2013-09-30

WW2 - Operação "Barba Rija" - Frente Norte - 22 a 30 de Junho 1941

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Intro

Os objectivos traçados pelo comando Alemão são tudo menos modestos.
Até à chegada das primeira chuvas de Outono, tenho de ocupar Leningrado a Norte, Moscovo no Centro, e Estalingrado no Sul. Temos então a frente divida em 3, Frente Norte (FN), Centro (FC) e Sul (FS).

A distância de cada frente até ao objetivo final pode então servir de "barra de progresso":
FN - 718km até ao objectivo
FC - 932km até ao objectivo
FS - 1491km até ao objectivo

Estamos a 22 Junho 1941. 03:00 da manhã e cerca de 500 bombardeiros, 280 stukas e 500 caças alemães atingem as bases aéras soviéticas. Consigo destruir mais de 2500 aviões antes do sol nascer, perdendo pouco mais de 120. Espero conseguir supremacia aérea total durante as primeiras semanas.


Perto das 07:00, a artilharia começa a ser ouvida. 3800 panzer, 32 mil peças de artilharia e 3.3 milhões de soldados atacam de surpresa o gigante soviético. 

A norte, o objectivo final é Leningrado. Até lá, tenho de tomar Riga, Pskov e Novgorod (assinalados no mapa), sendo estas cidades vitais para servirem de "catapulta" para a minha logística conseguir enviar combustível, munição e comida até à frente de combate.

(clicar na imagem para ZOOM)


O ataque de surpresa é super bem sucedido. Consigo atravessar o rio Daugava na primeira semana com as 3 divisões panzer que disponho na frente norte. Grande parte dos Panzer nestas 3 divisões são os Panzer 38(t). Pequeno e fiável, faz com que eles seja a escolha ideal para as zonas florestadas ou pantanosas que vou encontrar nesta frente.


A infantaria motorizada fica ligeiramente atrás, para garantir que as rotas logísticas continua abertas e não há surpresas (o "canal" aberto pelo push panzer que vêm no screenshot abaixo é de mais de 50km de largura). Com os panzer a norte do rio vou conseguir isolar Riga (no topo centro da imagem) rapidamente, e assim que a primeira infantaria chegar à cidade já ela estará com 1 ou 2 semanas de cerco e fome em cima. Objectivo será então tomar Riga com a infantaria, e tentar um rush com as divisões panzer até Pskov, aproveitando enquanto os soviético estão desorganizados.

(clicar na imagem para ZOOM)


2013-09-28

WW2 - Operação "Barba Rija" - Intro

Estou a (re)jogar Gary Grigsy War in the East, um simulador estretégico da frente soviética - 41 a 45
É um dos chamados jogos de "barba rija", "hardcore" ou "só para malucos". Sem gráficos de mereçam esse nome, com uma data de estatísticas e detalhes que vai quase ao detalhe de que par de meias o "Fritz" estava a usar a 21 de Janeiro de 1942 às 14:20.



Não vos vou claro chatear com esse nível de detalhe. Vou sim tentar dar uma visão global do que se passa, jogando pelo lado Alemão.

Antes de mais, uma pequena intro do que é que exactamente vão estar a ver nos screenshots.

Divisão de Infantaria (aka, o envelope) 
Este símbolo representa uma divisão de infantaria, que no ínício do jogo para a Alemanha representa cerca de 16 mil(!) soldados, e cerca de 200 peças de artilharia de vário calibre. Os números que vêm em todas as "peças" significam sempre o mesmo. O primeiro número (neste caso, o 13) é uma estimativa do poder de combate desta unidade, e o segundo a capacidade de movimento (neste caso, 16).


Divisão de Infantaria Motorizada (aka, envelope com pontinhos!)
Basicamente, uma divisão de infantaria sobre rodas. Toda ela motorizada, incluindo as peças de artilharia e incluindo algumas baterias AA. Notem a capacidade de combate similar à infantaria, com uma capacidade de movimento muito maior!







Divisão Panzer (aka, ???)
Pequem em unidades de infantaria motorizada, e adicionem de 100 a 250 panzer. Os panzer que existem em cada unidade vão sempre depender de vários factores, como o estado da nossa produção, factores logísticos, etc. O que interessa é que estas unidades são o que melhor a Alemanha tem para oferecer.







Unidades Auxiliares
Há vários tipos de unidades auxiliares. No topo (HQ) unidades de comando, que concentram em si unidades de suporte (artilharia, alguns tanques, sapadores, etc) e que basicamente dão bónus por estarem ao pé da frente de combate. à baixo à direita, unidades de polícia (SEC) que são quem vão manter as cidades conquistadas aos Soviets calminhas. E em baixo à esquerda Bases Aéreas (nesta altura, qualquer pedaço de terra firme e plano servia para um avião de combate levantar voo ou aterar. Só era preciso apoio logístico. Era assim possível manter as Bases Aéreas móveis e sempre perto da frente)








Há mais uma coisita ou outra, mas conforme for relevante, vou falando delas.

2013-09-25

3 Grupos de siglas que não conheço estão a tentar bloquear o Pirate Bay

3 Grupos de siglas que não conheço estão a tentar ter o Pirate Bay (e mais uns quantos) sites bloqueados.

Via exame informatica:
"A FEVIP, GEDIPE e MAPINET vão apresentar um processo no TPI com o objetivo de obrigar os operadores, ISP e outras empresas que providenciam ligações à Net, a aplicarem filtros tecnológicos que impedem o acesso aos sites de partilha e streaming de vídeos mais populares em Portugal. O Pirate Bay é um dos alvos escolhidos. A este nome emblemático da livre partilha de ficheiros deverão juntar-se os sites de conteúdos piratas mais procurados em Portugal. O que, avaliando pelo ranking Alexa, torna os sites Wareztuga, BTNext ou FirstRow em possíveis alvos de bloqueio."

Em outras noticias, a FIVIL, PID e KGB entregaram um ultimato às Estradas de Portugal, obrigando essa empresa a colocar lombas nas auto estradas de modo a qualquer condutor que passe os 120km/h se despiste.

2013-09-12

Carta de Putin aos Americanos, publicada no new York Times

Recent events surrounding Syria have prompted me to speak directly to the American people and their political leaders. It is important to do so at a time of insufficient communication between our societies.
Relations between us have passed through different stages. We stood against each other during the Cold War. But we were also allies once, and defeated the Nazis together. The universal international organisation - the United Nations - was then established to prevent such devastation from ever happening again.
The United Nations' founders understood that decisions affecting war and peace should happen only by consensus, and with America's consent the veto by Security Council permanent members was enshrined in the United Nations Charter. The profound wisdom of this has underpinned the stability of international relations for decades.
No one wants the United Nations to suffer the fate of the League of Nations, which collapsed because it lacked real leverage. This is possible if influential countries bypass the United Nations and take military action without Security Council authorisation.
The potential strike by the United States against Syria, despite strong opposition from many countries and major political and religious leaders, including the Pope, will result in more innocent victims and escalation, potentially spreading the conflict far beyond Syria's borders.
A strike would increase violence and unleash a new wave of terrorism. It could undermine multilateral efforts to resolve the Iranian nuclear problem and the Israeli-Palestinian conflict and further destabilise the Middle East and North Africa. It could throw the entire system of international law and order out of balance.
Syria is not witnessing a battle for democracy, but an armed conflict between government and opposition in a multireligious country. There are few champions of democracy in Syria. But there are more than enough Qaeda fighters and extremists of all stripes battling the government.
The United States State Department has designated Al Nusra Front and the Islamic State of Iraq and the Levant, fighting with the opposition, as terrorist organisations. This internal conflict, fuelled by foreign weapons supplied to the opposition, is one of the bloodiest in the world.
Mercenaries from Arab countries fighting there, and hundreds of militants from Western countries and even Russia, are an issue of our deep concern. Might they not return to our countries with experience acquired in Syria? After all, after fighting in Libya, extremists moved on to Mali. This threatens us all.
From the outset, Russia has advocated peaceful dialogue enabling Syrians to develop a compromise plan for their own future. We are not protecting the Syrian government, but international law. We need to use the United Nations Security Council and believe that preserving law and order in today's complex and turbulent world is one of the few ways to keep international relations from sliding into chaos.
The law is still the law, and we must follow it whether we like it or not. Under current international law, force is permitted only in self-defence or by the decision of the Security Council. Anything else is unacceptable under the United Nations Charter and would constitute an act of aggression.
No one doubts that poison gas was used in Syria. But there is every reason to believe it was used not by the Syrian army, but by opposition forces, to provoke intervention by their powerful foreign patrons, who would be siding with the fundamentalists. Reports that militants are preparing another attack - this time against Israel - cannot be ignored.
It is alarming that military intervention in internal conflicts in foreign countries has become commonplace for the United States. Is it in America's long-term interest? I doubt it. Millions around the world increasingly see America not as a model of democracy but as relying solely on brute force, cobbling coalitions together under the slogan "you're either with us or against us".
But force has proved ineffective and pointless. Afghanistan is reeling, and no one can say what will happen after international forces withdraw. Libya is divided into tribes and clans. In Iraq the civil war continues, with dozens killed each day. In the United States, many draw an analogy between Iraq and Syria, and ask why their government would want to repeat recent mistakes.
No matter how targeted the strikes or how sophisticated the weapons, civilian casualties are inevitable, including the elderly and children, whom the strikes are meant to protect.
The world reacts by asking: if you cannot count on international law, then you must find other ways to ensure your security. Thus a growing number of countries seek to acquire weapons of mass destruction. This is logical: if you have the bomb, no one will touch you. We are left with talk of the need to strengthen non-proliferation, when in reality this is being eroded.
We must stop using the language of force and return to the path of civilised diplomatic and political settlement.
A new opportunity to avoid military action has emerged in the past few days. The United States, Russia and all members of the international community must take advantage of the Syrian government's willingness to place its chemical arsenal under international control for subsequent destruction.
Judging by the statements of President Obama, the United States sees this as an alternative to military action.
I welcome the president's interest in continuing the dialogue with Russia on Syria. We must work together to keep this hope alive, as we agreed to at the Group of 8 meeting in Lough Erne in Northern Ireland in June, and steer the discussion back toward negotiations.
If we can avoid force against Syria, this will improve the atmosphere in international affairs and strengthen mutual trust. It will be our shared success and open the door to cooperation on other critical issues.
My working and personal relationship with President Obama is marked by growing trust. I appreciate this. I carefully studied his address to the nation on Tuesday. And I would rather disagree with a case he made on American exceptionalism, stating that the United States' policy is "what makes America different. It's what makes us exceptional".
It is extremely dangerous to encourage people to see themselves as exceptional, whatever the motivation. There are big countries and small countries, rich and poor, those with long democratic traditions and those still finding their way to democracy. Their policies differ, too. We are all different, but when we ask for the Lord's blessings, we must not forget that God created us equal.

2013-09-09

Saúde em Portugal

Tem-se falado muito nos incêndios e, antes disso, na crise política e, já desde antes disso, na crise financeira. Ainda ninguém se lembrou de falar neste assunto da saúde, o que é estranho, porque, no dia em que alguém se achar doente, ninguém quer saber de quanto vale o Euro face à Libra nem quem é o ministro de tal pasta antes de ir falar com o médico. Há uma história que convém saber-se...

Os meus estimados colegas e amigos decerto não ignoram que, pouco antes do "nosso tempo", havia em Portugal uma atitude vigente de uma certa veneração de "doutores (médicos) e advogados". Criou-se a imagem de que os médicos eram uma classe de pessoas altamente treinadas, muito inteligentes e, sobretudo, que ganhavam rios de dinheiro.

Ora, não esperem que vos venha dizer que os médicos não são altamente treinados, porque é claro que, entre curso, internato e especialização, são altamente treinados.

Igualmente, não esperem que vos venha dizer que não são inteligentes, se bem que, como em qualquer profissão, existe sempre o risco de vos sair na rifa uma besta de proporções bíblicas, mas, em geral, sim, são indivíduos particularmente inteligentes.

A parta da antiga imagem que venho atacar é precisamente a dos "rios de dinheiro". Deixem-me começar por dizer que, noutros tempos, era perfeitamente verdade: os médicos fartavam-se de facturar. Entendam que, contas feitas, um médico, no auge da fortuna da sua classe, ganhava, à hora, menos que um professor do liceu, mas havia uma diferença fundamental: um médico tinha sempre mais possibilidade de trabalhar mais horas extraordinárias que um professor.

Há aqui um factor que ainda não mencionei e que é importante: tenho vindo a falar de médicos "do estado". Por "do estado" quero dizer médicos que tenham celebrado com o estado um contrato de exclusividade, que, se não me engano, surgiu ou em finais da década de 80 ou princípios da década de 90. Este contracto estipulava que, em contrapartida de um salário algo melhor, o médico ficava inibido de trabalhar para clínicas privadas ou por conta própria.

Dados os dois últimos parágrafos, deixem-me descrever-vos a situação do que julgo ser a maioria dos médicos portugueses até aqui há bem pouco tempo: o Sr. Dr. Povinho (sem dúvida parente do Sr. José "Zé" Povinho, de Bordalo Ribeiro) trabalha num Centro de Saúde, onde pratica, por exemplo, medicina familiar, sete horas por dia, seis dias por semana. Finda a hora da consulta, o Dr. Povinho vai trabalhar para as Urgências do hospital mais próximo, onde lida com, dependendo da altura do ano, narizes ranhosos e bêbados com um lenho na cabeça ou constructores civis que tiveram um acidente de trabalho e toxicodependentes em sindroma de abstinência, doze horas por dia, três dias por semana.

Rapidamente concluis que os médicos que se fartavam de ganhar dinheiro também se fartavam de trabalhar. Surgem as medidas de austeridade...

Subitamente, aos médicos que não podem, por contracto, trabalhar senão nas instituições de saúde do estado (nomeadamente, centros de saúde e hospitais) vêm dizer que é ilegal que trabalhem horas extraordinárias num hospital. Acontece que os hospitais agora são empresas de saúde publico-privadas e, como tal, já não caem ao abrigo de "instituições de saúde do estado". As repecussões para os médicos são graves:

- Trabalham menos horas;
- Recebem muito menos dinheiro.

A esta altura sois capazes de estar a pensar, "mas os sacanas dos médicos ganhavam tanto que também não lhes faz mal nenhum ganhar menos". Meus caros, não se trata de um corte no ordenado; trata-se de uma mudança de ordem de grandeza do ordenado. Aliás, o Dr. Povinho, acima referido, não contava grandemente com o ordenado auferido pelas oito horas por dia, cinco dias por semana no Centro de Saúde; tratava-se simplesmente de não poder trabalhar horas extraordinárias sem que primeiro trabalhasse horas ordinárias.

Agora olhai-me seriamente nos olhos e dizei-me que, no lugar do Dr. Povinho, no auge da sua carreira e a ganhar os tão almejados rios de dinheiro, não vos comprometeríeis a gastá-los? A única dúvida que se poria é como os havíeis de gastar. Muita sorte teria o Dr. Povinho se se comprometesse apenas a gastar o seu dinheiro em compras que pudesse pagar de uma assentada, como umas grandes férias, ou um ou outro bem de consumo ou de luxo.

Mas e se o Dr. Povinho tivesse acabado de se divorciar, tivesse um (ou dois) filhos a entrar para a universidade e um carro velho, a dar as últimas? É claro que, à falta de uma casa, um carro e educação superior para os dependentes, o Dr. Povinho se comprometeria a dedicar os seus rios de dinheiro a comprar uma casa, um carro e pagar propinas (e eventuais rendas, e consumos, e comidas, e transportes, e... mas eu conheço-vos a todos da Universidade; sabeis tão bem como eu em que é que os vossos pais gastaram (ou gastam, conforme o caso) dinheiro convosco). Ora, o Dr. Povinho, que não é nenhum idiota, sabe que não tem dinheiro para uma vivenda geminada de dois andares e quatro quartos, nem um Audi A8 nem cinco (ou mais) anos de gastos com os rebentos, mas pode ir pagando à medida que recebe e manter um estilo de vida bastante confortável, na certeza e segurança de que, enquanto não se lhe acabe a vontade de trabalhar que nem um cão, o Estado, com quem celebrou um Contrato de Exclusividade, vai continuar a pagar-lhe pela mesma medida, e... bom, já sabeis que esta história vai acabar mal.

Resumidamente: o Estado traiu os seus médicos.

Surge aqui outra questão: então e os hospitais? Se o Dr. Povinho e os seus colegas, que lá trabalhavam doze horas por dia, três vezes por semana, já lá não podem trabalhar, quem é que lá trabalha? Ah, mas para essa questão há resposta pronta! Logo as empresas públicas de administração privada (o termo pode não estar correcto, mas palavra de honra que não sou só eu a ser deliberadamente malicioso e a inventar termos inconsistentes; os culpados têm mesmo um título absurdo) anunciaram recorrer a empresas privadas de saúde (de novo, a mesma nota), que vêm a ser mais ou menos empresas de trabalhadores temporários, só que com médicos. Ora, estas empresas propoem contratos ao hospital, mediante os quais asseguram um número de médicos durante um número de horas por semana ao longo de um período de tempo em contrapartida de determinado pagamento, parte do qual é distribuída entre os médicos envolvidos. Naturalmente, esta mudança representa uma (enorme. Enorme. ENOOOOOOOOOORMEEE!!!) economia de dinheiro, o que não é senão natural, uma vez que passámos de um paradigma de "pago-te para fazeres o teu trabalho" para um paradigma de "preciso de quem me faça este trabalho e pago a quem me fizer a oferta mais baixa" (reparem como os profissionais de saúde subitamente passaram a ser tratados como empreiteiros).

E que dizer dos médicos dessas empresas privadas? Pergunto-vos simplesmente isto: que médico é que, podendo trabalhar para o estado e ganhar rios de dinheiro prefere trabalhar para uma empresa que lhe paga, na melhor das hipóteses, o mesmo que ganharia só nas horas ordinárias do estado? Enquanto debateis convosco mesmo se se trata de estúpidos que não compreendem o valor do dinheiro ou de profissionais inferiores que o estado não seria capaz de, em boa consciência (vá lá, parem de rir. Eu sei que disse "estado" e "em boa consciência" na mesma frase, mas a saúde é assunto sério), contratar, adianto-vos que, muitas das vezes, se trata de pessoas que nem sequer falam a língua do país em que se fazem empregar, já que, no país deles, o estado, em boa consciência, não os pôde empregar.

Portanto, enquanto o Dr. Povinho empalidece perante as prestações do carro e da casa que, subitamente, já não pode pagar, o seu primo Zé vai às Urgências, onde é atendido por um imbecil que, nem que fosse capaz de entender as queixas do seu paciente, provavelmente pouco mais saberia dizer-lhe que tomasse duas aspirinas e um copo de leite morno.

Deixo-vos com o seguinte aviso: não adoeceis em Portugal. O Estado já não emprega quem saiba cuidar de vós.

Na verdade, não vos deixo já, não sem antes deixar ominosamente a leitura recomendada, que não é sequer uma leitura, mas antes o filme "Sicko", de Michael Moore, onde o realizador expõe os males de um sistema de saúde aparte do estado, e advertir sombriamente que o mesmo se vai passar na terra outrora de Camões.

Pax vobiscum atque vale.

2013-09-07

O Adamastor - MDN, MAI, INCÊNDIOS E ASNEIRAS ESCUSADAS

Este post irá ser reduzido, pois penso que o artigo mais que explica. Veio ter ao meu encontro por um amigo que decidiu juntar-se aos anjos da pátria e colocou esse artigo no Face.
Partilho aqui para todos lerem. Já sabíamos disto, mas é sempre bom recordar e lembrar o porquê de que temos de agarrar as amarras do nosso país.


http://novoadamastor.blogspot.pt/2011/08/mdn-mai-incendios-e-asneiras-escusadas.html

C-130 com kit MAFFS para apagar fogos, comprados em 1982. A FA tb pode apagar fogos, o Governo é que não quer...

2013-08-28

Era uma vez, um tornado que passou por um molhe de pedras e....

Boas Tardes.
Das imagens abaixo, e não por esta ordem,
1 é da Sicília.
1 é de Tenerife.
1 é da Ilha Maurícia (ao lado de madagascar)
1 é dos Açores.

Alguem nota semelhanças? Ou sou mesmo só eu?
Leia a notícia com mais detalhe aqui:
http://expresso.sapo.pt/arqueologos-revelam-segredos-das-piramides-da-ilha-do-pico=f827624




2013-08-20

Vamos jogar: Europa Universalis IV

A IV release de Europa Universalis saiu à coisa de 1 semana e tal, e é bastante bom.

Tão bom que me vou dar ao trabalho de tentar explicar o porquê.

Um simulador multifacetado, que, para além de ensinar história, o faz em segundo plano, sendo o primeiro objectivo, o de queimar horas e horas enquanto o jogador tenta, como Portugal, converter os Mouros de Ceuta, fazer um casamento com Castela, colonizar cabo verde e, por algum milagre, não falir até ao fim do ano!

Em termos gráficos, é como um grande jogo de tabuleiro. Apenas com filtros (podem ver o mapa, por exemplo, por religião, valor comercial, cultura, relações diplomáticas...) e um zoom que vai desde a vista mundial até aos detalhes de Vila Nova do Coito (que fica mesmo ao pé de Santarém, for real, google it!)


Podem escolher qualquer país (qualquer mesmo) do mudo e assumir o papel de Monarca, general e burguês ao mesmo tempo.

"Mas Peres, isso de olhar para um Mapa Mundi não é um tédio tão grande como ver musgo a crescer?"
De modo algum caro leitor! O nosso modesto País por exemplo, em 1444 temos a nossa zona contininetal, a madeira colonizada, os açores para lá caminha e uma ceuta cheia de shiitas (Mouros) que adorariam meter a cabeça do monarca Português na ponta de uma estaca.

Todo o comércio que vêm do mediterrâneo e vai para França, UK e mar do norte passa pelas nossas àguas, e competimos com espanha para ter uma fatia desses $$$. Podemos colocar inclusivamente mais mercadores em pontos estratégicos, como a Tunísia ou Genoa\Veneza para tentarmos desviar mais comércio de lá para os nossos portos, aumentando assim o valor das mercadorias que passam do Mediterrâneo para o Atlântico por Gibraltar.

$$$ Esse que é usado para pagar à tropa, manutenção de barcos, o governo e até avanços tecnológicos. Ser o primeiro País da Europa a ter mosquetes funcionais não é um mau negócio, mas de nada vale se os Francesses têm 140.000 homens de lanças e nós 2.000 com mosquetes.



Oh, não esquecer os descobrimentos!
Ou a religião!
Ou a cultura das províncias!
Ou o raio dos ingleses que nos chamam constantemente para Guerras com França.
Ou ...
Ou ...

Bem, deixo mas é, para não haver dúvidas:


2013-07-23

Os nossos problemas...

.... vistos de Saturno


A nossa amiga Cassini, que já discuti em posts anteriores, traz-nos esta fantástica imagem da Terra vista de Saturno. Reparem na crise económica na Europa, nas tensões entre as Coreias na Ásia, e a própria crise política aqui em Portugal, tudo tão bem retratado. 





2013-07-06

Irrevogável




irrevogável 
(latim irrevocabilis, -e) 
adj. 2 g.
1. Que não se pode revogar.
2. Definitivo.
3. Que não torna atrás.

"Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao Primeiro-Ministro
Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual
O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo
Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente
sustentável, nem é pessoalmente exigível
Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo
Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação"


2013-06-11

Excepções em Python - Uma pequena grande ajuda

Este post vai ser curto. Para todos aqueles que se estão a iniciar em Python, poderá ser estranho quando precisamos de capturar uma excepção e ao imprimi-la no ecrã, chegar ao ponto de ser impresso um número no ecrã.

Este pequeno código que deixo aqui, ajuda a resolver isso, apresentando 2 pequenos detalhes de 2 módulos do Python, o sys e o traceback.

1:  import sys, traceback  
2:    
3:  if __name__ == '__main__':  
4:    a = {}  
5:      
6:    print("Exception print Without Traceback")  
7:    try:  
8:      print(a[0])  
9:    except Exception as ex:  
10:      print(ex)  
11:        
12:    print("Exception print With Traceback")  
13:    try:  
14:      print(a[0])  
15:    except Exception:  
16:      (exType, val, tb) = sys.exc_info()  
17:      traceback.print_exception(exType, val, tb)  
18:    

O resultado é este.

 [claymore@ArchLinux32 Tasklets]$ python3 tracebackTests.py   
 Exception print Without Traceback  
 0  
 Exception print With Traceback  
 Traceback (most recent call last):  
  File "tracebackTests.py", line 21, in   
   print(a[0])  
 KeyError: 0  

Documentação:
sys.exc_info()
traceback.print_exception(type, value, traceback, limit=None, file=None, chain=True)

Fiquem bem!

2013-06-10

Dia de Portugal

Celebramos hoje, se o Governo não no lo tiver tirado ainda, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Um grande abraço aos meus estimados compatriotas e amigos, tanto ainda na nossa terra como emigrados como eu.

Pax vobiscum atque vale.

2013-05-30

A fúria dos homens do norte.

800 anos depois de Cristo, a Europa possuia 3 blocos de poder.

O bloco islâmico, com uma religião\governo extremamente bem organizada. O "governo", era nem mais nem menos que o meio para a religião expandir, e esta estabilidade de governo permitia segurança. Em que é que isto se traduzia? Pessoas seguras e bem alimentadas dedicam-se à ciência, cultura, e assim o bloco islâmico progredia.



Depois o bloco Católico. Ainda a recompor-se da queda do império Romano no ocidente, usava a religião como modo de controlo. O rei era escolhido por Deus para governar, e o povo embrutecido e receoso da ira Divina e da foice islâmica que ameaçava por todo o lado  (islão na peninsula ibérica, o sul de itália e sicilia islâmios, e o império bizantino a este com hordas à sua porta) aceitava o Rei Divino.


Por fim, temos os Pagãos. Atenção, não confundir com hereges (porque o herege é aquele que por definição se desviava do ensinamento canon do Católico). O bloco Pagão era um autêntico monstro adormecido na Europa. Adoradores dos "Deuses Antigos", eram desde os Sami, os Tengri, os eslavos, até aos nórdicos.



Vou tentar não divagar muito. Mas uma religião organizada (como Islão ou Catolicismo) foi uma grande vitória para controlo de populações. Não roubes porque Deus castiga. Não mates ou te revoltes. Aceita as ordens. Paga os impostos para o bem comum. Em tudo isto as religiões organizadas eram um grande trunfo para a elite governante.

É aqui mesmo que está o grande problema pagão. Para estes pagãos, não há nem céu nem inferno. Quando morres vais para os infernos, ponto. Na melhor das hipóteses apodreces no chão. A ideia era então viver uma "boa vida".Combate, ouro, mulheres e concubinas era a ideia normalmente aceite como uma "boa vida". É claro, os "governos" pagãos eram tão estáveis como um castelo de cartas. Assim que um governante morria, as populações não aceitavam o filho como líder natural. Seguiam o mais forte.


Quando a Europa começa a aquecer ( no chamado período quente da idade média), os países mais a norte, habituados ao frio e poucas colheitas, enfrentam de repente um boom na comida disponível e na população. Especialmente os pagãos nórdicos, cujo panteão divino era quase composto por 12 deuses da guerra, quando se vêm cheios de homens adultos sem nada para fazer, só lhes passa uma coisa pela cabeça:
Vamos para a Guerra.

A Europa tremeu.

É especialmente entre os anos de 840 e 860, que o terror chegou a tal ponto que grande parte do mundo Católico da altura estava convencido que estavam a viver os últimos dias, o Armagedão.


Queria falar com mais detalhe de 2 figuras especialmente importantes:
Ragnar e Rurik. Ambos estão envoltos em neblina lendária, mas a certeza das suas figuras históricas dificilmente pode ser negada. A imagem que temos deles foi desenhada a escrita pelos seus inimigos ("nós"...), o que faz com que as suas histórias sejam ainda mais impressionantes, porque é bem provável que os seus feitos tenham sido menorizados no relato escrito.

Rurik decidiu saquear, pilhar e invadir para Este. Aliás, o que está escrito é que as tribos pagãs que ocupavam o que hoje é a Russia, chamam os Varângios (Vikings, nórdicos, chamem-lhes o que quiserem) para por fim a uma guerra civil. Seria o equivalente aos USA pedirem à Coreia do Norte para policiar Nova York... mas enfim, quem sou eu para contestar. Os Varângios, pessoal ordeiro e bem comportado, liderados por Rurik acabam com a guerra civil e não só. Manda o poder local à fava, e estabelece ele próprio um Reino nas terras que foi contratado para apaziguar.

Qual a importância de Rurik? Este pequeno reino que eles estabeleceu foi a fundação do reino de Rus.
Imaginam ao que deu origem Rus? Deu origem ao reino de Rus de Kiev. Mais tarde grande Reino de Moscovo, e mais tarde o Reino dos Tsars da Russia. Esta nem Afonso Henriques bate...

A dinastia dos descendentes de Rurik, começa em 860 a acaba quase em 1600. Moldou para sempre o Este Europeu.

Vamos a uma figura mais contestada. Ragnar!
Fontes inglesas e francesas medievais chegam a dizer que Ragnar não existiu. Foi mito. O sobrenome dele provavelmente significava "calças cheias de fezes", pois, segundo as mesmas fontes, morreu de diarreia!
Se fosse eu a viver em Inglaterra ou França nessa época, até acrescentava: Ragnar era meio anão, com apenas 1.20m de altura. Cego de um olho e vesgo do outro. Coxo das duas pernas e infértil.


Muito reais foram os filhos de Ragnar, isso ninguém tem dúvidas, portanto causa-me espécie em como é possível considerar os filhos figuras histórias, mas o pai como mito.... Adiante!

Ragnar Lothbrok, ao contrário de Rurik, virou, no mesmo período de tempo, as atenções para Oeste: França e Inglaterra. O salteador Viking médio usava cota de malha, escudo redondo, espada curta ou machado de cabo curto e fazia do saque e combate a sua profissão. Quando chegam à costa inglesa encontram Saxões cuja dedicação principal era a ceifa do cereal, equipados com lança curta, a roupa que tinham no corpo,e o pedaço de madeira mais próximo a servir de escudo. Não é de admirar que os combates pendam apenas para um lado. Os franceses não foram melhores diga-se em defesa dos ingleses...



Ragnar e seus homens pilharam praticamente tudo o que se encontrava perto da costa ou da margem de um rio, desde a Escócia até Paris. Não lhes interessava grandemente se eras um Rei, camponês armado, mulher, monge ou criança, o tratamento era brutal e igual. Nestes anos em Inglaterra, as orações passaram a conter:

A Furore Normannorum libera nos, Domine - Livrai-nos Senhor da fúria dos homens do Norte.

Em 845 Ragnar desce o rio Sena até Paris, com cerca de 100 barcos. Pilha, saqueia e faz dos habitantes de Paris aquilo que bem lhe apetece (não vou entrar em detalhes, mas 5000 homens a ocupar Paris durante dias não foi pera doce...). O rei dos Francos paga a Ragnar 2500kg em prata e ouro para Ragnar se ir embora. E embora Ragnar foi (pilhando mais uns mosteiros no caminho de volta é claro). Conta-se que, quando Ragnar volta a casa, que chora ao se recordar que no meio de tanto tempo em pilhagem, não teve ninguém que lhe tivesse dado uma, uma luta sequer que seja digna de ser contada, tendo aliás perdido mais homens para um surto de peste do que em combate.



Como já tinha referido, fontes Francesas e Inglesas dizem que Ragnar morre de "diarreia" nalgum recanto remoto. Mas as fontes nórdicas dizem que, quando Ragnar volta às pilhagens em Inglaterra, Aella, um tirano local que usurpa o poder em York o consegue capturar e rapidamente o atira a um "poço de serpentes". O que é facto é que os filhos de Ragnar amassam aquilo que é chamado de "O grande exército pagão" e vingam o seu Pai passando a Inglaterra a ferro e fogo nos próximos anos.


Pode este relato parecer nada mais que o resumo de actos bárbaros infligidos nos povos ordeiros da Europa, mas não é verdade. Foi esta brutalidade Viking que marca para sempre a nobreza Europeia. Foi a altura de acordar. Era necessário ter um exército profissional. Forças a cavalo móveis. Mas acima de tudo, tornou-se uma emergência a derrota dos povos do norte. E foram realmente derrotados, mas nunca no campo de batalha. Os vikings foram simplesmente convertidos. Um Católico não pilha e mata um irmão da fé. 

Depois de convertidos foram dos maiores aliados do Cristianismo no Oriente. Os Bizantinos passaram a manter um contingente de "guardas Varangios", composto exclusivamente de nórdicos e pagos a peso de ouro, usados em momentos cruciais nos combates contra o Islão.







2013-05-24

Geek mode On! - Python Checksum 16

Visto que nos últimos tempos não tenho feito outra coisa senão andar a programar Python 3 para redes, achei que seria interessante passar esta pequena função que tanta importância tem, para fazer o checksum 16bits em pacotes de rede (IP, TCP, UDP etc...)


1:  import array  
2:    
3:  def checksum16(byteStrIn):  
4:    byteStringCpy = byteStrIn + bytes([0]* (len(byteStrIn)%2))  
5:    tmpArray = array.array("H", byteStringCpy)      
6:    tmpArray.byteswap()  
7:    cksum = sum(tmpArray)  
8:    cksum = (cksum >> 16) + (cksum & 0xffff)  
9:    cksum += (cksum >> 16)    
10:    return (~cksum) & 0xFFFF  

PS: O código HTML foi gerado aqui!

2013-05-15

WW2 e bruxas.

Normalmente, WW2 e bruxas na mesma frase só por lapso.
Nas não! É claro que nunca ninguém espera a inquisição espanhola e as suas bruxas, mas o título deste post tem razão de ser.

Apresento o Focke-Wulf FW 190
Atingindo 650 km/h a 6000m de altitude, 800km de raio de alcance, foi o caça alemão de eleição durante o conflito. Superior durante grande parte do conflito às variantes soviéticas, francesas e britânicas.

Apresento o Polikarpov Po-2
Com uma sofrível velocidade de 110km/h, feito de madeira, esta relíquia da década de 20 parece estar deslocada no superconflicto que foi a ww2.




Mas aqui entram as bruxas. 
Ao contrário de muitos dos exércitos da época, os Soviéticos eram muito práticos quando à igualdade dos sexos:
Consegue pegar numa arma? Bem vinda ao exército Vermelho!

Foi assim que mulheres como Natalya Meklin criaram as Bruxas da noite (bom, na verdade criaram o 588º regimento de bombardeiros nocturnos, o nome de bruxas da noite foi dado pelos alemães, mas adiante)

O 588º pilotava exclusivamente Polikarpov's em missões nocturnas de alto risco.
O avião era low tech? Era.
O avião era um pedaço de lenha com asas? Era.
O que fizeram então com este avião que lhes mereceu a alcunha?

A vida de um soldado de infantaria na frente de batalha não era fácil. Nervos em franja grande parte do dia, era de noite que se tentava umas horas de reposo. No início do conflito, os soldados alemãs ainda faziam fogueiras à noite para se manterem quentes e mais confortáveis... mas então começaram a vir as bruxas:

Usando o Polikarpov, voando quase rente ao chão e a baixa velocidade. Quando se aproximavam da frente, desligavam o motor e simplesmente deslizavam pelo ar, sem qualquer ruído aerodinâmico (madeira, lembram-se?) nem mecânico (motor desligado). Chegavam perto dos locais de repouso dos soldados, e largavam 6 bombas de 50kg. O próximo ruído que se ouvia, era semelhante a uma máquina de costura, vindo do motor do avião já a se afastar. Estes bombardeamentos causavam mais do que baixas. Em breve, deixou de haver fogueiras à noite para o lado Alemão, os soldados dispersavam-se para tentarem dormir e o simples ruído de um pássaro a bater as asas podia levantar o alerta, com medo das "bruxas da noite". 

É claro, os Fock-Wulf tentavam interceptar o inimigo depois de largadas as bombas. Um avião a 100km/h não pode fugir a um caça. Um pardal não foge a uma águia, certo?

Hehe, quando o Wulf enfrentava o Polikarpov durante a noite acontecia normalmente 1 de 3 coisas:
  1. O Wulf acabava o combustível ou a munição sem mandar o Polikarpov abaixo. É incível o que um pedaço de lenha com um motor aguenta. Depois de atingido não perdia as suas características aerodinâmicas.
  2. O Polikarpov voava perto do solo, enquanto que o Wulf necessitava de se manter em altitude. Tinha de se aproximar perigosamente do solo (a 600km\h!) para poder sequer disparar!
  3. A velocidade máxima do Polikarpov era inferior da velocidade mínima do Wulf! Um Fock-Wulf, se reduzisse a velocidade para os 110km\h caia a pique e fora de controlo! Aliás, há mais de um caso de Fock-Wulfs que se auto-despenharam para tentar abater um Polikarpov!
As "Bruxas da noite" voaram mais de 23.000 missões, largando mais de 3.000.000kg de bombas

O Polikarpov-P2 foi dos aviões mais produzidos na história da aviação e, a última baixa que provocou foi em 1954, quando um F-94 americano reduziu a velocidade em demasia e se despenhou, enquanto tentava abater um P2.



2013-05-10

Entre o Martelo e o Islão, o dia que mudou o mundo

Por volta o ano 622, começa na península Arábica com o profeta Maomé  um fervor relígioso (e político, porque não) que iria mudar o mundo . Em pouco mais de 10 anos a península está sob o domínio de um único Calipha, e começa a pressão sobre o já decadente Império Bizantino (o que sobrou do império Romano) 




O resto da Europa é uma manta de retalhos de tribos germânicas, que tinham completamente atropelado o império Romano Ocidental depois de 375. Com a queda de roma, cai também a Europa nas chamadas "Dark Ages". Povos "bárbaros", fronteiras pouco definidas, sem língua comum, retrocessos civilizacionais  militares e científicos.



Não é de admirar que assim que o Islão bate à porta de península ibérica, as tribos Visigodas desmoronam e  recuam para o norte montanhoso da península e para França, além dos Pirenéus  O califado Umayyad absorveu e adoptou as tácticas de todos os povos, tribos e até Impérios que enfrentou (absorveu inclusive o que restava dos Persas), e na altura que chegou à Península era uma horda com a melhor tecnologia da época. Sabres recurvados, fáceis e rápidos de manejar, infantaria irregular que era usada para fustigar linhas de mantimentos, mas acima de tudo, a adopção do estribo na sua cavalaria permitia que o cavaleiro tivesse maior equilíbrio, controlo, mas acima de tudo, permitia a utilização de mais armadura e armas mais pesadas a cavalo.



O resultado? Um aglomerado de camponeses visigóticos, que eram obrigados pelo seu senhor local a lutar no tempo entre as colheitas, e assim que a cavalaria Umayyad entrava em contacto com a linha inimiga, era uma debandada descontrolada. A desvantagem desta cavalaria era a dificuldade de lutar em terreno montanhoso. Daí a continuidade do enclave cristão nas astúrias (que recebia mantimentos por mar), e a "segurança" que as tribos Francas sentiam.

Mas um senhor dos Francos perdia o sono todas as noites com a situação na Ibéria, Carolus Martlelus (Karl Martel, Carlos Martel) acreditava que era um questão de tempos até que a barreira dos Pirenéus fosse ultrapassada pela torrente islâmica. Outros lideres Francos ignoravam a questão, ainda por cima quando a primeira onda Umayyad invadiu o Sul de França, Odo, o Grande teve uma vitória relativamente fácil ao emboscar o exército inimigo.



Entretanto, Martelus fazia o impensável, até ao ponto de o acusarem de herege. Como já tinha referido, desde a queda do Império que não existiam exércitos profissionais na Europa. Quando havia guerra eram levantadas as milícias, milícias estas compostas de gente simples cuja maior preocupação era voltar a casa a tempo da colheita. Martelus, durante 10 anos, retirou terra e dinheiro à igreja (até o Vaticano esteve há beira de o excomungar), pegou no melhor que as tribos Francas tinham, e fez-lhes uma proposta:

Lutem por mim, todo o ano, e eu não só vos pago, como alimento as vossas famílias.

E durante estes 10 anos treinou, alimentou, e pagou um exército para combater um inimigo invisível.
E foi só em 732, na grande invasão muçulmana que todos os Francos se viraram para Carolus. O próprio Odo, que tinha derrotado a primeira expedição, jurou vassalagem a Carolus caso ele o ajudasse.

Já a invasão Umayyad está a chegar a Tours (bem no norte de França!) que Carolus aparece no campo de batalha.


Minto. Na verdade, são os muçulmanos que aparecem no campo de batalha, pois os Francos fizeram questão de chegar mais cedo e escolher o terreno. O exército de Carolus era em tudo diferente do que havia no mundo naquela época. Treinado durante 10 anos, exclusivamente de infantaria pesada (e quando digo pesada devia dizer mesmo pesada, cada homem tinha cerca de 35kg da melhor armadura que o dinheiro comprava na altura, tudo pago por Martelus) e em formação cerrada, quase se assemelhando à falange Grega.



Para agravar, escolheram uma posição numa colina, por detrás de um pequeno bosque. A horda muçulmana tinha um dilema. Sabia que ali estava um inimigo, inimigo esse que impedia a pilhagem de Tours. Mas não fazia ideia de quantos são, nem como estavam organizados. Tudo o que os muçulmanos tinham enfrentado em 100 anos de guerra até aquela data no ocidente eram bárbaros desorganizados, o que podia correr mal?

Abd-al-Rahmân liderava a hoste Umayyad, e podia ter simplesmente ignorado a colina, ido à volta e em direcção a Tours. Mas mostrar fraqueza frente às suas tropas? Ainda por cima, contra bárbaros?

As escaramuças duraram sete dias, e durante esses 7 dias não conseguiram saber nem a disposição das tropas francas nem o seu número, pois Martelus usou as milícias para "salpicar" o terreno, dando a impressão que tinha, como esperado, uma tropa irregular e pouco disciplinada.

A carga muçulmana deve ter sido tremenda. 20.000 homens a cavalo deve criar um barulho e um tremor no próprio solo difícil de imaginar, mas quando passam a zona florestada e encontram uma linha sólida de ferro e láminas... bom, digamos que nesse dia, Carolus ganhou o cognome de Martellus (martelo). 

Foi muito mais do que a primeira grande derrota dos Califas. Era a última e única linha de defesa entre os Pirinéus e o Volga. Não havia literalmente nada para além dos francos de Carolus até se chegar às estepes russas e às hordas mongois. Demoraram 700 anos a reconquistar a Península Ibérica, que pensar caso e Europa tivesse sido inundada depois de 732?

Só em nota final, Martellus foi o primeiro da Dinastia dos Carolíngios  chamar-lhes os fundadores da Idade Média não é exagero. O seu neto foi Carlos Magno, rei dos Francos, dos Lombardos e Imperador do Sacro Império Romano.

2013-04-30

Autoavaliação no estado

A secretária de estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, diz que as operações de swap feitas pela refer entre 2001 e 2007 "foram sempre inteiramente adequadas e transparentes".



Ou seja, limpas. Efectuadas por pessoas do melhor calibre e competência. Sem sujidade. De acordo com todo os procedimentos correctos. Para esclarecer bem a coisa inclusive  o próprio IGCP, que faz a gestão da dívida pública, chega à conclusão que estas operações não são consideradas "tóxicas", mas apenas "exóticas". Fantástico malta.

Detalhes?
Vejamos...
Maria Luís Albuquerque, directora financeira da refer entre 2001 e 2007.
A refer contratou swaps enquanto Maria Luís Albuquerque era sua directora financeira.
Maria Luís Albuquerque é nomeada secretária de estado e chefia o IGCP.
O IGCP, sob tutela de , ora, Maria Luís Albuquerque, define o que são swaps tóxicos.
O mesmo IGCP, diz que os swaps da refer são "exóticos", mas não tóxicos, gerando apenas 40 milhões de euros em prejuizo.
Maria Luís Albuquerque continua secretária de estado, e eu continuo a pagar a dívida da refer.


2013-04-16

Game of Thrones, uma mão amiga

Quem viu o último episódio sabe o que as boas acções fazem. Tenta-se salvar uma "donzela", dar uma mão amiga, e quase que toda a gente "perde a cabeça" como na season 1.


Para mim Jaime Lannister é um dos grandes personagens da Série. Começa na Season 1 com "things i do for love", depois temos não só a relação incestuosa com a irmã, mas o desdém que ele tem para com tudo e todos.
É depois capturado pelos Stark, aprende humildade e tem umas lições de vida com a "cara de cavalo" Brienne. Quiçá, estava até a mudar, a mostrar um lado humano, e pimba... cá vai disto. Felizmente não será o fim dele (ou será?!?) e ainda temos muito game of thrones pela frente.

O que estão a achar da season 3 até agora?

2013-04-12

Defcon 3

Pela 1ª vez desde 11 de Setembro, os Estados Unidos estão em Defcon 3

O que significa Defcon 3? Significa que não existem ameaças iminentes de guerra nuclear, mas a situação está fluida e pode rapidamente mudar.

Se quando forem a este site:
http://defconwarningsystem.com/
Em vez do nível DEFCON tiverem leituras de radiação, então estamos com problemas.
Se não conseguirem aceder à página, então estamos com muitos muitos problemas.

2013-04-09

Coreia do Norte descobre o fogo.

Coreia do Norte descobre o fogo.

7 dias depois dominam a roda.

Cerca de 2 meses depois começam a usar pontas de seta feitas de pedra.

Porque  vão voltar à idade da Pedra se a retórica nuclear continuar: