Ao ler a história de Agis III de Esparta, quase que vale a pena perguntar porque é que o filme 300 não relatou a vida de Agis em vez de Leonidas I.
Agis, 3º de seu nome, viveu na mesma época de Alexandre o Grande. A Grécia (e mais tarde, todo o mundo conhecido) dobrava nesta altura o joelho a Alexandre e ao seu país, a Macedónia.
Ora, estava exactamente Alexandre na Pérsia a combater Dário III quando Agis III tem uma daquelas cãibras no joelho (tão tipicamente espartanas) e decidiu juntar um exército para recuperar a grécia. Alexandre estava obviamente demasiado ocupado e manda então um dos melhores e mais veteranos Generais, com 80.000 homens para dominar Agis.
Isto claro, revelou-se um problema para Agis, que tinha apenas cerca de 40.000 homens. Mesmo assim, decidiu enfrentar o exército Macedónio.
O hoplite grego tinha um grande escudo oval , e uma lança de 3 a 4 m de altura e armadura completa.
O hoplite macedónio usava quase nehuma armadura tirando um pequeno escudo atado ao braço, que cobria apenas o seu flanco esquerdo (enquanto que o flanco direito era protegido pelo seu companheiro de armas imediatamente à sua direita). A arma por outro lado, a sarissa, era empunhada pelos dois braços e era uma lança de 7m.
Ou seja, nesta altura, o hoplite grego, que empunhava a lança com a força de um braço, tinha que de algum modo, penetrar 3 a 4m dentro de uma floresta de lanças para conseguir riscar um escudo macedónio...
O resultado do combate é previsível, cerca de 5500 espartanos mortos, para 3000 macedónios.
Mas não fica por aqui. Conta a história que Agis liderou o assalto contra as sarissa macedónias, e tal a violência do combate que ele próprio é atingido várias vezes, e os seus soldados o dão como morto. Os espartanos começam a desesperar, mas mesmo assim tentam salvaguardar o corpo de Agis para ser enterrado em esparta.
Para sua surpresa, o corpo que eles julgavam morto ergue-se de joelhos, e ordena aos seus homens que retirem de forma ordeira, que ele aguenta os 80.000 macedónios(!).
E tal aconteceu. Este homem, ferido ao ponto de ser dado como morto, erguendo-se apenas de joelhos, e empunhando duas espadas que alcançou ali perto, matou todo e qualquer macedónio que tentou dar-lhe a estocada final. O exército macedónio parou, talvez por respeito ou admiração, e mais nenhum homem se atreveu a avançar enquanto Agis III ainda respirava.
Optaram por fim em atirar um javelim, à distância, para matar o bravo Rei.
2012-09-20
2012-09-14
O medo - de José Alberto Quaresma
"O medo ensopa o país. Dissemina-se de mansinho por todo o lado como a peste. Penetra nas escolas, nas famílias. E nas repartições, esquadras, quartéis, empresas, mercados, câmaras, tribunais. Não há quarentena que o valha.
O medo espalha o medo. Nos infantários, escolas primárias, escolas de 2º e 3º ciclo, escolas secundárias, universidades. O medo manda dezenas de milhar de professores para casa com medo. E os que estão na escola a medo ficam. Foçam em papelada transidos de medo. Na aula frente aos alunos sorriem a medo. Os alunos vêem o baço brilho do medo nos olhos docentes. Os alunos brincam, estudam, distraem-se. Mas pressentem a ameaça. O medo já vive dentro deles.
O medo mandou transformar novas oportunidades em velhíssimas inoportunidades. Mascara com as defuntas novas oportunidades a diminuição de alunos para justificar o despedimento de professores. O medo manda atulhar os alunos em contentores que fazem lembrar as salas de aula do passado recente. O medo manda milhares de alunos para a rua da universidade porque não podem pagar as propinas e passam fome. E têm medo porque lhes estão a saquear o futuro.
O medo de hoje nasceu na rua de S. Caetano à Lapa e no Largo do Caldas de forma legítima directamente vertido das urnas abertas. O medo mentiu sem vergonha para entrar com pompa no Palácio de S. Bento. Subiu decidido à rua Gomes Teixeira. Propagou-se pelo Terreiro do Paço. Chegou ao Palácio Ratton e ao Palácio de Belém.O medo faz medo com o medo que tem do FMI, do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia.
E agora o medo tem medo da rua. Encapsula-se com medo a sete chaves em recintos fechados por muros de polícias. No Aquashow, em Quarteira, no fim das férias. Na fortaleza da Gomes Teixeira.
O medo tem medo de ir à RTP explicar-se a medo. Medo dos trabalhadores e da populaça que possa vociferar na Gomes da Costa. O medo chama a parafernália de carros de exteriores, parabólicas, técnicos, para uma transmissão televisiva em directo do seu bunker. O medo por ter medo não tem pudor em esbanjar assim dinheiros públicos.
O medo manda um ministro de Estado, agora silencioso e outrora palavroso e que não admitia mais austeridade, cancelar à última hora a sua presença na homenagem a um antigo presidente do Brasil, apesar de lá ter regressado há pouco de um passeio oficial. E manda o inefável desmemoriado ministro da 5 de Outubro substitui-lo.
E o medo tem medo de apear a segunda figura do governo que comprou um canudo nos salvados da feira da ladra em que uma universidade por onde passou furtivo se transformou.
O medo atingiu quem pode porque amanhã tem medo de não poder. O medo finge não ter medo de espoliar reformados e trabalhadores por conta de outrem para meter no bolso da administração de empresas grandes o dinheiro que será seu e que fará dele tudo o que entender menos criar emprego porque as pessoas com medo fazem dieta espartana e não consomem mais do que aconchegos de estômago.
As pequenas empresas agonizam e fecham as portas. E a calçada frente ao Instituto de Emprego peja-se de gente que a medo vai mendigar ao Estado o subsídio que tarde e a medo chega.
O medo manda para a emigração gente qualificada com medo e necessidade de sobreviver, como outrora mandava muito querido jovem compatriota dar o salto para um qualquer bidonville de Paris a preencher o buraco na barriga ou para fugir dos buracos que as balas, minas e armadilhas em África podiam abrir nos camuflados.
O medo finge não ter medo da raiva em que o medo se pode metamorfosear. Em palavras obscenas de angústia, em bandeiras negras de cólera, em ovos que falham o alvo. Ou, esperemos que nunca, em balas como as que mataram o penúltimo rei ou o quarto presidente da República, o ditador Sidónio.
O medo pode levar a perder o medo. E o medo perdido incendeia cabeças perdidas. E as cabeças perdidas, em solitário ou em bandos radicais, metem mesmo muito medo."
Todo o texto é de autoria de José Alberto Quaresma, publicado in Expresso
2012-09-11
Para desanuviar, submarinos nucleares
Isto era para ser um post enorme e dissertativo, mas depois apercebi-me de que ninguém quer passar um quarto de hora a ler acerca da história da falta de um jogo de submarinos em condições, portanto, vamos dieritos ao sumo da questão:
Antes de continuarmos, vou assumir que já toda a gente aqui viu, pelo menos uma vez, o "The Hunt for Red October", "K-19" ou mesmo "Das Boot" (ou semelhantes), só para que fique estabelecido - os submarinos são fixes.
Agora, não assumindo nada, vamos olhar brevemente para a história de jogos de submarinos. Digo brevemente porque não há quase nada para ver, comparado com, por exemplo, a história dos FPSs. E, do que há para ver, quase todos são extraordinariamente complicados. Muitas vezes (como se houvesse todas as vezes juntas fossem sequer "muitas"), o jogador, que é o comandante do submarino em questão, tem que ser capaz de desempenhar funções em qualquer dos postos da ponte (sonar, lemes, armas, etc), e estar constantemente a trocar de posto não é lá muito prático. Em podendo dar ordens à lá "Endwar", ou seja, carrega-se no botão, diz-se para o microfone o que é que se quer que aconteça e os duendes do reconhecimento vocal fazem magia para que isso mesmo aconteça, as coisas podiam ser melhores, mas não sei em que pé está essa ideia junto dos simuladores de submarinos - o que, na verdade é menos que relevante, uma vez que esse sistema é inflexível, apesar de funcionar razoavelmente bem... quase sempre.
Portanto, nova ideia: em vez de fazer um jogo para um só indivíduo se armar em Sean Connery durante umas horas de cada vez, vamos pensar em grande: um edifício inteiro (não tem que ser muito grande) dedicado à ideia. Numa (ou duas) divisão, faz-se uma (ou duas) réplica aproximada da ponte de um submarino. Os jogadores inscrevem-se e ficam no registo "da casa". Antes de cada "sessão", cada jogador vai a uma explicação (ou mais, dependendo de tempo e disponibilidade) de como funciona um posto da ponte à escolha, dada por um membro da Marinha, reformado ou em licença por tempo indefinido. A partir daí, fica no registo do jogador que o dito jogador está habilitado a jogar no posto em questão. Caso o jogador esteja qualificado para jogar em qualquer posto, pode jogar como Comandante.
Dadas as palestras, sigamos para o jogo a sério. Escusado será dizer, como os jogadores foram instruídos em prácticas de combate submarino e estão num simulacro da ponte de um submarino, o objectivo é estrelar ovos, ou, alternativamente, caso algum dos participantes não goste de ovos estrelados, cumprir uma missão típica de um submarino (por exemplo, afundar uma frota de navios de superfície, ou caçar outro submarino). Caso haja duas equipas e dois simulacros, os jogadores podem decidir jogar ambos na mesma equipa ou uns contra os outros. Se as equipas não estiverem completas, a casa há de ter funcionários (possivelmente também da Marinha) que preencham os lugares em vazio (máximo de, por ora, duas vagas por equipa, e uma delas pode ser o Comandante, caso não haja jogadores qualificados). Depois, é deixar a malta divertir-se a fingir que está debaixo de água.
Não pensem que a ideia é tão descabida como parece (se bem que pareça assaz descabida). Afinal, no Caramulo, há uma companhia que faz uma coisa parecida: cidadão perfeitamente vulgares vão para um hotel durante um fim de semana; no Sábado têm uma sessão de treino e no Domingo vestem fatos de neoprene e vão descer o rio Teixeira a pé, por exemplo, ou fazer rappel ou rafting ou arranjar outra maneira de se partirem todos em prol de fazer desporto no meio da Natureza. O patrão, em 2002, era um Capitão do Exército em licença por tempo indefinido e os funcionários, para além de darem o treino, ajudavam os participantes durante a "viagem" (e, a páginas tantas, bem que era preciso).
Fica a ideia. Pode ser que arranje parceiro de negócio.
Pax vobiscum atque vale.
Antes de continuarmos, vou assumir que já toda a gente aqui viu, pelo menos uma vez, o "The Hunt for Red October", "K-19" ou mesmo "Das Boot" (ou semelhantes), só para que fique estabelecido - os submarinos são fixes.
Agora, não assumindo nada, vamos olhar brevemente para a história de jogos de submarinos. Digo brevemente porque não há quase nada para ver, comparado com, por exemplo, a história dos FPSs. E, do que há para ver, quase todos são extraordinariamente complicados. Muitas vezes (como se houvesse todas as vezes juntas fossem sequer "muitas"), o jogador, que é o comandante do submarino em questão, tem que ser capaz de desempenhar funções em qualquer dos postos da ponte (sonar, lemes, armas, etc), e estar constantemente a trocar de posto não é lá muito prático. Em podendo dar ordens à lá "Endwar", ou seja, carrega-se no botão, diz-se para o microfone o que é que se quer que aconteça e os duendes do reconhecimento vocal fazem magia para que isso mesmo aconteça, as coisas podiam ser melhores, mas não sei em que pé está essa ideia junto dos simuladores de submarinos - o que, na verdade é menos que relevante, uma vez que esse sistema é inflexível, apesar de funcionar razoavelmente bem... quase sempre.
Portanto, nova ideia: em vez de fazer um jogo para um só indivíduo se armar em Sean Connery durante umas horas de cada vez, vamos pensar em grande: um edifício inteiro (não tem que ser muito grande) dedicado à ideia. Numa (ou duas) divisão, faz-se uma (ou duas) réplica aproximada da ponte de um submarino. Os jogadores inscrevem-se e ficam no registo "da casa". Antes de cada "sessão", cada jogador vai a uma explicação (ou mais, dependendo de tempo e disponibilidade) de como funciona um posto da ponte à escolha, dada por um membro da Marinha, reformado ou em licença por tempo indefinido. A partir daí, fica no registo do jogador que o dito jogador está habilitado a jogar no posto em questão. Caso o jogador esteja qualificado para jogar em qualquer posto, pode jogar como Comandante.
Dadas as palestras, sigamos para o jogo a sério. Escusado será dizer, como os jogadores foram instruídos em prácticas de combate submarino e estão num simulacro da ponte de um submarino, o objectivo é estrelar ovos, ou, alternativamente, caso algum dos participantes não goste de ovos estrelados, cumprir uma missão típica de um submarino (por exemplo, afundar uma frota de navios de superfície, ou caçar outro submarino). Caso haja duas equipas e dois simulacros, os jogadores podem decidir jogar ambos na mesma equipa ou uns contra os outros. Se as equipas não estiverem completas, a casa há de ter funcionários (possivelmente também da Marinha) que preencham os lugares em vazio (máximo de, por ora, duas vagas por equipa, e uma delas pode ser o Comandante, caso não haja jogadores qualificados). Depois, é deixar a malta divertir-se a fingir que está debaixo de água.
Não pensem que a ideia é tão descabida como parece (se bem que pareça assaz descabida). Afinal, no Caramulo, há uma companhia que faz uma coisa parecida: cidadão perfeitamente vulgares vão para um hotel durante um fim de semana; no Sábado têm uma sessão de treino e no Domingo vestem fatos de neoprene e vão descer o rio Teixeira a pé, por exemplo, ou fazer rappel ou rafting ou arranjar outra maneira de se partirem todos em prol de fazer desporto no meio da Natureza. O patrão, em 2002, era um Capitão do Exército em licença por tempo indefinido e os funcionários, para além de darem o treino, ajudavam os participantes durante a "viagem" (e, a páginas tantas, bem que era preciso).
Fica a ideia. Pode ser que arranje parceiro de negócio.
Pax vobiscum atque vale.
2012-09-09
The Beginning of the USSA
Passou a estar à venda nos Estados Unidos da América, uma revista de apoio à Candidatura do Mitt Romney à Casa Branca que tem a seguinte capa.
Isto faz lembrar uma outra imagem de tempos passados, que quase trouxe o mundo à beira de uma guerra nuclear...
Definitivamente o Capitalismo Americano falhou... pois acabou-se por tornar igual ao seu arqui-inimigo de tempos passados....
2012-09-07
Coelhinho se eu fosse como tu...
"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."
"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."
"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."
"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."
"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."
"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."
"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."
"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."
"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."
"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."
"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."
"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."
"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."
Vamos ver o comunicado de hoje às 19:20
2012-08-23
Bacalhau, a grande vitória Viking
Desde o ano 800 que os Vikings assaltavam com alguma regularidade a costa Ibérica. Chegaram mesmo a tomar Sevilha durante uma semana, pilharam Braga, Porto, Lisboa.... os seus raids eram causa de temor por toda a península.
O objectivo era sempre o mesmo, chegavam, pilhavam até algum Imir ou Duque reunir um exército, e voltavam aos barcos partindo para outro destino. Por incrível que pareça, esse lado violento dos Vikings foi o que menos nos marcou a nós, Portugueses.
Desde cedo que os vikings conheciam as propriedades do bacalhau. Muito rico em proteína para um peixe e de secagem fácil, era neste estado (seco) que era transportado nos drakars vikings servindo de alimento para as longas viagens. Por mais que uma vez, quando um raid Viking corria mal era dada a hipótese aos vikings sobreviventes de se converterem ao cristianismo em vez da morte. E tal aconteceu, até ao ponto de tal "familiaridade" que se deixou populações vikings fundarem povoados na nossa costa (Póvoa de Varzim por exemplo).
Foi devido a esta mistura cultural que os povos do norte descobriram o sal de Aveiro (considerado na altura o melhor do mundo, passando barcas Vikings a vir à região de aveiro não para saquear mas para comprar sal em troca de mel e madeira nórdica). Mas foram realmente os Portugueses que exploraram por completo o bacalhau. Juntaram a seca do bacalhau ao processo de o salgar, e com o tempo se arranjaram as "mais de 1000" receitas do peixe que ficou conhecido como o "fiel amigo".
Numa época em que a preservação e refrigeração da comida era um dos factores que limitava o desenvolvimento humano, o bacalhau foi um enorme sucesso, de tal modo que por volta de 1550 60% do peixe comido em toda a Europa era bacalhau. Ficou assim registado na história o resultado inesperado dos raids Vikings em terras lusas.
O objectivo era sempre o mesmo, chegavam, pilhavam até algum Imir ou Duque reunir um exército, e voltavam aos barcos partindo para outro destino. Por incrível que pareça, esse lado violento dos Vikings foi o que menos nos marcou a nós, Portugueses.
Desde cedo que os vikings conheciam as propriedades do bacalhau. Muito rico em proteína para um peixe e de secagem fácil, era neste estado (seco) que era transportado nos drakars vikings servindo de alimento para as longas viagens. Por mais que uma vez, quando um raid Viking corria mal era dada a hipótese aos vikings sobreviventes de se converterem ao cristianismo em vez da morte. E tal aconteceu, até ao ponto de tal "familiaridade" que se deixou populações vikings fundarem povoados na nossa costa (Póvoa de Varzim por exemplo).
Foi devido a esta mistura cultural que os povos do norte descobriram o sal de Aveiro (considerado na altura o melhor do mundo, passando barcas Vikings a vir à região de aveiro não para saquear mas para comprar sal em troca de mel e madeira nórdica). Mas foram realmente os Portugueses que exploraram por completo o bacalhau. Juntaram a seca do bacalhau ao processo de o salgar, e com o tempo se arranjaram as "mais de 1000" receitas do peixe que ficou conhecido como o "fiel amigo".
Numa época em que a preservação e refrigeração da comida era um dos factores que limitava o desenvolvimento humano, o bacalhau foi um enorme sucesso, de tal modo que por volta de 1550 60% do peixe comido em toda a Europa era bacalhau. Ficou assim registado na história o resultado inesperado dos raids Vikings em terras lusas.
2012-08-22
Blu Ray a portar-se mal
Ora então, hoje venho pedir-vos ajuda.
Sucede que, pela primeira vez, tentei ver um filme em Blu-Ray no meu PC. Experimentei vários programas. Sucedeu:
Cyberlink PowerDVD 11 - A princípio, correu tudo bem, vi uns minutos (poucos) do filme. A dada altura, o player crashou. A partir daí, declarou que não conseguia ler o disco até que reiniciei o PC. Desde então que, sempre que tento ver qualquer filme (experimentei com dois discos diferentes), me mostra, durante sete segundos, uma mensagem a dizer que o disco foi feito com a mais recente tecnologia e diz que talvez tenha que actualizar o meu leitor. Não é uma mensagem do PowerDVD, mas antes um clip de vídeo com texto branco sobre fundo preto como imagem.
ArcSoft TotalMedia Theatre 5 - Limita-se a mostrar a mesma mensagem, mas a imagem é diferente; o fundo é avermelhado e as letras amarelas. Também mostra um URL da ArcSoft que não ajudou em rigorosamente nada.
Cyberlink PowerDVD 12 - Limita-se a mostrar a mesma imagem.
Posto que nenhum dos players tinha, que eu conseguisse encontrar, uma função de actualização, resolvi actualizar o firmware e drivers da drive (LG BH10LS30) através do site da LG. Nenhuma mudança.
Algum dos meus colegas já encontrou coisa parecida?
Pax vobiscum atque vale.
EDIT: Depois de instalar e desinstalar cerca de um googleplex de trials e coisas que tais, a seguir à maldita mensagem de 7 segundos, e plea primeira vez, o filme parece estar a correr bem. A ver vamos se não há mais azar...
Sucede que, pela primeira vez, tentei ver um filme em Blu-Ray no meu PC. Experimentei vários programas. Sucedeu:
Cyberlink PowerDVD 11 - A princípio, correu tudo bem, vi uns minutos (poucos) do filme. A dada altura, o player crashou. A partir daí, declarou que não conseguia ler o disco até que reiniciei o PC. Desde então que, sempre que tento ver qualquer filme (experimentei com dois discos diferentes), me mostra, durante sete segundos, uma mensagem a dizer que o disco foi feito com a mais recente tecnologia e diz que talvez tenha que actualizar o meu leitor. Não é uma mensagem do PowerDVD, mas antes um clip de vídeo com texto branco sobre fundo preto como imagem.
ArcSoft TotalMedia Theatre 5 - Limita-se a mostrar a mesma mensagem, mas a imagem é diferente; o fundo é avermelhado e as letras amarelas. Também mostra um URL da ArcSoft que não ajudou em rigorosamente nada.
Cyberlink PowerDVD 12 - Limita-se a mostrar a mesma imagem.
Posto que nenhum dos players tinha, que eu conseguisse encontrar, uma função de actualização, resolvi actualizar o firmware e drivers da drive (LG BH10LS30) através do site da LG. Nenhuma mudança.
Algum dos meus colegas já encontrou coisa parecida?
Pax vobiscum atque vale.
EDIT: Depois de instalar e desinstalar cerca de um googleplex de trials e coisas que tais, a seguir à maldita mensagem de 7 segundos, e plea primeira vez, o filme parece estar a correr bem. A ver vamos se não há mais azar...
2012-08-20
Tartessos, Cónios e escrita do sudoeste
Quando os povos gregos chegaram à península ibérica, à cerca de 3200 anos atrás, encontraram um povo nativo que baptizaram de "Tartessos". Dedicados à agricultura, pesca mas acima de tudo, metalurgia, os Tartessos depressa aprenderam as artes do comércio, e prosperaram ao fornecer bronze, prata e ouro para todo o mediterrâneo , tornando-se, aliás, o maior fornecedor de bronze e prata de todo o mediterrâneo (aliás, até há referências bíblicas ao ouro e prata provenientes de "Tarsis")
Os Tartessos prosperaram durante mais de 500 anos, e estenderam a sua influência por quase metade da península ibérica, e poderiam ter durado muito mais caso não tivessem escolhido o lado Grego durante a guerra com Cartago. Esta civilização desaparece da história abruptamente, como se tivesse sido varrida por um cataclismo, não se sabe inclusive a verdadeira localização da sua capital, Tartesso, que terá provavelmente sido varrida do mapa pelo gigante militar africano.
A partir deste ponto a história é controversa. Há quem defenda que o povo que habitou o sul de Portugal entre VII a.C e o século I era não mais que os "refugiados" Tartessos, mas as diferenças que vou apresentar mais à frente levam-me a discordar.
Acontece que um dos grandes mistérios da península ibérica é exactamente este povo que habitou o sul do País até serem anexados pelos Romanos na província Lusitana. O seu nome era "Cónios" e desenvolveram a escrita antes da chegada dos Fenícios. É aqui que a história fica confusa:
Os Tartessos prosperaram durante mais de 500 anos, e estenderam a sua influência por quase metade da península ibérica, e poderiam ter durado muito mais caso não tivessem escolhido o lado Grego durante a guerra com Cartago. Esta civilização desaparece da história abruptamente, como se tivesse sido varrida por um cataclismo, não se sabe inclusive a verdadeira localização da sua capital, Tartesso, que terá provavelmente sido varrida do mapa pelo gigante militar africano.
A partir deste ponto a história é controversa. Há quem defenda que o povo que habitou o sul de Portugal entre VII a.C e o século I era não mais que os "refugiados" Tartessos, mas as diferenças que vou apresentar mais à frente levam-me a discordar.
Acontece que um dos grandes mistérios da península ibérica é exactamente este povo que habitou o sul do País até serem anexados pelos Romanos na província Lusitana. O seu nome era "Cónios" e desenvolveram a escrita antes da chegada dos Fenícios. É aqui que a história fica confusa:
- A origem dos nativos Iberos é possivelmente muito, muito remota. O registo mais antigo de um "antepassado" são talvez os "Iberomaurisienses" por volta de 7500 a.C (e aliás, mostram a sua cultura "alentejana" ao ficarem na história como amantes de caracóis. As suas pinturas rupestres mostravam frequentemente caracóis, e há inclusive depósitos inteiros de cascas de caracóis encontrados juntamente com vestígios Iberomaurisienses, se isto não serve de prova não sei que servirá)
- Será possivelmente uma sub-cultura destes "Iberos" que deu origem aos Cónios. Por volta de 1500 a.C, chegam à Península os primeiros povos Celtas (do sul de França) e são estes que"empurram" os Cónios para o Sul do País ao longo de vários anos de conflito, acabando os cónios por se estabelecer a sul do Tejo.
- 1200 a.C. , chegam os fenícios, e mais tarde os gregos. Ensinam a sua escrita e modo de vida aos Tartessos, mas encontram os Cónios já com uma escrita própria.
Ora, para quem não sabe, a escrita Cónia ou escrita do Sudoeste é ainda hoje um mistério por desvendar. Partilha alguns dos símbolos fenícios e apenas se conhece o significado de alguns (dos cerca de 60) caracteres. É uma escrita composta por vogais, consoantes, e sílabas. Ou seja, existem caracteres para vogais e consoantes como no alfabeto, mas existem também caracteres para sílabas ou sons inteiros. Isto, aliado ao facto de não existir espaçamento entre palavras torna-a extremamente difícil de decifrar.
A primeira aproximação dos linguistas quanto encontraram escrita Cónia foi traduzir como se de fenício se tratasse, mas há um detalhe importante: A escrita do sudoeste é anterior a qualquer contacto com os fenícios, e logo, este modo de tradução falhou. Passou-se depois para os caracteres mais repetidos, e aí se chegou a um conjunto de glifos que apareciam repetidos em lajes fúnebres (possivelmente algo como "R.I.P"., ou "aqui jaz fulano tal"), mas também o som de "-ipo, -oba, e -uba", presentes em "Olissipo"(Lisboa), "Ossonoba"(Faro) e "Corduba".
Quase tudo o resto é ainda mistério. Se alguem tiver aí um algoritmo xpto, esteja à vontade:
2012-08-06
Kirk, Picard or Adama
Ah, a questão que tira o sono a milhares de geeks pelo mundo fora, Kirk ou Picard? E desde B. Galactica, Adama. Deixo então este post detalhado em aberto para linkarem aos vossos amigos geeks e para se chegar a uma conclusão.
Kirk:
Picard:
Adama:
Grandes dotes de, hum... Grandes sim, dotes. Dotes.
Enfim, sei que vai ser discussão acesa e fonte de muitas pageviews a este blog, tentem manter o civismo.
Kirk:
Captain Kirk, mais conhecido como pai do infame darth vader, é dos mais conhecidos capitães do universo star trek. Famoso pelos seus golpes de kung fu e pelo seu ajudante Spok.
Picard:
O grande concorrente contra o Kirk. Morreu e voltou de novo à vida na segunda season de harry potter, conhecido pelo sua mente estratégica. Fez de captain xavier nos X-men.
Adama:
Grandes dotes de, hum... Grandes sim, dotes. Dotes.
Enfim, sei que vai ser discussão acesa e fonte de muitas pageviews a este blog, tentem manter o civismo.
2012-07-30
Código fascinante
Antes de mais nada, deixem-me dizer-vos que estou uns dias em Portugal. Também tenho direito a férias.
Agora, o sumo da questão. Ontem, um grande amigo meu, que eu já não via há sete meses, perguntou-me qual era o meu fascínio por programar. E digam lá que não é uma questão interessante?
Na altura, disse-lhe que é porque tenho um certo complexo de Deus. Ele, que também cresceu, como nós, com jogos de computador, compreende bem que os jogos constituem uma realidade alternativa, que, se não é exactamente tão real como a "nossa", é, pelo menos, igualmente gratificante. Ora, na qualidade e programador, nessas diversas realidades, somos deuses. Quando não, considerem o seguinte: se, neste exacto momento, vos entrasse, digamos, um hydralisk pela casa adentro, atrevo-me a dizer que estáveis feitos ao bife (e, brevemente, feitos em bifes. E costeletas. E lombo. E iscas de fígado). Mas os hydralisks não existem na mesma medida em que nós existimos. Por outro lado, enquanto programadores, não só não temos nada a temer de um hydralisk (enquanto ele esteja alegremente a devorar Marines e nós do outro lado do écran) como também somos capazes de definir não só as propriedades mas também o comportamento do hydralisk. E, convenhamos, o hydralisk é uma criatura imponente, mas completamente subjugado à nossa vontade. Power Trip!
Mas enfim, esta foi a minha resposta. Agora, gostava é de saber as vossas respostas. E claro que não me esqueci que nem todos os participantes e autores deste blog são programadores (ou principalmente programadores), mas tenho cá para mim que a maior parte tem, pelo menos, pus bocadinho de experiência a programar.
Finalmente, se, de facto, um hydralisk vos entrar pela casa adentro, provavelmente o melhor é pararem de fumar essas cenas...
Paz vobiscum ataque vale.
Agora, o sumo da questão. Ontem, um grande amigo meu, que eu já não via há sete meses, perguntou-me qual era o meu fascínio por programar. E digam lá que não é uma questão interessante?
Na altura, disse-lhe que é porque tenho um certo complexo de Deus. Ele, que também cresceu, como nós, com jogos de computador, compreende bem que os jogos constituem uma realidade alternativa, que, se não é exactamente tão real como a "nossa", é, pelo menos, igualmente gratificante. Ora, na qualidade e programador, nessas diversas realidades, somos deuses. Quando não, considerem o seguinte: se, neste exacto momento, vos entrasse, digamos, um hydralisk pela casa adentro, atrevo-me a dizer que estáveis feitos ao bife (e, brevemente, feitos em bifes. E costeletas. E lombo. E iscas de fígado). Mas os hydralisks não existem na mesma medida em que nós existimos. Por outro lado, enquanto programadores, não só não temos nada a temer de um hydralisk (enquanto ele esteja alegremente a devorar Marines e nós do outro lado do écran) como também somos capazes de definir não só as propriedades mas também o comportamento do hydralisk. E, convenhamos, o hydralisk é uma criatura imponente, mas completamente subjugado à nossa vontade. Power Trip!
Mas enfim, esta foi a minha resposta. Agora, gostava é de saber as vossas respostas. E claro que não me esqueci que nem todos os participantes e autores deste blog são programadores (ou principalmente programadores), mas tenho cá para mim que a maior parte tem, pelo menos, pus bocadinho de experiência a programar.
Finalmente, se, de facto, um hydralisk vos entrar pela casa adentro, provavelmente o melhor é pararem de fumar essas cenas...
Paz vobiscum ataque vale.
2012-07-20
De Bastardos e Freiras, o outro lado de Afonso de Portugal
O assunto que vos trago aqui hoje não é de todo pacífico, nem confortável.
Como todos já sabem, D. Afonso Henrique (que discuto mais aqui) lutou toda a sua vida contra os mouros (e reis católicos!), casou com D. Mafalda de Saboia, e teve como filho D. Sancho I, segundo rei de Portugal. Linear, Certo?
Não é bem. D. Afonso foi também muito provavelmente dos mais tempestuosos Reis Portugueses. Habituado a que sua palavra fosse lei, acima até da voz de qualquer clero (ou papa, ele próprio se declara rei antes de ordem papal), Afonso raramente admite ser contrariado, e não ficou propriamente conhecido por seu bom humor ou disposição.
Afonso casa com Mafalda aos 36 anos de idade, uma idade bastante avançada para o primeiro casamento real, mas isto não quer dizer que se tenha mantido "ocioso" até essa data. O grande amor da vida de Afonso foi provavelmente Chamoa Gomes, sobrinha de Fernão Peres de Trava, este por sua vez amante e companheiro de D. Teresa (Mãe de D. Afonso Henriques) e conde Galego.
Chamoa Gomes tinha portanto sangue nobre, e ligações até com a Galiza, terras desde cedo cobiçadas por Afonso. Mas Chamoa tinha também um (ou vários problemas). Casa com Paio Soares, de quem tem 3 filhos e enviuva, Chamoa decide tornar-se Freira, é quando já é freira que tem um filho de Mem Rodrigues de Tougues. Chega-nos até nós hoje que sua alcunha era de "loba", não sei se por ter fama de "devorar" homens naquela época, mas estou mais inclinado para a malícia do clero da época que tinha muito contra Chamoa, mas já volto a este ponto.
É portanto Chamoa Gomes Freira no convento benedito de Vairão quando conhece D. Afonso. Bom, os detalhes não posso contar, mas tudo aparenta que o caso entre os dois tenha sido tórrido, tanto que entre 1135 e 1140 Afonso é pai por duas vezes.
Sim Chamoa Gomes dá ao futuro rei de Portugal os seus primeiros dois filhos: Fernando Afonso e Pedro Afonso....
O que se passou então? Se a paixão era tanta, porque não se casa Afonso com Chamoa, de quem tem inclusive 2 saudáveis filhos? Pressão política? Duvido, Afonso não respondia a nenhum outro nobre. Pressão religiosa? Quem no clero ousava pressionar o rei que depôs o bispo de Coimbra e o substituiu por um mouro?
Deixo a pergunta a "marinar", mas a minha teoria vai não para pressão política ou religiosa mas para o próprio D. Afonso. É claro, Afonso podia ser tempestuoso, a até mesmo adorar Chamoa, mas Afonso não era sem visão e Chamoa Gomes era como eu disse sobrinha do "padrasto" de D. Afonso Henriques, o que os faria de primos(não de sangue, mas primos na mesma) aos olhos de algum clero mais ligado a Espanha. Casamentos entre primos era motivo comum na época para excomungar (gravíssimo!), mas não só, caso Afonso fosse ter um "acidente", a nobreza ligada à sua Mãe e a Fernão Peres rapidamente tomariam controlo dos dois pequenos infantes, invocando laços de sangue, e unindo Galiza ao Condado Portucalense, com o detalhe de ter sede em Espanha.
E seria mesmo uma freira (ou ex freira) como rainha, e dois filhos ilegítimos com uma linha de sucessão bastante frágil que D. Afonso tinha envisionado para o futuro do Reino de Portugal? Certamente que não, e caso tivesse acontecido certamente o Reino tinha caído em guerra civil pouco depois da morte de Afonso.
Mafalda de Saboia, de famílias ricas Italianas-Francesas é sugerida então como um bom casamento a Afonso, casamentos este que é consumado em 1146, quando Fernando Afonso tem 11 anos, e Pedro Afonso 6.
Tristemente, os próximos anos não são bons para o casal. O seu primeiro filho, Henrique Afonso, morre em criança, o segundo filho, uma menina, acaba por falecer também, o terceiro, uma menina também, e foi só ao quarto filho do casal que nasce D. Sancho. O casamento também não é feliz, Mafalda acusava Afonso de infidelidade (talvez com Chamoa ainda?) e acabar por morrer, aos 32 anos de idade.
Mas o que aconteceu aos primeiros filhos de D. Afonso Henriques?
O mais novo, Pedro Afonso, torna-se o primeiro mestre da ordem militar de Avis, e pouco mais chega aos nossos dias de sua vida.
Fernando Afonso, o primeiro filho de Afonso, serviu primeiro como Alferes mor do reino, e foi mais tarde participar na 4ª cruzada. Já na terra santa, foi nomeado Grão mestre da ordem dos cavaleiros hospitalários (cargo de grande poder e influência), mas foi forçado a abdicar 4 anos depois por motivos desconhecidos e volta a Portugal, onde morre em circunstâncias... digamos, pouco claras. É sepultado em Santarém, e no seu jazigo pode-se ler:
“Quem quer que sejas tu, sujeito à morte, lê e chora. Sou o que tu serás, já fui o que tu és. Peço-te que rezes por mim”.
Como todos já sabem, D. Afonso Henrique (que discuto mais aqui) lutou toda a sua vida contra os mouros (e reis católicos!), casou com D. Mafalda de Saboia, e teve como filho D. Sancho I, segundo rei de Portugal. Linear, Certo?
Não é bem. D. Afonso foi também muito provavelmente dos mais tempestuosos Reis Portugueses. Habituado a que sua palavra fosse lei, acima até da voz de qualquer clero (ou papa, ele próprio se declara rei antes de ordem papal), Afonso raramente admite ser contrariado, e não ficou propriamente conhecido por seu bom humor ou disposição.
Afonso casa com Mafalda aos 36 anos de idade, uma idade bastante avançada para o primeiro casamento real, mas isto não quer dizer que se tenha mantido "ocioso" até essa data. O grande amor da vida de Afonso foi provavelmente Chamoa Gomes, sobrinha de Fernão Peres de Trava, este por sua vez amante e companheiro de D. Teresa (Mãe de D. Afonso Henriques) e conde Galego.
Chamoa Gomes tinha portanto sangue nobre, e ligações até com a Galiza, terras desde cedo cobiçadas por Afonso. Mas Chamoa tinha também um (ou vários problemas). Casa com Paio Soares, de quem tem 3 filhos e enviuva, Chamoa decide tornar-se Freira, é quando já é freira que tem um filho de Mem Rodrigues de Tougues. Chega-nos até nós hoje que sua alcunha era de "loba", não sei se por ter fama de "devorar" homens naquela época, mas estou mais inclinado para a malícia do clero da época que tinha muito contra Chamoa, mas já volto a este ponto.
É portanto Chamoa Gomes Freira no convento benedito de Vairão quando conhece D. Afonso. Bom, os detalhes não posso contar, mas tudo aparenta que o caso entre os dois tenha sido tórrido, tanto que entre 1135 e 1140 Afonso é pai por duas vezes.
Sim Chamoa Gomes dá ao futuro rei de Portugal os seus primeiros dois filhos: Fernando Afonso e Pedro Afonso....
O que se passou então? Se a paixão era tanta, porque não se casa Afonso com Chamoa, de quem tem inclusive 2 saudáveis filhos? Pressão política? Duvido, Afonso não respondia a nenhum outro nobre. Pressão religiosa? Quem no clero ousava pressionar o rei que depôs o bispo de Coimbra e o substituiu por um mouro?
Deixo a pergunta a "marinar", mas a minha teoria vai não para pressão política ou religiosa mas para o próprio D. Afonso. É claro, Afonso podia ser tempestuoso, a até mesmo adorar Chamoa, mas Afonso não era sem visão e Chamoa Gomes era como eu disse sobrinha do "padrasto" de D. Afonso Henriques, o que os faria de primos(não de sangue, mas primos na mesma) aos olhos de algum clero mais ligado a Espanha. Casamentos entre primos era motivo comum na época para excomungar (gravíssimo!), mas não só, caso Afonso fosse ter um "acidente", a nobreza ligada à sua Mãe e a Fernão Peres rapidamente tomariam controlo dos dois pequenos infantes, invocando laços de sangue, e unindo Galiza ao Condado Portucalense, com o detalhe de ter sede em Espanha.
E seria mesmo uma freira (ou ex freira) como rainha, e dois filhos ilegítimos com uma linha de sucessão bastante frágil que D. Afonso tinha envisionado para o futuro do Reino de Portugal? Certamente que não, e caso tivesse acontecido certamente o Reino tinha caído em guerra civil pouco depois da morte de Afonso.
Mafalda de Saboia, de famílias ricas Italianas-Francesas é sugerida então como um bom casamento a Afonso, casamentos este que é consumado em 1146, quando Fernando Afonso tem 11 anos, e Pedro Afonso 6.
Tristemente, os próximos anos não são bons para o casal. O seu primeiro filho, Henrique Afonso, morre em criança, o segundo filho, uma menina, acaba por falecer também, o terceiro, uma menina também, e foi só ao quarto filho do casal que nasce D. Sancho. O casamento também não é feliz, Mafalda acusava Afonso de infidelidade (talvez com Chamoa ainda?) e acabar por morrer, aos 32 anos de idade.
Mas o que aconteceu aos primeiros filhos de D. Afonso Henriques?
O mais novo, Pedro Afonso, torna-se o primeiro mestre da ordem militar de Avis, e pouco mais chega aos nossos dias de sua vida.
Fernando Afonso, o primeiro filho de Afonso, serviu primeiro como Alferes mor do reino, e foi mais tarde participar na 4ª cruzada. Já na terra santa, foi nomeado Grão mestre da ordem dos cavaleiros hospitalários (cargo de grande poder e influência), mas foi forçado a abdicar 4 anos depois por motivos desconhecidos e volta a Portugal, onde morre em circunstâncias... digamos, pouco claras. É sepultado em Santarém, e no seu jazigo pode-se ler:
“Quem quer que sejas tu, sujeito à morte, lê e chora. Sou o que tu serás, já fui o que tu és. Peço-te que rezes por mim”.
2012-07-14
Prólogo I – A queda da Roma Antiga.
Visto que o Peres puxou o assunto do défice em Portugal, através do artigo
Grandes Economistas e como hoje não me apeteceu dedicar tempo para o trabalho
do IT (que está sempre em atraso), decidi finalmente escrever alguma coisa de
jeito para este nosso blog.
Falar do futuro ou do que irá acontecer é sempre um tema… subjectivo,
senão mesmo “mayano” e quando se fala sobre a Economia Europeia, pior ainda.
Dependendo com quem se falar, se perguntarmos a alguém se acha que o problema
da Dívida Europeia se irá resolver, poderemos obter respostas como “O que é
isso?”, que representa a resposta de quem está a leste deste mundo e por isso
nem conta para as estatísticas, “Tudo se irá resolver com medidas de
austeridade e esforço do cidadão europeu comum”, que representa a visão do
político optimista ignorante que não quer perceber que austeridade só pode ser
aplicada até certo ponto (ver Curva de Laffer),
“Vai ser o fim do mundo. Estamos condenados, vamos voltar à idade da Pedra”,
que representa a visão do Pessimista que espalha o seu pessimismo mas sem
perceber do que está a dizer e deve ser ignorado quando observado e por fim,
“Muito provavelmente o Euro está condenado a não ser que inflacionem a moeda
através da impressão épica de notas” o que representa uma visão muito realista
do que poderá vir a acontecer. Não só esta é a minha posição como também vou
explicar o porquê de a apoiar.
Prólogo I – A queda da Roma Antiga.
Muitos de nós lembram-se certamente de aprender nas aulas de História
do ensino básico, algumas das causas da queda da Roma Antiga. Eu lembro-me
perfeitamente de a minha professora de História, focar-se mais nas invasões
bárbaras como a principal causa para a queda do império e também, como o alargamento
e extensão das defesas do mesmo, no entanto, eu prefiro focar-me noutro aspecto
muitas vezes esquecido mas que para mim, considero que tenha sido o golpe
fatal, a questão político-económica.
A divisão do Império
O declínio começou por volta de 140 AD. Guerras civis, ataques
constantes por parte das tribos germânicas Godos e Vândalos, enfraqueceram o
Império tendo por consequência, sido perdido o apoio na própria lei Romana.
O Império romano estava espalhado por toda a Europa Ocidental, onde
dentro da própria máquina militar, havia diversas e diferentes opiniões sobre o
que é que o Imperador haveria de ser, culminando com cada um dos exércitos que
compunha a máquina militar romana, a empurrar o seu próprio “candidato” para
Imperador e envolvendo-se em batalhas para colocar o seu representante no
lugar. Entre 211AD e 284AD, existiram 23 “imperadores-soldados”, todos depostos
por rivais!
Para consolidar um império deste tamanho, era necessária uma forte
máquina militar, bem gerida e mantida sob controlo, onde significa que seria
necessário um controlo muito apertado dos gastos financeiros ou seja, da Dívida!
A desvalorização do Denário
Para aumentar o financiamento da máquina militar romana, era necessário
obviamente aumentar os recursos financeiros do Império e para tal, existiam
várias hipóteses tais como, aumento de impostos, aumento de receitas ou
desvalorização da moeda. Para que se conseguisse aumentar as receitas naquele
tempo, teriam que se aumentar as exportações para fora do Império, o que se
tornava complicado visto que este mesmo estava sob ataque de todas as direções.
Diversos foram os imperadores que optaram pela via mais fácil com sucessivas desvalorizações
da moeda ao longo de décadas! Visto que naquela altura, só se vivia cerca de 40
anos, seria normal não perceberem os efeitos a longo prazo, sendo preferível “chutar
a lata” para a frente, para que quem venha a seguir, resolva o problema.
O Denário, era uma moeda de prata de aproximadamente 4,5 gramas de
prata, usada em transações comerciais de baixo custo, ou seja, para as compras
do dia-a-dia, para pagamentos de ordenados enfim, para a economia das massas, onde
para compras de altos valores, era usado o Áureo, uma moeda de Ouro, feita de aproximadamente
8 gramas de ouro (1/40 da libra romana) que fora padronizado por Cesar.
O Denário já ao longo de 2 séculos viria a ser constantemente
desvalorizado para o sustento da máquina de guerra do império e para o próprio sustento
da podridão de Roma! Como é que se desvaloriza uma moeda deste tipo? Simples,
reduz-se a quantidade de prata que nela existe, substituindo por outro metal,
um núcleo de ferro por exemplo. Mesmo o Áureo fora desvalorizado no tempo de
Nero, passando a conter apenas 1/45 libras romanas de ouro.
Esta moeda, literalmente indexada à prata, era a espinha dorsal da economia
Romana! Os cidadãos Romanos que ganhavam o seu ordenado em Ouro eram raros,
sendo que a grande maioria recebia e fazia a sua vida regular com Denários.
A desvalorização do Denário mostrou-se fatal. No final do Império de Marcus
Aurelius Valerius Claudius Augustus, o Denário estaria já a sofrer uma hiperinflacção
que viria a destruir a economia romana, visto que a moeda em si pouquíssimo valor
teria, lançando o Caos Económico por toda a Roma Antiga. Os cidadãos romanos
que ainda possuíam ouro sob forma de Áureos, ainda se conseguiram safar,
ficando para trás todos os que optavam pelo Denário, tendo sido lançados para a
pobreza e a miséria, por não terem uma moeda para representar o seu verdadeiro
esforço de trabalho acumulado.
Sem uma moeda como o Denário para suportar a economia de massa do
Império Romano, não haveria forma de suportar a máquina militar romana ou de
evitar o desmantelamento da mesma. Deserções no seio militar, guerras internas
de poder, ataques militares externos, enfim, estava constituída a tempestade
perfeita.
Engraçado como os tempos de hoje (União Europeia e Euro) parecem
orientar pelo mesmo caminho. Mais tarde, irei (tentar) publicar as minhas
opiniões sobre isto.
2012-07-12
Jovem, queres usar DLL em Java?
Também tu podes agora usar DLL em Java sem teres de tirar um curso em JNI (e andares a "contar" ponteiros, e sem teres suores cada vez que há um erro - que tu culpas logo no programador de C do outro lado da barricada claro).
Yep, resumindo, JNI é uma dor de usar, e os problemas são tantos que nem vale a pena o esforço. Logo, e para responder ao título do post, recomendo vivamente JNA. Estupidamente fácil de usar, estupidamente sólido, e quando há problemas, sabes logo se é do teu lado (duh!) ou do lado de quem fez o DLL (duh!). Aliás, chega ao ponto do estupidamente fácil que tu:
Lembra-te apenas que quando no header do DLL vires char, char* ou void* tens de ter o cuidado de colocar o correspondente tipo de váriável correcto. Neste caso char - byte, char* - String, void* - Pointer.
EDIT by Pedro: editado HTML para permitir linewrap. Blogger, eu ter de ir mexer no HTML do post para o o linewrap acontecer é, bem, um bocado parvo!
Yep, resumindo, JNI é uma dor de usar, e os problemas são tantos que nem vale a pena o esforço. Logo, e para responder ao título do post, recomendo vivamente JNA. Estupidamente fácil de usar, estupidamente sólido, e quando há problemas, sabes logo se é do teu lado (duh!) ou do lado de quem fez o DLL (duh!). Aliás, chega ao ponto do estupidamente fácil que tu:
- Public Interface OmeuDLL extends Library{
- OmeuDLL INSTANCE = (OmeuDLL) Native.loadLibrary("OmeuDLL")
E quando o queres usar:
- OmeuDLL xpto = OmeuDLL.INSTANCE
- xpto.asfuncoesdogajodeC();
- xpto.loleleusaponteiros(lol);
EDIT by Pedro: editado HTML para permitir linewrap. Blogger, eu ter de ir mexer no HTML do post para o o linewrap acontecer é, bem, um bocado parvo!
2012-07-04
Ex.mo Sr. Dr. Eng. Prof. Min. Relvas
1984 - Inscrição no Curso de Direito na Universidade livre, onde completou 1(UMA) cadeira
1985- Pede mudança para curso de história, onde completa 0 cadeiras
1995 - Inscrição no Curso de Relações Internacionais, onde completa 0 cadeiras
2006 - Inscrição no curso de Ciência política na Lusófona, que completa em menos de 1 ano (sendo o curso de 3 anos, com 36 cadeiras).
A universidade esclarece que:
...(a) universidade privada analisou o “currículo profissional” de Relvas, bem como a frequência dos “cursos de Direito e História” anos antes... (daí as "equivalências que permitiram acabar o curso)
E numa notícia totalmente não relacionada:
Felciano Barreiras Duarte, actual secretário de Estado de Relvas, era professor do curso de Relvas na Lusófona.
1985- Pede mudança para curso de história, onde completa 0 cadeiras
1995 - Inscrição no Curso de Relações Internacionais, onde completa 0 cadeiras
2006 - Inscrição no curso de Ciência política na Lusófona, que completa em menos de 1 ano (sendo o curso de 3 anos, com 36 cadeiras).
A universidade esclarece que:
...(a) universidade privada analisou o “currículo profissional” de Relvas, bem como a frequência dos “cursos de Direito e História” anos antes... (daí as "equivalências que permitiram acabar o curso)
E numa notícia totalmente não relacionada:
Felciano Barreiras Duarte, actual secretário de Estado de Relvas, era professor do curso de Relvas na Lusófona.
2012-06-30
O Invencível Cruzado da Capa
Recentemente (entenda-se, de 2005 para cá), uma famosíssima personagem de ficção, de quem quase ninguém falava desde 1997, e não sem uma certa dose de razão, voltou à ribalta: falo, naturalmente, do Batman.
Não é que eu seja um perito em banda desenhada, e ainda menos em banda desenhada que já tinha para cima de 40anos quando eu tive a infeliz ideia de nascer, mas todos conhecemos o Batman bem que baste para discutir os sobretons (não sei se existe a palavra. Tentei traduzir "overtones") dominantes da personagem. Sabeis do que eu falo: um vigilante que se leva demasiado a sério, apesar de se vestir de morcego, e que aposta numa imagem aterradora. O resto do ambiente no qual o Batman se insere não é mais alegre: Gotham é uma cidade delapidada, consumida pelo crime e pela corrupção. Se não fosse o panteão de vilões, que inclui indivíduos concebidos durante uma greve de seriedade (vide Joker, Penguin e Riddler, entre outros), as aventuras do Batman tinham menos lugar numa banda desenhada e mais no repertório do Roman Polanski (num dia em que ele estivesse virado para o drama deprimente à la "Ghost Writer", ao invés de "Por Favor, Não Me Morda no Pescoço"). No entanto, o ricaço que sai à noite com metade da cara à mostra e dúzias de Bat-coisas nas bolsas do cinto polula revistas, desenhos animados e filmes para, às vezes maiores de 13.
Sabíeis que, quando se começaram a fazer filmes do Batman, em 1989, a cidade de Gotham foi feita a misturar diferentes estilos de arquitectura de maneira a tornar a cidade feia de propósito? Trago isto à baila porque, em comparação com o Batman bem disposto de certas bandas desenhadas das décadas de 40 e 50 - e, não esquecer, da série de televisão de 1966 com o Sr. Adam West, mais tarde Presidente da Câmara de Quahog - foi esse filme que retomou e reestabeleceu o Batman deprimente, quase cruel que hoje toda a gente reconhece.
Agora vou falar de mim, porque sou eu que estou a escrever (e porque os meus estimados colegas e amigos deixaram passar o meu aniversário sem sequer um "parabéns, pá!" por e-mail. Deixem lá; há sempre para o ano). Eu não gosto particularmente do Batman. Não tenho nada contra ele, não há nada no conceito ou na execução que me repudie - a não ser a meia máscara; é muito mais assustador não se saber rigorosamente nada acerca do homem debaixo da capa que saber que é branco, tem dentes certinhos, não usa barba, tem hálito a hortelã-pimenta e mais a miríade de coisas que se podem discernir acerca do Bruce Wayne só a olhar para o Batman. Mas a pergunta interessante é "porquê"? Eu lembro-me perfeitamente dos desenhos animados do Batman na década de 90, do "Batman Returns" de 1992 (o "Batman Forever" é um bocadinho parvo, e do "Batman & Robin" não tenho mais nada a dizer) e de longas metragens de animação do Batman, mais uma vez, da década de 90, como "The Mask of the Phantasm" de 1993 - que, ainda hoje, acho impecável - ou "Mytstery of the Batwoman", já para não falar dos novos "Batmans" (Batmen?) com o Christian Bale, e há uma coisa que me apraz dizer: adoro a estética do universo Batman. Adoro a ideia de um vigilante que não se ensaia nada a dar aos criminosos razão para fugirem a correr, cheios de medo. Até gosto do facto de o indivíduo andar sempre todo de preto - a parte do tema dominante dos morcegos não me aquece nem me arrefece. Podia dar-lhe para pior. Imaginem que, ao invés de morcegos, o homem tinha uma pancada por sardinhas enlatadas. Posto isso, andar mascarado de morcego até parece razoável. Então por que é que eu não sou maluco pelo Batman?
Antes de continuar, tenho que interludiar uma triologia de albuns de banda desenhada do Batman, cujo título ao certo me escapa, mas que, resumidamente, começa por opor o Batman ao Conde Drácula, passa por transformar o próprio Batman num vampiro - digam lá que não se estava mesmo a ver - e acaba com toda a gente a fazer tijolo. Este bocadinho de Batman é absolutamente brilhate em rigorosamente todos os níveis e recomendo vivamente a toda a gente, incluindo criancinhas que possam ficar quinze dias sem dormir e quinze décadas com medo do escuro e de morcegos.
Voltando ao milionário playboy que divide o seu tempo entre super-heróis e super-vilões, apesar de não ter mais super-poderes que rios de dinheiro e umas engenhocas catitas que ele mesmo - ou a companhia com o nome dele - constrói: o Iron Man é o meu herói favorito. Os de vós que costumam ler o Cracked.com talvez tenham lido este artigo, que justifica a minha opinião.
Mais uma tangente agora, desta vez no mundo dos videojogos: lembrais-vos de um jogo (bastante mau) chamado MK vs DCU (Mortal Konbat versus Detective Comics Universe, para quem não é lá muito versado em abreviaturas)? A premissa deste jogo era que, "ao mesmo tempo" (é ridículo falar de "mesmo tempo" no que toca a universos distintos, já que cada universo tem o seu próprio tempo... provavelmente) que o Raiden atacava com um relâmpago o Shao Kahn, que se preparava para fugir através de um portal interdimensional, o Super Homem atacava com um raio dos olhos o Darkseid, que se preparava para fugir através de um portal criado por um daqueles dispositivos que os senhores da Aperture Science Laboratories constroem - não, espera lá; afinal também era um portal interdimensional. Sucede que os ataques dos heróis desestabilizam os portais dos vilões, que, como é obvio, se fundem num só (tanto os portais como os vilões), e agora que temos desculpa para o Super Homem e o Batman andarem ao estalo com o Sub-Zero e o Scorpion, temos jogo.
Estabelecida esta premissa, e se, numa fusão semelhante o Batman e o Iron Man se juntassem?
Aparentemente, não sou o primeiro a pensar nisso.
Pax vobiscum atque vale.
Não é que eu seja um perito em banda desenhada, e ainda menos em banda desenhada que já tinha para cima de 40anos quando eu tive a infeliz ideia de nascer, mas todos conhecemos o Batman bem que baste para discutir os sobretons (não sei se existe a palavra. Tentei traduzir "overtones") dominantes da personagem. Sabeis do que eu falo: um vigilante que se leva demasiado a sério, apesar de se vestir de morcego, e que aposta numa imagem aterradora. O resto do ambiente no qual o Batman se insere não é mais alegre: Gotham é uma cidade delapidada, consumida pelo crime e pela corrupção. Se não fosse o panteão de vilões, que inclui indivíduos concebidos durante uma greve de seriedade (vide Joker, Penguin e Riddler, entre outros), as aventuras do Batman tinham menos lugar numa banda desenhada e mais no repertório do Roman Polanski (num dia em que ele estivesse virado para o drama deprimente à la "Ghost Writer", ao invés de "Por Favor, Não Me Morda no Pescoço"). No entanto, o ricaço que sai à noite com metade da cara à mostra e dúzias de Bat-coisas nas bolsas do cinto polula revistas, desenhos animados e filmes para, às vezes maiores de 13.
Sabíeis que, quando se começaram a fazer filmes do Batman, em 1989, a cidade de Gotham foi feita a misturar diferentes estilos de arquitectura de maneira a tornar a cidade feia de propósito? Trago isto à baila porque, em comparação com o Batman bem disposto de certas bandas desenhadas das décadas de 40 e 50 - e, não esquecer, da série de televisão de 1966 com o Sr. Adam West, mais tarde Presidente da Câmara de Quahog - foi esse filme que retomou e reestabeleceu o Batman deprimente, quase cruel que hoje toda a gente reconhece.
Agora vou falar de mim, porque sou eu que estou a escrever (e porque os meus estimados colegas e amigos deixaram passar o meu aniversário sem sequer um "parabéns, pá!" por e-mail. Deixem lá; há sempre para o ano). Eu não gosto particularmente do Batman. Não tenho nada contra ele, não há nada no conceito ou na execução que me repudie - a não ser a meia máscara; é muito mais assustador não se saber rigorosamente nada acerca do homem debaixo da capa que saber que é branco, tem dentes certinhos, não usa barba, tem hálito a hortelã-pimenta e mais a miríade de coisas que se podem discernir acerca do Bruce Wayne só a olhar para o Batman. Mas a pergunta interessante é "porquê"? Eu lembro-me perfeitamente dos desenhos animados do Batman na década de 90, do "Batman Returns" de 1992 (o "Batman Forever" é um bocadinho parvo, e do "Batman & Robin" não tenho mais nada a dizer) e de longas metragens de animação do Batman, mais uma vez, da década de 90, como "The Mask of the Phantasm" de 1993 - que, ainda hoje, acho impecável - ou "Mytstery of the Batwoman", já para não falar dos novos "Batmans" (Batmen?) com o Christian Bale, e há uma coisa que me apraz dizer: adoro a estética do universo Batman. Adoro a ideia de um vigilante que não se ensaia nada a dar aos criminosos razão para fugirem a correr, cheios de medo. Até gosto do facto de o indivíduo andar sempre todo de preto - a parte do tema dominante dos morcegos não me aquece nem me arrefece. Podia dar-lhe para pior. Imaginem que, ao invés de morcegos, o homem tinha uma pancada por sardinhas enlatadas. Posto isso, andar mascarado de morcego até parece razoável. Então por que é que eu não sou maluco pelo Batman?
Antes de continuar, tenho que interludiar uma triologia de albuns de banda desenhada do Batman, cujo título ao certo me escapa, mas que, resumidamente, começa por opor o Batman ao Conde Drácula, passa por transformar o próprio Batman num vampiro - digam lá que não se estava mesmo a ver - e acaba com toda a gente a fazer tijolo. Este bocadinho de Batman é absolutamente brilhate em rigorosamente todos os níveis e recomendo vivamente a toda a gente, incluindo criancinhas que possam ficar quinze dias sem dormir e quinze décadas com medo do escuro e de morcegos.
Voltando ao milionário playboy que divide o seu tempo entre super-heróis e super-vilões, apesar de não ter mais super-poderes que rios de dinheiro e umas engenhocas catitas que ele mesmo - ou a companhia com o nome dele - constrói: o Iron Man é o meu herói favorito. Os de vós que costumam ler o Cracked.com talvez tenham lido este artigo, que justifica a minha opinião.
Mais uma tangente agora, desta vez no mundo dos videojogos: lembrais-vos de um jogo (bastante mau) chamado MK vs DCU (Mortal Konbat versus Detective Comics Universe, para quem não é lá muito versado em abreviaturas)? A premissa deste jogo era que, "ao mesmo tempo" (é ridículo falar de "mesmo tempo" no que toca a universos distintos, já que cada universo tem o seu próprio tempo... provavelmente) que o Raiden atacava com um relâmpago o Shao Kahn, que se preparava para fugir através de um portal interdimensional, o Super Homem atacava com um raio dos olhos o Darkseid, que se preparava para fugir através de um portal criado por um daqueles dispositivos que os senhores da Aperture Science Laboratories constroem - não, espera lá; afinal também era um portal interdimensional. Sucede que os ataques dos heróis desestabilizam os portais dos vilões, que, como é obvio, se fundem num só (tanto os portais como os vilões), e agora que temos desculpa para o Super Homem e o Batman andarem ao estalo com o Sub-Zero e o Scorpion, temos jogo.
Estabelecida esta premissa, e se, numa fusão semelhante o Batman e o Iron Man se juntassem?
Aparentemente, não sou o primeiro a pensar nisso.
Pax vobiscum atque vale.
2012-06-29
Grandes Economistas
O défice de Portugal, que este ano não poderia passar de 4,5%, é, no primeiro trimestre do ano, 7,9%.
Recordo que o défice era, em igual período do ano passado de 7,5%.
Isto é, sem palavra melhor no vocabulário Português, uma tragédia. Quer dizer que a austeridade, aumento de impostos (via IRS, quem o paga à mais de 2 anos sabe o agravamento que foi), e corte de subsídios de férias e natal aos funcionários públicos resultou num PIB muito mais baixo do que o aumento de receitas que daí veio. Explico:
Visto que o défice é um índice de dívida em relação ao PIB de um país (Ex: um país gera 100 por ano, e gasta 101, isto é um défice de 1%), este resultado indica que o PIB do país caiu mais em relação ao aumento da receita. Por outras palavras, estamos a sufocar a "galinha dos ovos de ouro", na esperança de enriquecermos.
Na minha opinião, o próximo passo do governo será retirar (por via de imposto extra) o subsídio de natal no sector privado. Isto claro, vai gerar uma série de problemas, pois muita gente recebe os subsídios como duodécimos ao longo do ano, e não vai ter um salário extra para pagar em Dezembro...
A ver o que acontece...
Recordo que o défice era, em igual período do ano passado de 7,5%.
Isto é, sem palavra melhor no vocabulário Português, uma tragédia. Quer dizer que a austeridade, aumento de impostos (via IRS, quem o paga à mais de 2 anos sabe o agravamento que foi), e corte de subsídios de férias e natal aos funcionários públicos resultou num PIB muito mais baixo do que o aumento de receitas que daí veio. Explico:
Visto que o défice é um índice de dívida em relação ao PIB de um país (Ex: um país gera 100 por ano, e gasta 101, isto é um défice de 1%), este resultado indica que o PIB do país caiu mais em relação ao aumento da receita. Por outras palavras, estamos a sufocar a "galinha dos ovos de ouro", na esperança de enriquecermos.
Na minha opinião, o próximo passo do governo será retirar (por via de imposto extra) o subsídio de natal no sector privado. Isto claro, vai gerar uma série de problemas, pois muita gente recebe os subsídios como duodécimos ao longo do ano, e não vai ter um salário extra para pagar em Dezembro...
A ver o que acontece...
2012-06-26
The Matrix vs Dwarf Fortress
Quase toda a gente conhece "The Matrix", pelo menos o primeiro filme. Seres humanos presos num programa de computador, onde ficou famoso o "ecrâ verde" de código Matrix:
O que muita gente não conhece, é Dwarf Fortress. Uma simulação (de anões a viver na sua montanha) com um interface e gráficos simplesmente dolorosos:
É claro, há quem defenda que o "The Matrix" é simplesmente um "tileset" de Dwarf fortress, ou seja, um pack gráfico como esta imagem demonstra:
Acho bastante plausível. Tanto que, na realidade Dwarf Fortress é muito mais complexo do que a Matrix alguma vez poderia ser. Por debaixo dos gráficos horríveis (embora haja "tilesets" que o tornam jogável) está uma simulação complexa, que torna Dwarf Fortress quase impossível de gerir sem aparecer "fun" aos montes.
Na base do jogo estão os Anões. Os Anões são criaturas simples. Apenas necessitam de comida, bebida, e um local com pouca humidade onde passar a noite. Criam-se umas quintas de cogumelos e cevada para se ter a comida e cerveja, escavam-se umas salas (leia-se, buracos), corta-se madeira para fazer umas camas, e tudo parece simples. Mas é claro, esses quartos ficavam mais giros com uma porta (e vou usar pinho ou carvalho?), talvez até um baú, e isto faz com que o Anão fique mais feliz, e trabalhe melhor (cortar madeira, escavar rocha, fazer cerveja, etc). A felicidade global na tua fortaleza depressa atrai imigrantes, e os anões passam de meia dúzia para dúzia e meia. Até temos depois casalinhos de Anões (e Anõas?), que adoptam cachorinhos e gatinhos...
E tudo aumenta de complexidade. Agora já temos pescadores, limpadores de peixe, talhantes, criadores de gado, 3 tipos de cereais para 6 variedades de cervejas, uma fortaleza com 40 andares, 80 quartos, um sistema complexo de bombas que puxa água do rio para o último andar(Dwarf fortress tem um sistema de movimento e pressão de líquidos bastante próximo do real) , onde montámos um hospital com acesso a água corrente, um esquadrão de 10 anões militares.... ah, a vida é boa.
E é mais ou menos quando tudo está a parecer bom demais que acontece. Por vezes é um clique errado, que faz com que um Anão puxe a alavanca errada (aquela que dizia "puxar apenas se o mundo estiver a acabar") e acabamos por inundar metade da fortaleza, ou então é um acidente de caça, onde o caçador matou por acaso o cão do lenhador, lenhador esse que mata 5 anões num espiral de ira, famílias desses 5 anões que entram em depressão e se recusam a apanhar cereal para fazer cerveja, falta dessa cerveja que faz com o resto da fortaleza entre em guerra civil para ver quem se apodera dos últimos 5 barris de cerveja...
E depois temos também os cercos à fortaleza, armadilhas complexas (placas de pressão, que abrem comportas, que inundam a área de lava, lava esta que quando aquece uma placa de contacto, abre a porta do "jardim zoológico" que tens estado a montar para gerar uma confusão de animais selvagens, lava e invasores), anões megalómanos (que pedem, por exemplo, um quarto enfeitado a ouro e pedras preciosas), espirais de ira, suicídios em massa a muito muito mais!
O que muita gente não conhece, é Dwarf Fortress. Uma simulação (de anões a viver na sua montanha) com um interface e gráficos simplesmente dolorosos:
É claro, há quem defenda que o "The Matrix" é simplesmente um "tileset" de Dwarf fortress, ou seja, um pack gráfico como esta imagem demonstra:
Na base do jogo estão os Anões. Os Anões são criaturas simples. Apenas necessitam de comida, bebida, e um local com pouca humidade onde passar a noite. Criam-se umas quintas de cogumelos e cevada para se ter a comida e cerveja, escavam-se umas salas (leia-se, buracos), corta-se madeira para fazer umas camas, e tudo parece simples. Mas é claro, esses quartos ficavam mais giros com uma porta (e vou usar pinho ou carvalho?), talvez até um baú, e isto faz com que o Anão fique mais feliz, e trabalhe melhor (cortar madeira, escavar rocha, fazer cerveja, etc). A felicidade global na tua fortaleza depressa atrai imigrantes, e os anões passam de meia dúzia para dúzia e meia. Até temos depois casalinhos de Anões (e Anõas?), que adoptam cachorinhos e gatinhos...
E tudo aumenta de complexidade. Agora já temos pescadores, limpadores de peixe, talhantes, criadores de gado, 3 tipos de cereais para 6 variedades de cervejas, uma fortaleza com 40 andares, 80 quartos, um sistema complexo de bombas que puxa água do rio para o último andar(Dwarf fortress tem um sistema de movimento e pressão de líquidos bastante próximo do real) , onde montámos um hospital com acesso a água corrente, um esquadrão de 10 anões militares.... ah, a vida é boa.
E é mais ou menos quando tudo está a parecer bom demais que acontece. Por vezes é um clique errado, que faz com que um Anão puxe a alavanca errada (aquela que dizia "puxar apenas se o mundo estiver a acabar") e acabamos por inundar metade da fortaleza, ou então é um acidente de caça, onde o caçador matou por acaso o cão do lenhador, lenhador esse que mata 5 anões num espiral de ira, famílias desses 5 anões que entram em depressão e se recusam a apanhar cereal para fazer cerveja, falta dessa cerveja que faz com o resto da fortaleza entre em guerra civil para ver quem se apodera dos últimos 5 barris de cerveja...
E depois temos também os cercos à fortaleza, armadilhas complexas (placas de pressão, que abrem comportas, que inundam a área de lava, lava esta que quando aquece uma placa de contacto, abre a porta do "jardim zoológico" que tens estado a montar para gerar uma confusão de animais selvagens, lava e invasores), anões megalómanos (que pedem, por exemplo, um quarto enfeitado a ouro e pedras preciosas), espirais de ira, suicídios em massa a muito muito mais!
2012-06-21
Portas e probabilidades
Não, hoje não é acerca do Paulo Portas. Fica para outro dia.
Portanto, imaginem vossas excelências, que jogais num concurso, no desfecho do qual o apresentador vos mostra três (3) portas e anuncia que atrás de uma delas está o prémio (um carro, umas férias, dinheiro, o conteúdo da mala do "Pulp Fiction"... o que quiserdes).
Eis que vos é pedido que escolheis uma porta. Feita a vossa escolha, mas antes que seja revelado se escolhestes bem, o apresentador abre uma das outras portas e constatais que, atrás da porta que ele abriu, não há nada. Posto isto, é-vos feita a seguinte oferta: quereis mudar de opinião e tomar antes como escolhida a porta que nem escolhestes antes nem ainda foi aberta?
Contaram-me este cenário hoje ao almoço e, aparentemente, é vantajoso trocar. Alguém é capaz de me explicar porquê?
Eis que vos é pedido que escolheis uma porta. Feita a vossa escolha, mas antes que seja revelado se escolhestes bem, o apresentador abre uma das outras portas e constatais que, atrás da porta que ele abriu, não há nada. Posto isto, é-vos feita a seguinte oferta: quereis mudar de opinião e tomar antes como escolhida a porta que nem escolhestes antes nem ainda foi aberta?
Contaram-me este cenário hoje ao almoço e, aparentemente, é vantajoso trocar. Alguém é capaz de me explicar porquê?
2012-06-18
Big Latvia austerity. Sucess!
Como o título diz. Um exemplo a seguir.
2012-06-12
Preparação pro Futebol
Coisas que ajudam um gajo preparar-se pra jogar fute (hah, tavam à espera que fosse uma lista de itens a ter à mão ao visualizar um jogo?):
Posto isto, vou fazer estas coisas, porque FUTEBOL!
P.S.: "atualizar" no meu blogger? GTFO!
- Comer qualquer coisa para dar alguma energia e para alimentar os músculos. Bananas são fantásticas porque ajudam a combater as cãibras (para minha grande vergonha, tive que ir ver ao dicionário como se escrevia cãibra...). Atum ajuda no desenvolvimento dos músculos.
- HYDRATE OR DIE aka beber bastante água ou sumo. Também ajuda a evitar cãibras. E o açúcar do sumo dá-te alguma energia.
- Cortar as unhas. Seriously! Unhas partidas, unhas a crescer por baixo doutras unhas, unhas arrancadas e outras histórias de horror com as extremidades dos pés (e às vezes das mãos!).
- Mandar um cagalhão. Isto é fundamental. Pra já, porque não há pior sensação que estar a meio do jogo e de repente os intestinos viram-se pra ti "sup bro, temos que ir cagar. Agora." Para além de se evitar uma situação potencialmente embaraçante (ya, eu acabei de usar esta palavra, deal with it), um gajo sente-se tão mais leve e rápido, e o controlo da bola deixa de ser difícil (tenta conter-te enquanto corres e páras como um louco e ainda te acontece isto).
- Fazer aquecimento. Correr um pouco, esticar os músculos e mexer as junções (no meu caso os tornozelos). Possivelmente usar estas cenas cujo nome em português desconheço. Hoje vou experimentar não usar. Amanhã sou capaz de estar bastante mal disposto.
Posto isto, vou fazer estas coisas, porque FUTEBOL!
P.S.: "atualizar" no meu blogger? GTFO!
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