2010-03-17

O Coelhino da Páscoa

A Páscoa vem aí, caros colegas! Aproxima-se a altura de dar o folar aos afilhados. A propósito disso, lembrei-me hoje de uma coisa, talvez por ventura dos vapores do desinfectante que estava a aplicar num arranhão causado pela Gemma Atkinson - perdão, pela gata. Tenho mesmo de deixar de inalar esta coisa...

Antes de mais nada: não há vampiros. Os fãs do Twilight que me desculpem (os do Drácula e da Anne Rice já sabiam), não vos queria contar assim a frio que o Pai Natal não existe (OK, prnto, há um Pai Natal que existe e eu tenho o contacto dele no msn, mas o outro Pai Natal não existe). E é precisamente sobre esta questão que me quero debruçar (mas pouco, que, depois do desinfectante, às tantas ainda caio...).

Quando somos pequeninos, acreditamos em tudo: no Pai Natal, nos vampiros e que as pessoas são, em geral, boas. À medida que vamos crescendo, deixamos de acreditar em algumas dessas coisas, porque nos apercebemos de que são arquétipos de ficção. Nada contra os arquétipos de ficção, ainda mais porque eu mesmo me pelo por alguns deles, mas é preciso ver-se que os arquétipos de ficção têm uma função clara; geralmente, a de entreter, e, por vezes, a de fabricar uma explicação para factos e acontecimentos que nao conseguimos compreender, mas o Pai Natal (o do Pólo Norte... e o outro tambem) não se encaixa nessa categoria. Contamos às crianças que o Pai Natal dá prendas aos meninos bem comportados, e esperamos que isso incite a crianças a portarem-se bem (nas duas últimas semanas de Dezembro) a troco de compensação material - e é mesmo isto que queremos, educar os nossos sucessores num paradigma... interesseiro? Claro que, a certa altura, as crianças vêm o Natal como pouco mais que uma oportunidade de receberem mais uns brinquedos "só porque sim", e o Natal torna-se consumista.

Contemplemos a alternativa: Abolir o Pai Natal (não chateiem, sabem a qual me refiro). Agora explicamos às criancinhas que, no Natal, como gostamos muito uns dos outros, gastamos do nosso dinheiro para lhes oferecer prendas que mostrem como gostamos uns dos outros e sem esperar nada em troca. É claro que, como também gostamos muito das crianças, havemos de lhes dar a carrinha da Barbie ou das Tartarugas Ninja (ainda mexem, esses? Já nem sei...) que elas andaram a pedir, mas talvez (nada prometo, mas talvez) assim elas percebessem que as prendas são só uma parte do Natal.

Ou, se calhar, talvez devêssemos deixar de dar prendas no Natal. Francamente, acho que continuava a gostar do Natal na mesma medida. E eu gosto mesmo muito do Natal.

E da minha gata.

Pax vobiscum atque vale.

6 comments:

Sintra said...

Acho que o Rui nao ia gostar de ser abolido. :/

Eh uma opcao dos pais.
No entanto acho importante que passemos por um periodo de fe (temporario) para depois nos desiludirmos.
Entra em accao a razao que nos poe de pe atras perante certos "acontecimentos".

Pedro Francisco said...

Deves ter sempre ideais em mente, assim como deves ter consciência que os ideais são ideais. Se partes do princípio que só há defeitos no mundo, só vais encontrar defeitos porque é só disso que vais procurar, daí a necessidade de histórias bonitas. Claro que uma coisa é ser optimista e outra é ser ingénuo.

Em termos concretos, a história do Pai Natal não é passar ideais, é fazer passar as crianças por burras. Mas suponho que atinja o seu objectivo como história.

Pedro Francisco said...

Quanto ás Tartarugas Ninja vi um episódio delas no outro dia. Esqueçam as tartarugas ninja bacanas que conhecíamos, agora são bué hard-style e bué más e não têm pupilas (wtf, mate?).
Enfim, pior só se fossem emo.

Por falar em coisas emo, esta não é a minha definição de pianista. Emos everywhere, wtf.

Pedro Francisco said...

A cena emo é logo no sítio onde pus o vid a começar.

Sintra said...

Fail link.
Please try again.

Pedro Francisco said...

grrrrr