2012-10-13

Não estamos sós no Universo, mas podemos bem ser os primeiros...

Li este artigo e decidi partilhar com as minhas palavras e comentários:

Segundo o modelo aceite para a história e formação do universo, este começou (ou recomeçou, mas não falaremos disso hoje) há cerca de 13.75 mil milhões de anos.

O big bang formou as chamadas estrelas de pop. 3. Enormes, de elevada massa mas contendo apenas os elementos mais básicos, como hidrogénio, hélio e lítio. Estrelas massivas consomem-se muito rapidamente  e  conforme foram consumindo o seu combustível, deram origem a outros elementos mais complexos, fazendo nascer as estrelas de pop. 2



Não descobrimos ainda nenhuma estrela de pop 3. mas a mais antiga de pop. 2 tem 13 mil milhões de anos! São estas estrelas de pop 2 que começaram, lentamente a fornecer os elementos que permitem formar os primeiros planetas. Conforme as maiores estrelas de pop. 2 vão consumindo o seu último combustível, geram as estrelas de pop. 1, como o nosso sol, ricas em metal e com estabilidade suficiente para albergar planetas.

É nestes sistemas de estrelas de pop. 1 que aparecem os primeiros planetas gasosos, há algo como 9 biliões de anos, e rochosos, há cerca de 8 mil milhões de anos. [1] A não ser que alguém considere plausível a existência de vida sem a existência de planetas, então podemos dizer com alguma segurança que os pioneiros da vida no universo devem ter aparecido há 9 a 8 mil milhões de anos. Ora, é exactamente aqui que a coisa fica interessante.

Aqui o nosso pedaço de terra (que muitos chamam de Terra!) tem algo como 4.5 mil milhões de anos. A primeira vida apareceu a algo como 3.6 mil milhões de anos, fotossíntese aos 3.0 mil milhões, vida multicelular há 1.5 mil milhões  o carismático primeiro humano há 0.004 mil milhões e o humano moderno à 0.00005 mil milhões.

Em apenas 50.000 anos a nossa raça começou a explorar os outros planetas do seu sistema solar, a bombardear o espaço com ondas rádio e, mais importante ainda, a ouvir o que se passa lá fora. Ora, fizemos tudo isto em 50.000 anos de evolução, ou seja, 0.00005 mil milhões de anos, num planeta com 4.5 mil milhões de anos de idade.



Digamos então que a primeira vida apareceu no universo há 9 ou 8 mil milhões de anos atrás (ver [1] novamente), e em algum destes planetas pioneiros teve condições para gerar vida inteligente, e maturou a ritmo semelhante ao da terra... estes fulanos teriam entre 4 a 5 mil milhões de anos de avanço em relação à raça humana! Já vimos o que o ser humano fez em 0.00005 mil milhões de anos, imaginem agora o que seria capaz em 4 mil milhões!

Ou seja, caso existisse na nossa galáxia vida inteligente mais antiga que a nossa, não teria por esta altura arranjado algum método de dizer ESTAMOS AQUI! em alto e bom som? Visto bem a coisa, podemos não estar sozinhos no universo, mas podemos bem ser dos primeiros planetas a ter vida inteligente na nossa galáxia.

8 comments:

Carlos Ferreira said...

Não nos esqueçamos que pelo meio da história do nosso "3º calhau a contar do sol", também apareceram os dinossauros que depois, desapareceram...

Será que não poderão existir planetas cujos seres humanos, apareceram antes dos dinossauros, sem ter existido um meteoro a estragar a festa?

ArabianShark said...

Muito bom, gostei muito de ler!

Em jeito de continuação da hipótese do Clay, então e se, nesse hipotético planeta em que nenhum meteoro estraga o dia aos dinossauros, a assim-chamada espécie dominante, título que revindicamos, tiver evoluído dos dinossairos ao invés de dos mamíferos? Ou de outra classe animal?

E se a espécie dominante nem sequer for um animal?

Noutra nota, Peres, por favor não leves a mal, mas tu escreves bem, pá, acho sinceramente que és uma mais-valia para o blog, e é pena que dês consistentemente este erro: quando te referes ao um intervalo de tempo, a palavra que queres usar é "há", não "à" (e. g., "há 13 mil milhões de anos"). "À" é a contracção da proposição "a" (e. g., "vou a Aveiro") e do artigo "a" (e. g., "somos a espécie dominante").

Peres said...

Não digo que vida para ser inteligente tenha de ter tido origem em mamíferos. Aliás, acho deveras ridícula a hipótese de apenas poder existir vida com base em carbono.

Arabian, a vida deve ser mais comum do que nós imaginamos. Basta olhares para o nosso sistema solar, que em nem uma dúzia de planetas tens vida no nosso e quase tudo aponta que teve vida em marte (marte, que é apenas 100.000.000 anos mais antigo que a terra). Agora, de espécie dominante a espécie inteligente vai um longo passo :p

Tens o exemplo mesmo dos dinossauros, que tiveram cá 160 milhões de anos e cujo maior feito foi aprender a caçar em grupo.

Quanto ao à e ao há, tentarei corrigir, mas passo as culpas todas à minha professora Isabel da 3ª classe. Resolve isso com ela.

Pedro Francisco said...

Pessoalmente, isto parece-me a teoria mais convincente que li até hoje, mas também não li muitas, confesso: http://ieet.org/index.php/IEET/more/nicholas20120905

TL;DR: será vantajoso para a humanidade viver na vizinhança de buracos negros, em que não seremos incomodados por pessoas do espaço normal, nem nos interessará :p (e aplicando isto a outras raças inteligentes resultará que se calhar é por isso que não há contacto).

Hal said...

Goucha, até vivemos relativamente "perto" de um... adivinha o que está no centro da nossa galáxia :P

Bom post Peres. Faz-me lembrar é aqueles episódios de Stargate em que civilizações mais avançadas se recusavam a contactar e a trocar tecnologia com civilizações tecnologicamente inferiores porque, invariavelmente, estas acabam por se autodestruir.

Se calhar pura e simplesmente querem evitar contacto.

ArabianShark said...

Hal, lembraste-me de um episódio não de Stargate mas da jurássica Babylon 5, em que uma sonda de uma raça desconhecida interpela os habitantes da Babylon 5 e transmite uma lista de perguntas, anunciando que, se acertarem, então estão habilitados ao primeiro contacto; caso contrário, serão destruídos.

Para os de vós que não precisam de um episódio de 45 minutos para se aperceberem de que isso não faz muito sentido, era uma (para citar o Almirante Ackbar) armadilha, e a sonda estava programada para explodir se e só se os examinandos acertassem nas respostas, pois, nesse caso, seriam suficientemente avançados para constituir um perigo potencial.

Peres said...

Meanwhile, on earth...

Enviamos ondas rádio e sondas com mapas detalhados da nossa localização, hehe

Pedro Francisco said...

Ninguém leu o meu artigo :p
Vou acrescentar um ponto ao TL;DR: no ponto de vista descrito nesse artigo, qualquer raça que evolua para o estado civilizacional de viver ao pé de um buraco negro não só não tem necessidade de explorar a galáxia como não tem mesmo qualquer interesse :)