2010-10-07

Sexting

Uma vez, um de nós (o equivalente do efeito de mosaico sobre a cara, se isto fosse televisão) contou-me de, nos tempos áureos do IRC, um colega conheceu uma mulher mais velha que lhe fazia telefonemas à noite; telefonemas esses que variavam entre o pornográfico e o obsceno.

Mas isso não é sexting. Como aqui somos todos pessoas cultas, escuso de definir sexting e posso passar directamente ao link do post.

Que é este.

E agora, enquanto vocês ignoram o texto, vou escolher algumas passagens para comentar:

"O Sexting junta sexo e mensagens de telemóvel que caindo em mãos erradas podem ser fatais." Primeiro queria felicitar o autor desta frase pelo uso adequado de conjunções e vírgulas, mas, como este não está identificado (por vergonha, sem dúvida), vou apenas comentar "não exageras nada". Incedentalmente, este comentário emprega ironia para repreender o uso inadequado da hipérbole, caso alguns e-jornalistas estejam a ler.

"(...) uma jovem a frequentar o primeiro ano do ensino superior e que terminou a relação amorosa com o namorado, a quem tinha enviado fotos suas nua e algumas até com exposição dos órgãos genitais, vê as suas fotografias na internet. O rapaz sentiu-se abandonado e para resolver este seu luto da namorada vingou-se colocando as fotografias que identificavam a rapariga na Internet e fazendo uma exposição por e-mail para os amigos." Antes de mais nada, obrigado por porem este excerto em bold, facilita a tarefa de seleccionar. E agora, isto lembra-vos alguém?

"(...) computadores nos quartos dos jovens, cujos caminhos percorridos são do total desconhecimento dos pais, ao abrigo da noite." Toda a gente sabe que, de dia, a internet é pouco mais que um repositório de gatinhos, jacintos e arco-íris. A Wikipedia "desliga" os artigos acerca de armamento, doenças e outras coisas desagradáveis. O 4chan é banido da existência colectiva todas as madrugadas. Mas assim que o sol se põe (pausa à lá Jeremy Clarkson) a Besta ergue-se!

E, depois de mais uma platitude, o artigo acaba sem dizer praticamente nada, mas depois de ter empregue uma dúzia de manobras de diversão sensacionalistas. Ainda bem que ao menos o jornalismo português trata este novo flagelo da sociedade de forma tão sóbria e informativa. O futuro da nação está assegurado. Já não me apetece ir para nenhum país estrangeiro, nunca mais, nem de férias e tenho a certeza de que o Sintra (um grande abraço transatlântico para ele) está, agora que acabou de ler este artigo, a clamorar por um bilhete de volta para a pátria de D. Sebastião.

E, já agora, apraz-me dizer, talvez antiquadamente (sucede que eu ainda me recordo dos dias áureos do IRC), mas por que raio é que alguém que procura uma actividade potencialmente tão segura como sexting (vá lá, expliquem-me em que medida é que um violador que sabe exactamente o meu número de telefone, talvez o meu nome, dependendo da sorte que tenha entre o Google e a Vodafone e ainda que "estou cheio de tusa", por exemplo, me vai fazer mal? Vai mandar-me um SMS com vírus e o meu iPhone nunca mais vai ser o mesmo?) se há de lembrar de deliberadamente se por em elevado risco, oferecendo fotografias íntimas a uma pessoa que, à partida, mal conhece?

E, já agora, é impressão minha ou são sempre raparigas que, de repente, acordam e descobrem que metade do Liceu anda a ver as fotografias que ela mandou àquele amigo que tem 37 anos e só conhece do Facebook? Alguém se lembra de ter tido colegas (feminino) no Liceu com uma compulsão para mostrar o corpo nu ou seminu a completos desconhecidos? É que já não foi na semana passada que eu andei no Liceu, mas não me lembro de as coisas serem bem assim...

E, já agora, pax vobiscum atque vale.

5 comments:

Sintra said...

Epa no meu tempo mal haviam telemoveis qt mais sexting. E o mais proximo que nessa altura se chegava a ver uma gaja nua era na piscina de bikini (o q na altura era o ponto alto do ano!).
Mas quem manda fotos comprometedoras ta a pedir pra ser queimada(o?).

Quanto ao seres violado, nas palavras duma amiga minha aqui: "YOU CAN'T RAPE THE WILLING!" lololol

ArabianShark said...

You can't rape the willing? Depende de como defines rape, mas, provavelmente, terás razão. Se calhar é preciso é definir willing melhor.

Nos meus tempos de liceu o que não faltavam eram telemóveis; já sexting não é coisa de que tenha ouvido falar antes de chegar à universidade. Quanto a gajas nuas, bem, à noite, as Internets faziam das suas... mas só à noite!

Sintra said...

Pa, ya no meu decimo primeiro ja quase toda a gente tinha telemovel (corrige ai Goucha).

Pa, siga definir "willing" entao. Eu ca acho q eh obvio: willing eh aquele q quer. Se queres ser violado por uma gaja, ja n eh violacao! Como diz o 4chan, "it's not rape, it's surprise sex!"

Pedro Francisco said...

Vocês estão a descambar um bocado :P

Sintra said...

Qual descambar, a conversa ta eh a ficar interessante.
KNIGHT AJUDA AI OH REI DO 4CHAN!