2010-02-01

A cultura paga-se... ou será que não?

Ir a livrarias (e à velhinha Valentim de Carvalho) são talvez as recordações mais queridas da minha infância. Passava horas só a ouvir excertos da última banda (francamente má) que na altura idolatrava; lia resumos de todos os livros que parecia minimamente interessantes e, no fim, gastava praticamente todas as minhas poupanças mas ia para casa contente da vida.

Hoje em dia, o panorama é bem diferente. Venho por este meio comunicar que estou indignado com o status quo da cultura em Portugal. Temos uma taxa de inflação cada vez maior mas os salários não sobem; como consequência, o nosso poder de compra fica reduzido e, claro, gastamos menos do que gostariamos.

Isto é chato, ok, mas nada do outro mundo.
Há coisa de dois ou três anos que tenho vindo a encomendar tralha da loja da Amazon inglesa, onde os preços são bem mais baratos. Isto não me incomoda, no entanto: acho perfeitamente razoável que um livro traduzido acabe por ser mais caro que o original (e traduzir obras é essencial se queremos preservar a nossa língua) mas há coisas que não lembram a ninguém!

Ontem descobri numa livraria no Porto o Lonely Planet Guide to The Middle of Nowhere, na sua versão original. Quis comprar; vi que o preço original impresso era $35 ou £25 o que segundo o câmbio daria algo entre 25 a 30 euros, consoante o roubo do câmbio. Estimei que a loja acabaria por cobrar 5 ou 10 euros a mais para fazer lucro e, ainda assim, queria levar aquilo comigo.

Queriam 55 euros por aquilo. Cinquenta e cinco euros por algo que deveria custar trinta.... acabei por sair de lá irritado e sem levar nada.

Há minutos atrás acabei de colocar uma ordem na Amazon; por 30 euros comprei o livro (17€), um CD (Immortal - Battles in the North) e ainda sobraram trocos para os portes!

Depois venham cá dizer que a cultura em Portugal não rende!
Pratiquem preços justos por uma vez na vida.

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