teriam? O que comiam? Que língua falavam? Quais os seus feitos? Simplesmente não sabemos, e o mesmo se estende à suposta civilização Atlante, esquecida.





Ou talvez não...
Gostava de fazer um pequenos desvio, e falar de mitologia, lenda e folclore.

- O Conto de Gilgamesh, primeira versão em texto datada de 2200 A.C, é um relato sumero, em que, entre feitos heróicos de Gilgamesh, fala da Grande Inundação que os deuses enviaram para o mundo, e do escolhido que construiu um grande barco onde se salvaram uns poucos homens e animais.

- A história de Noé, primeira versão escrita datada de 1000 A.C, é um relato cristão (e islâmico, é apresentado no corão também), e que fala em como Noé, não é, construiu um barco onde salvou a família e animais da Grande Inundação.

- O dilúvio de Masai, data incerta, é o relato Africano de como Deus, irado com o homem, inundou o mundo, apenas se salvando Tambainot e sua família, que tinha previamente construido um barco de madeira.

- O mito dos 4 mundos, data incerta, é o relato índio Norte Americano em como o mundo foi destruído numa grande inundação. Apenas se salvaram uns poucos índios, pois a Deusa Aranha lhes tinha construído um barco.

-Lenda de Trentren Vilu e Caicai Vilu, é o relato sul americano em como o mundo é inundado e a humanidade é salva por Trentren Vilu, quando ele eleva as montanhas para alguns humanos se refugiarem.


Admira alguém o facto de, desde a Europa até África, passando pela América do Norte e do Sul, haja mitos/histórias sobre um grande dilúvio? Será que o grande medo da humanidade é morrer afogado? Ou será que, na ausência de escrita, e história é passada de boca em boca, e tanta vez é recontada que assume contornos religiosos e folclóricos, chegando até nós depois como mito? Pode ter havido realmente, nos primórdios da civilização, um evento que marcou a raça humana?

Díluvio
Não preciso de procurar muito. Há 2 eventos específicos e relativamente recentes que entram no profile:
  • Fim da idade do gelo - 11.000 A.C. a 9.000/8000 A.C. - foi um verdadeiro dilema para a raça humana, habituada ás baixas temperaturas e à facilidade de preservar carne e peixe (bastava enterrar na neve). Levou também à subida das águas, lenta mas implacável.
  • 8.2k - 6200 A.C - O chamado evento 8.2k, foi quando 2 super-lagos de água doce glacial "vazaram" para o oceano atlântico, parando a sua corrente quente, quase instantaneamente baixando a temperatura do planeta em 5 Cº, e aumentando o nível do mar em até 4 metros.
Não é difícil, na face de qualquer destes 2 eventos, perceber o porquê dos povos pensarem que estavam a ser punidos pelos Deuses.

O problema Atlante
Mesmo que tenha havido um diluvio à escala planetária (ou atlântica), tal não prova a existência da civilização Atlante. Faltam dados arqueológicos, contributos concretos e não apenas folclóricos.

Deixem-me mostrar-vos,

Gobekli Tepe:


Não ouviram falar de Gobleki Tepe nas notícias, nem o vão encontrar em guias turísticos. Acima de tudo, porque Gobleki Tepe é um verdadeiro incómodo.

Descoberta em 1995, Gobleki Tepe é um conjunto de 20 estruturas circulares, 4 das quais já escavadas e documentadas. Situa-se na turquia e tinha sido totalmente coberta de areia numa data desconhecida. Gobleki Tepe foi construida à 11 mil anos atrás.

11 mil anos, ou, mais precisamente, 8960 A.C (lembram-se da data do fim da idade do gelo?), com uma margem de erro (por datação radioactiva) de 60 anos apenas. Para situar, antes de Gobleki o homem fazia pinturas nas cavernas e bonecas grávidas de barro, vestia-se com peles não curadas de animais e usava pedaços de madeira como armas.




Gobleki encontra-se isolada. Não se encontram nas redondezas ferramentas ou vestígios humanos que possam sugerir sedentarismo. Alguns blocos pesam até 7 toneladas, e a arte representada é sem precedentes para o homem pré histórico.

Relembro que, até Gobleki, o homem pintava e construía onde vivia. Até Gobleki o homem fazia detalhes para dentro da pedra (vejam o javali no fundo da imagem anterior, é um detalhe para fora da pedra, ou seja, o escultor escava a pedra por fora do contorno do animal).

E espantosamente, os construtores de Gobleki foram ficando piores quanto mais tempo passava. As colunas e os detalhes na pedra são melhores nos primeiros templos, e conforme o tempo passa, os pilares vão sendo mais pequenos, mais simples, e montados com menos cuidado, até que, perto de 8200 A.C. desistem do local.

Estrada das bimini
Levantou muita polémica na altura do seu descobrimento. Esta "estrada" colocou cientistas em 2 extremos. Os que sugerem que as formações são naturais, e outros que as colocam como "feitas pelo homem". Antes de mais, o que é a estrada das bimini?


Trata-se de 2 locais para dizer a verdade, em que pedras de vários tamanhos, mas todas quadrangulares, estão supostamente organizadas, formando "estradas" ao longo de cerca de 2km, tendo a forma mostrada na imagem de cima. Ok tudo bem, feitas pelos romanos ou algo assim não?

Há 2 pequenos problemas. 1º está no fundo do oceano. 2º O oceano é o atlântico, e a estrada está ao pé das bahamas, que eram habitadas por índios sem capacidade para as construir.


A datação da estrada não ajudou a chegar a um consenso. 13.000 A.C a 1.500 A.C. Ficou então o campo científico dividido. Uns a suportar que a estrada é um estrutura feita pelo homem, outros que é 100% natural.

Focos de civilização
É sabido que a humanidade não avança toda ao mesmo ritmo. No passado, condições locais favoráveis como bom clima, colheitas regulares, explosão populacional, prosperidade levaram à riqueza de povos selectos, que por sua vez puderam aplicar essa riqueza para formar exército, desenvolver ciência e cultura. Exemplos? Egípcios, Gregos, Romanos, e por fim, a Europa que por tanto tempo foi o motor da humanidade. Todos este prosperaram enquanto os vizinhos continuavam "bárbaros", e então, levaram a civilização até eles.

Não penso que o suposto elo Atlante seja um elo de super humanos, que tinha automóveis e televisão, poderes mentais e que comia fruto dos deuses, não. Penso sim seriamente que Gobleki tepe não pode ter sido construído por nenhum povo indígena turco. A construção e os engraves na pedra são demasiado detalhados e não há, em todo o médio oriente, ásia menor e maior, e europa, nenhuma construção da mesma época com 1/3 da complexidade de Gobleki. Para não falar do facto de, conforme a idade do gelo acaba, o conhecimento para continuar a construção do complexo de templos vai desaparecendo, como se o construtor original tivesse desaparecido e os locais tentaram a sua sorte.


Supomos então que Gobleki foi construido por um povo de fora. Que tipo de povo seria?
Os motivos engravados são de animais, as estruturas de pedra são apenas "T"s de várias toneladas, e a estrutura dos templo é um simples círculo sem tecto. Em muito, semelhante ao feito em stonehenge no detalhe e estrutura, se esquecermos que foi feito 7000 anos antes do megalito Inglês. Vejo, por isto, esta civilização como avançada para o seu tempo, a igualar talvez em feitos o homem europeu da idade do bronze. Sem acesso (ou acesso limitado) a mineração (ferramentas de pedra), capazes de construir os seus próprios templos religiosos e habitação, sem acesso a escrita (iconografia gráfica, os símbolos são representações e não letras ou palavras), mas (e aqui faço quase um sacrilégio histórico) atrevo-me a dizer que tinha de ter acesso à agricultura.


Porque sem escrita e sem metais, mas tinha de ter agricultura? A agricultura começa "oficialmente" em 7000 A.C, o elo atlante será 2000-3000 anos mais antigo, porque motivo não eram recolectores?

Muito simples. Recolectores não constroem centros habitacionais. Sem centros habitacionais não há necessidade de estradas. Sem estes 2, não há sedentarismo. Sem sedentarismo não há simplesmente tempo para desenvolver religião, ciência e cultura. Sem estes 3, não há nada que justifique um avanço civilizacional.

Conclusão
Sei que toda a linha de pensamento que levou a esta conclusão é muito ténue. Baseia-se nas semelhanças de mitos, suposições, elos perdidos nas américas, construções pré-históricas sem consenso científico, mas pelo menos creio que não cai no ridículo. Creio realmente que Platão teve acesso a documentos transcritos egípcios, e que estes (perdidos no incêndio de Alexandria, ou até antes em quaisquer das pilhagens do Egipto) eram os últimos que, na forma já de lenda ou mito, recordavam um povo que conseguia unir as américas à europa e áfrica.

Alto lá, então, não digo onde é que é a Atlântida, onde está "enterrada"?
Negativo, não faço ideia. Os picos da Atlântida podem ser hoje os açores, pode estar por debaixo do mar dos sargaços (o tal mar intransponível, certo?), ser a gronelândia, pólo norte, cuba, caraíbas, cabo verde... Mas tal como a partir de um modelo se pode provar a existência de algo, sem se conseguir ver esse mesmo algo, creio que é uma questão de tempo até, mesmo não lhe chamando Atlantes ou Atlântida (que chama logo o ridículo), se encontrar algum vestígio até mais antigo que Gobleki, talvez com sorte com umas ferramentas ou até esqueletos com uns adornos de metal, e, em 30 segundos no telejornal, anunciarem que a história humana vai ter de ser re-escrita.

E que Platão afinal, tinha razão.









2011-08-01

Atlantis, a comédia

A comédia porque hoje em dia, qualquer notícia que tenha "Atlântida" no nome é vista com desdém pela comunidade científica, e por ano deve haver uns 3 ou 4 artigos em como se "descobriu" finalmente a cidade perdida. Eu pessoalmente não a encontrei, mas tenho uma opinião formada quanto a ela que gostaria de partilhar. Vou tentar não ser aborrecido e manter isto dinâmico.



Primeiro, de onde vêm o mito de Atlântida?
Um escrito de Platão, datado de 360 A.C é o primeiro relato escrito da civilização Atlante. Referida aqui como uma potência naval que teve o seu apogeu 9000 anos antes (ou seja, cerca de 9500 A.C), Atlântida era uma ilha situada ara além dos pilares de Hércules, maior do que a "Líbia e a Ásia" juntas, e era possível "navegar a partir da Atlâtida para as outras ilhas para além dela, e das ilhas até ao Continente que circundava o oceano (Atlântico)."

Segundo Platão, ele obteve este conhecimento através dos escritos de Sólon, que por sua vez, numa viagem ao Egipto os obteve do sacerdote egípcio Sais, que traduziu papiros egípcios para Grego.

Ora bem, Platão nunca foi conhecido pelas suas obras de fantasia, mais pelas suas obras de filosofia e matemática, portanto vamos assumir alguma verdade no seu relato de Atlântida.

Pilares de Hércules
A ilha Atlante é referida como estando "para além dos Pilares de Hércules. Que são estes "pilares"? Não é mistério que, na antiguidade, a passagem hoje conhecida por "Estreito de Gibraltar" era os "Pilares de Hércules". Visto que a narrativa de platão teria a Grécia e o Mediterrâneo como referência, "para além dos Pilares de Hércules" refere-se a toda a extensão do hoje oceano Atlântico.


Maior do que a Líbia e Ásia juntas
Parece que platão fala de dimensões enormes, mas o mundo conhecido grego era sensivelmente menor. Mesmo assim, tal território não seria menor que a península Ibérica! Há muita divisão quanto ao significado disto. Por um lado, podemos assumir que Platão foi literal e era uma ilha-continente, por outro lado podia estar-se a referir à área controlada pela potência naval.

Navegar a partir da Atlâtida para as outras ilhas para além dela, e das ilhas até ao Continente que circundava o oceano
Relato simplesmente fascinante para um texto quase 500 antes de Cristo! Esqueçamos Atlântida, este relato só por si fala muito. Deixem-me apresentar o polémico mapa de Cantino:



Este mapa é datado de 1502, e foi roubado por uma espião italiano. Deixem-me apenas apontar que Cabral, o descobridor do Brasil, voltou da sua viagem com as notícias de um novo continente em Junho de 1501 (Incrível como em menos de 1 ano "adivinhámos" a forma de grande parte do Brasil, das antilhas, da costa da Flórida, e até madagáscar que só é "descoberta" oficialmente em 1512, mas isso é outra história.

Voltando ao nosso tema original, e partindo das "portas de Hércules" numa linha imaginária, encontramos oceano...oceano....oceano... olha, as Antilhas, e depois delas temos...


O continente Americano, e engraçada a forma que ele aí assume. Quase parece que "circunda" o Oceano Atlântico. Para mim, os indícios são fortes de mais para ter sido uma feliz coincidência. Se o relato de Platão quanto ás "ilhas para lá da Atlântida" e do continente para "além das ilhas" parece ser assustadoramente verídico, porque não a existência dos Atlantes?

Deixemos os relatos de platão por um momento, e vejamos o seguinte...

As múmias de cocaína
Estranho título certo? A verdade é que 3 estudos independentes encontraram vestígios de cocaína e tabaco nos pulmões de múmias de 3000 anos de idade no egipto e no sudão. Parte interessante é que até 1500, tanto o tabaco como a coca só cresciam nas américas.

Cabeças olmecas


Cabeças olmecas são estas estátua de cerca de 1,5m de altura, que representam características africanas. Até aqui tudo bem... pena é que os olmecas e as cabeças datam de entre 1500 A.C. e 400 A.C., ou seja, quase 3000 anos antes até ao primeiro escravo africano ser trazido para o Brasil e as Américas.

Barbas e genética
Facto interessante de todos os povos nativos do continente americano. Nenhum deles, desde a América do Sul à América do Norte tinha barba. No entanto, há uma série de estatuetas econtradas no méxico, datadas desde 1500A.C até 200 D.C como esta:

Que quero mostrar com tudo isto?
Que os indícios para contactos Europeus pré Colombo/Cabral são mais que muitos. Todos sabemos que os Vikings provavelmente lá estiveram antes, mas estes indícios apontam para contacto quase 3500 anos atrás, quando o Egipto se estava apenas a formar ainda, os gregos e os romanos eram pouco mais que tribos....

Fica então uma questão muito desconfortável para qualquer historiador. A escrita apareceu e começou a ser usada no dia-a-dia por volta de 4000 A.C, embora haja indícios datados de 6000 A.C! No entanto era nesta altura usada para apontar trocas comerciais. Apenas muito mais tarde começamos a ter "história escrita". Todo este período até à primeira "história escrita" tem muita "adivinhação". Não temos relatos, apenas ossos, tijolos e imaginação.

A questão desconfortável é a seguinte:
O que andou o ser humano a fazer desde o fim da idade do gelo (8000 A.C) até à escrita (4000 A.C) e à primeira pirâmide (3000 A.C)?
Bom, segundo platão, e dando-lhe um desconto quanto ás datas (9500 A.C que ele refere como Apogeu atlante), o ser humano andava a colonizar e conquistar tanto na Europa como nas ilhas e no continente para além da Atlantida! Não quero prolongar este post ainda mais, mas, se alguém tiver interessado, posso numa data futura tentar mostrar que tipo de povo seria este (não, não tinha televisão e automóveis) , que provas há da sua influência, e de como "desapareceu", deixando vestígios em todas as culturas do mundo.