2017-03-13

Foda-se a bófia!

Os meus estimados colegas e amigos, por ventura de serem pessoas que (e disto certifiquei-me pessoalmente junto de cada um de vós ao longo de vários anos) não são suficientemente idiotas para serem agentes da PSP, já perceberam, pelo vernáculo, que não estou no meu estado de espírito "padrão".

Talvez saibam que estou à procura de emprego. Acontece. O IEFP (que, adianto, omite, do seu título, a parte "de quem cá trabalha" de entre a segunda e tercera inicial da sigla pelo qual o conhecemos*) confere-me a benesse de me ajudar com um subsídio mensal. Longe de me querer queixar da generosidade do IEFP, sucede igualmente que o mesmo subsídio cobre pouco mais que a minha renda de casa, chegando, mais ou menos, para as despesas fixas necessárias à subsistência (falo de água, gás, electricidade e telecomunicações, que, ainda que possais achar que é um luxo, é igualmente indispensável à procura de trabalho, sobretudo na nossa época e na nossa área funcional). Assim sendo, muito grato pela ajuda, conto os meus tostões e estico o dinheiro o mais que posso enquanto procuro uma situação melhor.

Acontece igualmente que a benesse que me vai permitindo subsistir, apesar das dificuldades, está sujeita a abuso por indivíduos que, inescrupulosamente, se deixam perdurar nesta situação e mesmo que procuram alegar incumprimento por parte do IEFP, revindicando não ter, em determinada ocasião, recebido o que o IEFP, humanamente e quase por caridade, lhes atribui, pelo que se protege, emitindo mensalmente um cheque, que é mais difícil de contestar, omitir ou suprimir que uma transferência bancária, o que me obriga** a depositar o cheque de cada vez que o recebo. Mas não é disso que me queixo.

Ora hoje fui depositar o cheque deste mês. Procurei lugar para estacionar perto da balcão do meu banco, o que não é fácil, não só porque o mesmo está em pleno coração da chamada "zona pedonal", onde os automóveis perdem prioridade perante qualquer peão sob qualquer circunstância e onde há ainda menos sítio para estacionar que no resto desta mal-parida terra onde NUNCA HÁ ONDE DEIXAR A MERDA DO CARRO!!! Reparei num automobilista que, tendo estacionado antes, ocupou o seu veículo e partiu, deixando vago o lugar onde estava. Naturalmente, ocupei o mesmo espaço.

Celeremente resolvi os meus assuntos no banco (depositar um cheque não demora sequer 20 minutos) e quis seguir a minha vida, quando reparei que tinha sido multado. Caso nunca tenhais sido multados, sabei que a multa não diz rigorosamente nada que não se já saiba: diz a marca, modelo, cor e matrícula do veículo (que, se o veículo vos pertence, já deveis saber), a data da infração e um rabisco que passa pela rubrica do agente que autuou o veículo, desprovido de qualquer obrigação de ser legível. Saliento que o impresso que vos é deixado no pára-brisas tem muito mais lacunas, mas, aparentemente, não existe qualquer obrigação por parte do agente de as preencher.

Por sorte, encontrei uma agente da PSP que revelou uma atitude extremamente blasé perante a multa, como se as obrigações legais "expostas" (lacónicamente como estão, não acedo a considerá-las devidamente expostas) no verso da notificação não existissem. Se se tivesse tratado de uma pessoa honesta (como seria de esperar de uma agente da polícia), ter-me-ia dito ter sido ela quem me autuou e explicado as condições da infracção (aproveito para a explicar, que agora me apercebo de que ainda não o fiz: estacionei em cima do passeio. Em minha defesa, o passeio não apresenta diferença de nível em relação à estrada, nem nenhum padrão que não se encontre fora das estradas ou zonas de estacionamento (faço toda a questão de insistir nesta questão, uma vez que, logo do outro lado da estrada, havia um estacionamento em espinha cujo piso é exactamente igual) nem sinalização que o diferencie do demais pavimento. Ademais, certifiquei-me de que não só não havia mais sinalização da proibição de parar ou estacionar como também de que o carro não impedia a circulação de outras viaturas nem de velocípedes nem de peões, mesmo os de mobilidade reduzida, nem impedia o acesso à via ou a vias de acesso ou caminhos privados nem a abertura de portas, janelas, portões ou portinholas de outros veículos; em suma, NÃO ESTAVA A ESTORVAR NINGUÉM), mas não; mandou-me ou ir à esquadra ou "deixar que me chegasse a casa". Fui, portanto, à esquadra.

Na esquadra fui atendido por um agente a quem expliquei que, por não ter incomodado ninguém, necessitando apenas de depositar o meu único e magro rendimento, tinha sido deprivado de €30. Para que conheceis o contexto, há já quase dois anos que vou ao Continente mais ou menos uma vez por semana, e que semana em que lá deixe sequer €30 é semana em que ou perdi a cabeça e me deixei enamorar por qualquer luxo superfluo ou uma desgraça me obrigou a substituir qualquer coisa cara. Este agente só depois de muita insistência concordou em informar-me do processo de contestar uma multa que se acha injusta. No entanto, apesar da sua boa vontade, o agente empregou todos os polissílabos do dicionário de sinónimos para dizer rigorosamente NADA, pois, como sabeis, não se pode dizer o que não se sabe. "Envie uma carta" e "explique isso tudo muito bem" é a parte que qualquer idiota lobotomizado com um picador de gelo rombo por um macaco cego cujas patas brutas e sujas tremam já sabe; a quem enviar a carta, como a redigir, e quais as informações indispensáveis à mesma são a parte que eu quero saber e que o agente que me atendeu não foi capaz de me dizer. O que me disse, e não foi só uma vez de passagem, foi "vá falar com a Comandante", que era a agente que me tinha autuado. Assim fiz.

Aparte, deixai-me contar-vos uma outra história, a bem do contexto: certo dia, em Viseu, seguia, na capacidade de passageiro, num veículo que, por lapso, trazia o farol de nevoeiro traseiro ligado indevidamente. O condutor do mesmo foi mandado parar pelos agentes da autoridade, e terá a sua própria história para contar dos demais eventos, mas eu, que não tinha feito rigorosamente mais nada que sentar-me no carro de um amigo meu e imediatamente oferecer o meu cartão de cidadão perante a frase "tem algum documento que o identifique", fui tratado como um escroque, ofuscado, desnecessariamente, numa tentativa de intimidação, com lanternas, repuxado para fora do meu lugar e ameaçado de que seria revistado antes sequer de alguma sugestão de que tivesse, em minha posse, "alguma coisa que o comprometa" (sic), que, claramente, não tinha. Ou seja, se viveis na doce ilusão de que "o polícia é um amigo" que só serve para nos proteger e não faz mal nenhum a pessoas de bem e que as histórias de polícias a bater em pessoas que "dindu nuffin" são relatos exagerados de criminosos que se querem fazer passar por inocentes e coisas que acontecem "lá longe", desenganai-vos; há, entre as fileiras da nossa PSP, proverbiais maçãs podres.

Armado com esta memória, fiquei extremamente feliz de ver que a comandante não trazia um casse-tête, como era hábito há uns 20 anos, porque, da maneira como me tratou, tive sinceramente medo que me quisesse bater, assim que lhe disse que um colega dela me tinha recomendado que falasse com ela. Exigiu saber quem tinha sido e recusou-se a falar comigo até ter tentado, de duas maneiras diferentes, falar com o agente em questão, que, talvez por medo que a comandante lhe batesse por telefone (provavelmente, confundiu-a com o Chuck Norris. Deve ter sido por causa da barba), não atendeu. E, tão preocupada que estava em tratar-me mal, recusou-se a revelar um iota que fosse de informação respeitante ao processo de contestar a multa. Igualmente se recusou a ouvir qualquer argumento mitigante da minha culpa. Posso, em toda a honestidade, dizer que não fui grosseiro, nem mal-criado, nem agressivo, nem insistente, sobretudo porque, quando percebi que, na PSP, a patente é inversamente proporcional a qualquer medida de virtude, fui-me embora antes que ela abaixasse as calças e revelasse um casse-tête fora do padrão da PSP com o qual me bater, em conformidade com a atitude que tinha vindo a revelar.

Enquanto voltava para a esqudra, onde tinha estacionado (desta vez, em situação tal que não fui autuado), um outro agente da PSP, que reparou no meu estado de agitação (reparem que agora não sei se vou ter que comer daqui a 15 dias; €30 é dinheiro para mim, foda-se!) e abordou-me. Este agente da PSP, conforme evidenciado pela falta de divisas no seu uniforme (e, consequentemente, pela sua baixa patente), era um homem correcto, que procurou reconfortar-me e dizer-me, em termos simples e de acordo com o seu melhor conhecimento, como contestar a multa, o que só serviu para para introduzir mais possibilidades na equação, já que nada do que ele me disse se coaduna com o que o colega da esquadra me tinha dito. E isto não é uma acusação contra qualquer um dos dois agentes; é sintomático da balbúrdia que é o pomposamente chamado "establecimento da autoridade", em que a mão direita não sabe o que anda a esquerda a fazer.

Esta é a parte em que digo alguma coisa como "o que mais me fode é que todos os dias vejo filhos-da-puta mal estacionados e ninguém os multa" ou "e os cabrões que todos os dias deixam o carro no estacionamento do meu prédio a ocupar dois lugares?" ou mesmo "então, o gajo antes de mim, nada; agora, eu...", mas não; o que me fode é:

1. Ter sido tratado como um criminoso pela Comandante;
2. Que ninguém me saiba dizer, em termos claros, o que é que eu tenho O DIREITO a fazer;
3. Os pontos da carta; OK, pronto; as contra-ordenações ligeiras não acarretam perda de pontos nem inibição de atribuição de pontos em Junho de 2019. Menos uma irritação. Huzzah!
4. €30 É DINHEIRO, FODA-SE!!!

Agora que me aproximo do fim da minha intrevenção, recordo-me que pode haver entre vós, leitores, quem não esteja contemplado pelo primeiro parágrafo desta posta. Entre esses, pode surgir quem tenha, nesta altura, vontade de comentar, chamando-me "bitch", "whining bitch" e variações. Apelo, portanto, à coragem e decência de tais dissidentes que, contra confirmação da ausência das vossas gónadas, tanto em sentido literal como no sentido em que, metaforicamente, estas se traduzem no vosso valor enquanto indivíduos, por oposição a vis e vulgares pilhas de esterco, que guardeis tais comentários até estardes em posição de mos entregar em pessoa, cara a cara, suficientemente perto de mim para me apertardes a mão, conforme soi aos membros educados de uma sociedade moderna. Se, por outro lado, não for essa a vossa intenção ou, mais simplesmente, se fordes, de facto, dos meus estimados colegas e amigos, fica este parágrafo sem efeito.

É esta a parte em que digo "pax vobiscum atque vale", mas, hoje em particular, escolho uma mensagem mais recente, vinda de outras terras, que considero mais relevante:

Fuck tha police!*** -- N.W.A.

* quero, por isto, implicar que se trata do "Instituto do Emprego de quem cá trabalha e da Formação Profissional", porque não conheço, que saiba, uma única alma que possa dizer que deve o seu emprego ao IEFP sem lá trabalhar.

** de acordo; podia pedir ao IEFP que me fizesse a transferência ao invés de enviar um cheque. Está na minha lista de afazeres. Escusais de mo recordar, mas obrigado na mesma.

*** sabeis que, geralmente, não tenho nenhuma má vontade aos agentes da autoridade ou ao estabelecimento da mesma, mas a caracerística inalienável da Polícia é zelar pelo bem-estar dos cidadãos, e privar-me, no meu momento de dificuldade, no valor de mais de uma semana de víveres não é em prol do meu bem estar. Desta forma, foda-se esta bófia que só serve para nos foder.

2017-02-26

Parte I - Em prol da diversidade e do multiculturalismo...

... quero hoje falar de uma questão, digamos, escandinava, ou, mais exactamente, sueca.

Estive ontem numa soirée (então; também posso ser todo finaço, de vez em quando, ou, pelo menos, ter veleidades disso) que, a páginas tantas, como me lembro de ser costume nas soirées que os meus avós ocasionalmente davam (e às quais ocasionalmente iam comigo à pendura), deu numas jogadas de Sueca. Às páginas tantas, dois jogos consecutivos acabaram em empate. Inevitavelmente, surgiu a questão: "Qual é a probabilidade de isto acontecer?"

Eu acho que é uma boa pergunta, mas não sei se serei capaz de responder. Portanto, vamos pensar todos juntos a ver se conseguimos (primeiro) destilar o raciocínio certo para descobrir a resposta ao problema, (depois) descobrir a maneira mais fácil de fazer os cálculos e (finalmente) fazer as contas. Afinal, a maior parte de nós somos engenheiros (e é engenheiros a sério; não é "engenheiro" como certos e determinados engenheiros cujo grau lhes foi atribuído a um Domingo, por exemplo); devíamos ser capazes de resolver isto!

Comecemos por calcular a probabilidade de um único jogo empatar. Ora, qualquer pontuação é função da distribuição das cartas auferidas nas 10 vazas de cada jogo pelas duas equipas. Uma vez que as cartas só podem ser auferidas no contexto das vazas, e que cada vaza tem exactamente 4 cartas, muitas distribuições são imediatamente eliminadas, nomeadamente, todas as distribuições que não atribuam um múltiplo de quatro cartas a cada equipa. Dado que a soma das cartas arrecadadas pelas duas equipas é sempre igual a 40, há um número finito de distribuições possíveis:

(pensemos primeiro em termos de vazas, para facilitar)

 - Pode uma equipa auferir todas as vazas, caso em que a distribuição é (em vazas) 10 - 0.
 - Pode a mesma equipa auferir nenhuma vaza, caso em que a distribuição é 0 - 10.
 - E, naturalmente, há todos os casos possíveis pelo meio, ou seja, todos os "passos" que o 10 - 0 tem que dar para se "transformar" no 0 - 10, que são, evidentemente, 9.

Há, portanto, 11 distribuições possíveis das vazas. Resta saber a quantas distribuições possíveis das cartas isto corresponde (é aqui, julgo eu, que as coisas começam a complicar-se). Só de uma maneira é que é possível distribuir cada um dos os casos extremos - essa é a parte fácil. O caso em que uma equipa arrecada uma única vaza corresponde a "combinações de 40 tomados 4 a 4" (digam lá que não já tinham saudades disto...!) maneiras de distribuir as cartas. O mesmo número traduz o caso em que a mesma equipa ganha todas excepto uma das vazas. É aqui que surge uma certa semelhança com a quadragésima primeira linha do triângulo de Pascal, mas com uns quantos elementos removidos (nomeadamente, todas a combinações de 40 tomados k a k tais que k não seja um múltiplo de 4).

Antes de começar a fazer contas à maluca para descobrir quantas maneiras existem de distribuir as cartas pelas equipas, surge-me a questão: haverá vazas impossíveis? E combinações de vazas que, não implicando repetição de cartas, não podem, de acordo com as regras, suceder? Como não sou suficientemente versado em Sueca para responder, é uma (a primeira) questão que vos convido a responder (e, como veteranos do ensino superior que somos, já sabemos que este convite pede a demonstração do raciocínio por detrás da nossa resposta).

Seguidamente, é preciso saber de quantas maneiras é que é possível fazer 60 pontos. Lembro-me, na nossa louca juventude, de, durante a cadeira de Desenvolvimento e Análise de Algoritmos (era de opção no 5º ano de ECT, e mudou de nome aquando do processo de Bolonha, mas não me lembro para o quê, e sim, nós chamávamos a disciplina de "duh!") de falarmos de problemas semelhantes, chamados de "Binary Knapsack Problem" ou "0-1 Knapsack (ou Rucksack) Problem". Dito em linhas gerais, sabendo que cada um de n itens tem determinado peso e determinado valor, de que maneira devemos incluir (na metafórica mochila) 0 ou 1 cópia de cada item de maneira a carregar o maior valor possível sem exceder determinado peso total (a propósito, isso é exactamente o tipo de perícia que facilmente se pode desenvolver quase inconscientemente com dedicação suficiente aos jogos da Bethesda, pelo menos do Oblivion para cá, em que a frase "You are over-encumbered and cannot move" se torna uma irritação frequente)? O nosso problema é semelhante, na medida em que existe, no máximo, uma cópia de cada carta que uma equipa pode auferir, cada carta tem um peso (1) e um valor (0, 2, 3, 4, 10 ou 11, consoante se trate de um 2 - 6, uma Dama, um Valete, um Rei, uma Manilha (/Bisca/Sete/Seta e mais todas as maneiras de que a malta se refere ao 7) ou um Às) conhecidos à partida. É, igualmente, diferente na medida em que, ao invés de maximizar o valor total da escolha, pretendemos arrecadar exactamente 60 pontos. Convido-vos (segunda vez) a adaptar a solução do Knapsack Problem para o nosso caso particular.

Falhando isso, resolva-se o problema extensionalmente: não é difícil imaginar um grupo de cartas que some 60 pontos (quatro Ases, uma Manilha, um Rei e uma Dama, por exemplo). Podendo acertar os números com "palha", todas as maneiras de fazer 60 pontos devem ser viáveis (excepção eventual feita às que coincidam com distribuições que, em resposta à primeira pergunta que vos propus, sejam impossíveis, caso as haja). Ora, dada a reduzida dimensão do nosso problema, não é difícil, por exemplo, escrever um pequeno programa que descobre todas as distribuições possíveis das cartas de maneira a que o jogo resulte empatado, mas preferia não partir para a solução da força bruta até ter a certeza de que não existe uma solução analítica mais elegante (porque a questão é essencialmente académica; no lugar de trabalho, dada a dimensão do problema, em menos tempo que já gastei a escrever esta muralha de texto, tinha feito e corrido o malvado programa).

Dado que temos, depois de somar 11 combinações de 40 tomados k a k, com k pertencente a [0, 40], sabendo que k é um múltiplo de 4, o número de casos possíveis, e, depois de (no melhor caso) usarmos a nossa brilhante adaptação do problema da mochila ou (no pior caso, mas, desta vez, dito com a voz nasalada do Professor Madeira, para quem aproveito para mandar um grande abraço) de contarmos as linhas que o nosso programa de força bruta imprimir no écran, teremos o número de casos favoráveis, e sabemos que a probabilidade de empatar é a razão entre os dois.

Uma vez que o resultado de cada jogo é um acontecimento independente do resultado dos jogos que o precedem ou que o sucedem, a probabilidade de empatar dois jogos consecutivos é o produto da probabilidade de empatar um único jogo consigo mesma, ou seja, coloquialmente, "ao quadrado".

Espero ter despertado em vós saudades suficientes das nossas aulas de matemática, combinatória, probabilidade e estatística (disse ele, de cara séria, acreditando piamente que tendes saudades desses tempos) o suficiente para me quererdes ajudar. Vamos meter números nestas ideias! Até lá...

... Pax vobiscum atque vale.

No mundo do Facebook, o que acontece aos ciclos de feedback?

No mundo utópico da Internet aberta, os ciclos de feedback eram relativamente simples.

Vamos supor que a companhia Pêra tinha o PêraLivro Pro.

Eu queria comprar o PêraLivro Pro, procurava pelo PêraLivro Pro 2016, via as reviews, e decidia comprar.

Na verdade, não funciona assim tão bem.
Primeiro, porque a maior parte das companhias usa modelos semelhantes e confusos, como forma de implementar o confusopólio (curiosamente, a Apple não o faz). Outra consequência disto é o facto dos testes comparativos da Proteste serem úteis em termos de informação, mas não em termos do modelo 'Escolha Acertada', dado ele nunca existir no mercado à altura da publicação.

Segundo, porque se por um lado as reviews continuam a existir em revistas de especialidade, aparenta existirem dois tipos de review:
  • as pagas pelos fornecedores do produto ou serviço a ser feito o review
  • as mal feitas, sem um bom estudo.
Concretizo isto num exemplo: tentem determinar qual o melhor fornecedor de VPN, por mais ou menos €5/mês, que existe. Vão chegar à conclusão que é uma com um símbolo fofinho verde -- Private Internet Access.

No entanto, para os utilizadores reais de VPN, vão chegar à conclusão que será a AirVPN.

Terceiro, o facto de as pessoas 'verdadeiras' comentarem no Facebook e em mais nenhum lado, em rants minimalistas (caso contrário ninguém lê), e não em textos de maior qualidade, leva a que o estudo de mercado que possam fazer seja francamente reduzido, e tenha de ser baseado na echo-chamber que o Facebook é.


Por outro lado...
Podemos estar simplesmente a ver a democratização do acesso à Internet e das leis do custo benefício a funcionar, misturado com um race to bottom. Podemos ver isto assim:
  • o Facebook dá voz a incontáveis pessoas que não querem gastar muito tempo na publicação e o fazem como forma de cimentar os laços pessoais e sociais e nada mais.
  • os blogs, com um custo de publicação (em termos de tempo, por exemplo) superior ao Facebook, relegados segundo plano
  • revistas selectas com reviews decentes, como existindo, mas sendo reduzidas dado o modelo maioritário, o modelo do click-bait, incentivar trabalho nas headlines e pouco ou nenhuma no corpo do texto.

Assim, na Internet, a promotora da igualdade do acesso à informação, acabou por ser moldada à semelhança da sociedade que a usa, a reduzir os ciclos de feedback de tal forma que se torna difícil (mas não, espero eu, impossível), encontrar fontes úteis de informação.

2017-02-21

O uso da Cloud -- parte 1

O uso da Cloud é algo complicado. A Cloud veio trazer todo o conhecimento para as nossas mãos. Tentar não usar a Cloud cheira a Luddite, e provavelmente é uma posição exagerada.

No entanto.... Assumir conectividade a 100% é um risco.
Uma história, no outro dia fui buscar um colega ao comboio.
Fiquei sem bateria no telemóvel. Tinha um portátil comigo. Tinha uma cabine telefónica à minha frente. Mas....


Como podem imaginar, não tinha Net. Depois de 5 minutos a olhar para o telemóvel [ligado a um PowerBank] e a tentar lembrar-me se tinha a minha Address Book em algum lado, o powerbank lá alimentou o telemóvel o suficiente para ele aguentar o boot sem desligar, e lá consegui fazer a chamada.


A verdade é, se olharmos para isto com um olhar crítico, podemos estabelecer uma parecença com a Microsoft dos anos 2000: eu não queria colocar o meu email no Outlook Express porque exportar do Outlook Express para Thunderbird [ok: Mozilla Mail ou equivalente] era uma dor de cabeça.

Porque é que quereria importar para a Cloud? A Google, p.ex., tem o Takeout. É só construir um parser dos ficheiros de output do Takeout e conseguimos levá-los para.......... para onde mesmo?
Somos livres de libertar os nossos ficheiros da Cloud, mas no Takeout por exemplo do Google Reader, o export era de um ficheiro OPML e outro de uma data de ficheiros num formato qualquer que mais nenhuma ferramenta sabia interpretar.

Eu tinha toda uma ideia para desenvolver, mas este artigo está em rascunho há demasiado tempo.


Fiquemos por aqui.

2017-02-15

Quero, posso e faço!

Isto vem um pouco na veia de um sentimento que o Pedro exprimiu aqui há uns posts atrás...

Quando éramos pequeninos, havia uma série de coisas que só podíamos fazer "quando fôssemos grandes": beber álcool, ficar acordado até tarde, ver filmes para crescidos, etc..

Depois crescemos (um bocado), e passou a haver coisas que só podíamos fazer quando certa condição se verificasse: podíamos sair à noite, mas só quando tivéssemos dinheiro; podíamos fazer uma lanzada, mas só quando não tivéssemos exames ou trabalhos iminentes; podíamos ir de férias para onde bem nos aprouvesse, à hora que quiséssemos, mas só quando já tivéssemos carro próprio.

Depois crescemos outro bocado e o "quando" começou a ficar menos nítido: quando tiver tempo; quando tiver paciência, quando receber, quando vencer o depósito a prazo, quando tiver acabado de pagar a hipoteca.

Finalmente, surge o "quando" mais malvado de todos: o "um dia destes".

Concretamente: desde que vim morar para S. João, continuando a ir frequentemente a Viseu, sempre que faço a viagem de volta, dá-me sempre ganas de ir a Aveiro. Primeiro na saída para o IC2 em direcção ao Porto e Albergaria-a-Velha (fico sempre com vontade de sair, só para ver se a meretriz que todas as semanas via junto da última estação de combustível antes de voltar para a A25 ainda lá está...), e depois logo antes da saída para a A1, que é onde deixo a A25 (e, a propósito de nada, deixo ficar que, saíndo onde costumo sair, percorro quase 10 Km na A1, pelo que pago €0.85, mas, se andar apenas mais 2 Km, passo logo a pagar €2.05 - justo...).

Pois este domingo deu-me o "vaipe" e fui mesmo até Aveiro. Fui tomar café à Doce Aveiro, onde ainda fui reconhecido (apesar de já lá não ir há 7 anos), passeei no Glicínias (que está largamente na mesma), passei diante de onde ainda me lembrava que colegas e amigos tivessem morado e, claro está, calcorreei o Campus de Santiago, desde o Complexo Pedagógico até à nova Reitoria, depois passei no glorioso Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática, diante do bar do Departamento de Biologia, seguindo em direcção ao Departamento de Línguas e Culturas e à Velha Reitoria.

Sabeis que mais? Foi giro. Recomendo. Mas, sobretudo, recomendo abolir o "um dia destes". Vão já!

Pax vobiscum atque vale.

2017-02-09

Bitcoins do pé para a mão

Precisava de 0.033 bitcoins... alguém me sabe dizer como é que as adquiro (a troco de alguma coisa como €36.00) sem ter que andar a revelar mais que o que me apetece a um site qualquer?

2017-01-27

Obrigado LN && o blog, e o blogging

Obrigado LN por teres respondido.

Blogging, e continuar a blogar, nos dias de hoje, é uma questão complicada.

Primeiro, 90% da atenção vai para as chamadas redes sociais.
Tentar manter uma presença de um blog nos Facebook da vida é uma experiência fracturante. Com um pé metade dentro do Facebook e outro metade fora, é duas vezes o esforço.

O facto do Facebook aparentar estar a seguir uma estratégia de querer ser a Internet leva a que eles deixem de suportar coisas que se calhar faziam sentido, como seguir os posts/comentários numa página por RSS.

Ou se usa as API deles ou chapéu.


Por outro lado, agora somos adultos responsáveis (tm). Um rant ou um sublinhar da idiotice de alguém pode ter consequências para o nosso futuro, se um post se tornar demasiado famoso.
Gostava de poder blogar sobre assunto W, Y e Z, mas provavelmente é considerado desbocar-me sobre a empresa em que trabalho, e mais uma vez, se tiver demasiada atenção, pode causar problemas.

Mas pronto, é um desafio, não são factores impeditivos, só que aliados ao cansaço, à frustração e ao sentimento NOC [No One Cares], acabam por ser uma rolha mental.
Isso e estar sempre de um lado para o outro, em casa ser para estar em família, no trabalho para trabalhar, etc., etc., é outro factor de limitação. Para contexto, estou a escrever isto no Centro Comercial, enquanto a mulher está a tratar da manicure.

Mas pronto, fim de rant.

É bom saber que há pessoas a ler.

Vou voltar a blogar :)

Olá! Alguém me lê?

Olá! Alguém me lê?

Por favor comentem!

2016-12-27

Os gelados de Richard Hammond

Ora bem, antes de mais, e com algum atraso (porque mais ninguém se maçou com fazê-lo), DJIMGOLBELS, CRL, DJIMGOLBELS!

Seguidamente, chamo a vossa atenção para este artigo.

TL;DR, o Richard Hammond, famosamente outrora do Top Gear, e famosamente agora do Grand Tour, fez uma graçola acerca de homens que comem gelados serem homossexuais e certos indivíduos ficaram ofendidos.

Antes de partirmos para uma análise cuidada de uma piada parva (no bom sentido) e de uma reacção exageradamente parva (no mau sentido), estabeleçamos que, ainda que o Hamster ache que um homem adulto a chupar um Magnum, um Mini-Milk ou mesmo, concebivelmente (ou talvez especialmente) um Calippo dê um certo ar de gay*, nenhuma pessoa razoável acreditaria que o Hamster ache que um homem adulto a chupar um Magnum, um Mini-Milk ou mesmo, concebivelmente (ou talvez especialmente) um Calippo seja necessariamente gay*.

Ora, para que não restem dúvidas, este vosso antigo colega e amigo deu-se ao trabalho de transcrever toda a conversa relativa à piadola:

(não é que não me tenha lembrado de traduzir a conversa, mas há aqui alguém que precise disso?)

Jeremy Clarkson: Bit more conversation for you...
Richard Hammond: Oh, good!
JC: I think, with the exception of Rolls-Royce, Volvo now make the best car interiors of anybody. (a audiência reage) They're very, very good.
James May: Weirdly, I don't like to, but I agree with you, because I went in the new S90 the other day and the interior is superb.
JC: We've got a picture of it here.
JM: Yes, that one!
JC: The thing about it is, they use pale colours. They've got pale coloured seats, pale coloured carpets, pale wood and that makes it feel light and airy and spacious. The only problem is that in one of those you couldn't enjoy a chocolate Magnum ice cream.
(a audiência ri-se)
RH: It's alright; I don't eat ice cream. Something to do with being straight.
(a audiência ri-se clamorosamente e aplaude)
JC: Why are you applauding it? What do you mean? Are you saying everyone who like ice... so you're saying...
RH: Well, you know, ice cream is a bit... you know...
JC: You're saying all children are (entredentes) homosexual.
RH: No. But... There's nothing wrong with it, but a grown man, eating an ice cream it's... you know, it's a bit... it's that way (gesticula para a esquerda) rather than that way (gesticula para a direita). It's just...
JC: (para a câmara) Welcome to the inside of Richard Hammond's head.
RH: I'm right! I can't believe you can't see that. It's easy; it's in front of you.
JC: You could enjoy a '99**** in there.
RH: You mean a 69.
(a audiência ri-se)
JC: No, 99. But it couldn't have the chocolate thingy. (gesticula, emulando, com o dedo indicador, um 99 cent flake espetado obliquamente na bola de gelado)
RH: My case rests!
(a audiência ri-se)
JC: No, the chocolate thingy...! (gesticula como antes, mas mais enfaticamente)
JM: But if you had a Volvo, if you had that Volvo, you could have a white Magnum....
JC: True.
JM: ... or a Milky Bar.
JC: Yeah, but not a Double Decker.
JM: Well, a flake is worse...
JC: No, Double Decker's worse.

Depois seguem para uma discussão acerca de qual chocolate faz mais migalhas.

Agora quero chamar a vossa atenção para dois parágrafos do artigo para o qual linkei (linquei? Lin Kuei?):

Primeiro - "In front of a live audience, Clarkson pointed to an image of the interior of a Rolls Royce, saying: “The only problem is that in one of those, you couldn’t enjoy a chocolate Magnum ice-cream.”"

- Era um Volvo, sua imbecil (Elle Hunt, autora do artigo)! Nem um Volvo de um Rolls-Royce distingues e tens a audácia de querer criticar seja que iota for de um programa de automóveis?!

Segundo - "A spokesman for LGBT equality charity Stonewall said Hammond’s choice of words were not only ridiculous, but “chosen purposefully to mock and belittle”."

- OK, tendes todas as palavras que o coitado do Hamster disse acerca do assunto escritas ali acima. Agora dizei-me quais é que "gozam e fazem pouco" dos homossexuais? Seja lá quem for que financia este cobarde miserável, que nem sequer se dá ao trabalho de fazer por que o seu nome acompanhe as suas palavras como convém a qualquer pessoa que fale com a convicção de manifestar os valores que acredita serem correctos, sabe ao menos para onde vai o dinheiro? É que se me dissessem que eu andei a pagar os almoços e os SMS deste escroque a quem não posso sequer dirigir devidamente os insultos que merece ia haver uma série de rabinhos muito vermelhinhos entre eu e ele...

Porra, qualquer dia, se mandar uma topada com o dedo grande do pé na mesa de café, nem "foda-se" posso dizer sem ser multado... Foda-se!

Pax vobiscum atque DEUS VULT!!!

* = Aqui uso o termo "gay" desconotadamente, ou seja, isento de qualquer deterimento ou pejoratividade, não vá algum paneleiro** ofender-se.
** = Aqui uso o termo "paneleiro" independentemente da orientação sexual do sujeito. Fazendo minhas das palavras do cómico e actor*** Louis C.K. (traduzidas por mim), eu nunca chamaria um homem homossexual de "paneleiro", a não ser que ele se estivesse a armar em paneleiro.
*** = Aqui uso o termo "actor" na sua gloriosa "antiga" ortografia. Se algum paneleiro** se ofender com isso, TANTO MELHOR!!!
**** = '99 refere-se a um "99 cent flake", uma folha fina e quebradiça de chocolate enrolada na forma de um cilindro que se esboroa em lascas e migalhas com facilidade, que também é o nome de um gelado servido em cone com um 99 cent flake espetado. [citation needed]

As desvantagens de uma educação de elite

Apareceu no HackerNews um post dedicado às desvantagens de uma educação de elite.

Só se lembraram disto foi depois do Trump ganhar :p