2013-07-23

Os nossos problemas...

.... vistos de Saturno


A nossa amiga Cassini, que já discuti em posts anteriores, traz-nos esta fantástica imagem da Terra vista de Saturno. Reparem na crise económica na Europa, nas tensões entre as Coreias na Ásia, e a própria crise política aqui em Portugal, tudo tão bem retratado. 





2013-07-06

Irrevogável




irrevogável 
(latim irrevocabilis, -e) 
adj. 2 g.
1. Que não se pode revogar.
2. Definitivo.
3. Que não torna atrás.

"Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao Primeiro-Ministro
Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual
O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo
Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente
sustentável, nem é pessoalmente exigível
Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo
Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação"


2013-06-11

Excepções em Python - Uma pequena grande ajuda

Este post vai ser curto. Para todos aqueles que se estão a iniciar em Python, poderá ser estranho quando precisamos de capturar uma excepção e ao imprimi-la no ecrã, chegar ao ponto de ser impresso um número no ecrã.

Este pequeno código que deixo aqui, ajuda a resolver isso, apresentando 2 pequenos detalhes de 2 módulos do Python, o sys e o traceback.

1:  import sys, traceback  
2:    
3:  if __name__ == '__main__':  
4:    a = {}  
5:      
6:    print("Exception print Without Traceback")  
7:    try:  
8:      print(a[0])  
9:    except Exception as ex:  
10:      print(ex)  
11:        
12:    print("Exception print With Traceback")  
13:    try:  
14:      print(a[0])  
15:    except Exception:  
16:      (exType, val, tb) = sys.exc_info()  
17:      traceback.print_exception(exType, val, tb)  
18:    

O resultado é este.

 [claymore@ArchLinux32 Tasklets]$ python3 tracebackTests.py   
 Exception print Without Traceback  
 0  
 Exception print With Traceback  
 Traceback (most recent call last):  
  File "tracebackTests.py", line 21, in   
   print(a[0])  
 KeyError: 0  

Documentação:
sys.exc_info()
traceback.print_exception(type, value, traceback, limit=None, file=None, chain=True)

Fiquem bem!

2013-06-10

Dia de Portugal

Celebramos hoje, se o Governo não no lo tiver tirado ainda, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Um grande abraço aos meus estimados compatriotas e amigos, tanto ainda na nossa terra como emigrados como eu.

Pax vobiscum atque vale.

2013-05-30

A fúria dos homens do norte.

800 anos depois de Cristo, a Europa possuia 3 blocos de poder.

O bloco islâmico, com uma religião\governo extremamente bem organizada. O "governo", era nem mais nem menos que o meio para a religião expandir, e esta estabilidade de governo permitia segurança. Em que é que isto se traduzia? Pessoas seguras e bem alimentadas dedicam-se à ciência, cultura, e assim o bloco islâmico progredia.



Depois o bloco Católico. Ainda a recompor-se da queda do império Romano no ocidente, usava a religião como modo de controlo. O rei era escolhido por Deus para governar, e o povo embrutecido e receoso da ira Divina e da foice islâmica que ameaçava por todo o lado  (islão na peninsula ibérica, o sul de itália e sicilia islâmios, e o império bizantino a este com hordas à sua porta) aceitava o Rei Divino.


Por fim, temos os Pagãos. Atenção, não confundir com hereges (porque o herege é aquele que por definição se desviava do ensinamento canon do Católico). O bloco Pagão era um autêntico monstro adormecido na Europa. Adoradores dos "Deuses Antigos", eram desde os Sami, os Tengri, os eslavos, até aos nórdicos.



Vou tentar não divagar muito. Mas uma religião organizada (como Islão ou Catolicismo) foi uma grande vitória para controlo de populações. Não roubes porque Deus castiga. Não mates ou te revoltes. Aceita as ordens. Paga os impostos para o bem comum. Em tudo isto as religiões organizadas eram um grande trunfo para a elite governante.

É aqui mesmo que está o grande problema pagão. Para estes pagãos, não há nem céu nem inferno. Quando morres vais para os infernos, ponto. Na melhor das hipóteses apodreces no chão. A ideia era então viver uma "boa vida".Combate, ouro, mulheres e concubinas era a ideia normalmente aceite como uma "boa vida". É claro, os "governos" pagãos eram tão estáveis como um castelo de cartas. Assim que um governante morria, as populações não aceitavam o filho como líder natural. Seguiam o mais forte.


Quando a Europa começa a aquecer ( no chamado período quente da idade média), os países mais a norte, habituados ao frio e poucas colheitas, enfrentam de repente um boom na comida disponível e na população. Especialmente os pagãos nórdicos, cujo panteão divino era quase composto por 12 deuses da guerra, quando se vêm cheios de homens adultos sem nada para fazer, só lhes passa uma coisa pela cabeça:
Vamos para a Guerra.

A Europa tremeu.

É especialmente entre os anos de 840 e 860, que o terror chegou a tal ponto que grande parte do mundo Católico da altura estava convencido que estavam a viver os últimos dias, o Armagedão.


Queria falar com mais detalhe de 2 figuras especialmente importantes:
Ragnar e Rurik. Ambos estão envoltos em neblina lendária, mas a certeza das suas figuras históricas dificilmente pode ser negada. A imagem que temos deles foi desenhada a escrita pelos seus inimigos ("nós"...), o que faz com que as suas histórias sejam ainda mais impressionantes, porque é bem provável que os seus feitos tenham sido menorizados no relato escrito.

Rurik decidiu saquear, pilhar e invadir para Este. Aliás, o que está escrito é que as tribos pagãs que ocupavam o que hoje é a Russia, chamam os Varângios (Vikings, nórdicos, chamem-lhes o que quiserem) para por fim a uma guerra civil. Seria o equivalente aos USA pedirem à Coreia do Norte para policiar Nova York... mas enfim, quem sou eu para contestar. Os Varângios, pessoal ordeiro e bem comportado, liderados por Rurik acabam com a guerra civil e não só. Manda o poder local à fava, e estabelece ele próprio um Reino nas terras que foi contratado para apaziguar.

Qual a importância de Rurik? Este pequeno reino que eles estabeleceu foi a fundação do reino de Rus.
Imaginam ao que deu origem Rus? Deu origem ao reino de Rus de Kiev. Mais tarde grande Reino de Moscovo, e mais tarde o Reino dos Tsars da Russia. Esta nem Afonso Henriques bate...

A dinastia dos descendentes de Rurik, começa em 860 a acaba quase em 1600. Moldou para sempre o Este Europeu.

Vamos a uma figura mais contestada. Ragnar!
Fontes inglesas e francesas medievais chegam a dizer que Ragnar não existiu. Foi mito. O sobrenome dele provavelmente significava "calças cheias de fezes", pois, segundo as mesmas fontes, morreu de diarreia!
Se fosse eu a viver em Inglaterra ou França nessa época, até acrescentava: Ragnar era meio anão, com apenas 1.20m de altura. Cego de um olho e vesgo do outro. Coxo das duas pernas e infértil.


Muito reais foram os filhos de Ragnar, isso ninguém tem dúvidas, portanto causa-me espécie em como é possível considerar os filhos figuras histórias, mas o pai como mito.... Adiante!

Ragnar Lothbrok, ao contrário de Rurik, virou, no mesmo período de tempo, as atenções para Oeste: França e Inglaterra. O salteador Viking médio usava cota de malha, escudo redondo, espada curta ou machado de cabo curto e fazia do saque e combate a sua profissão. Quando chegam à costa inglesa encontram Saxões cuja dedicação principal era a ceifa do cereal, equipados com lança curta, a roupa que tinham no corpo,e o pedaço de madeira mais próximo a servir de escudo. Não é de admirar que os combates pendam apenas para um lado. Os franceses não foram melhores diga-se em defesa dos ingleses...



Ragnar e seus homens pilharam praticamente tudo o que se encontrava perto da costa ou da margem de um rio, desde a Escócia até Paris. Não lhes interessava grandemente se eras um Rei, camponês armado, mulher, monge ou criança, o tratamento era brutal e igual. Nestes anos em Inglaterra, as orações passaram a conter:

A Furore Normannorum libera nos, Domine - Livrai-nos Senhor da fúria dos homens do Norte.

Em 845 Ragnar desce o rio Sena até Paris, com cerca de 100 barcos. Pilha, saqueia e faz dos habitantes de Paris aquilo que bem lhe apetece (não vou entrar em detalhes, mas 5000 homens a ocupar Paris durante dias não foi pera doce...). O rei dos Francos paga a Ragnar 2500kg em prata e ouro para Ragnar se ir embora. E embora Ragnar foi (pilhando mais uns mosteiros no caminho de volta é claro). Conta-se que, quando Ragnar volta a casa, que chora ao se recordar que no meio de tanto tempo em pilhagem, não teve ninguém que lhe tivesse dado uma, uma luta sequer que seja digna de ser contada, tendo aliás perdido mais homens para um surto de peste do que em combate.



Como já tinha referido, fontes Francesas e Inglesas dizem que Ragnar morre de "diarreia" nalgum recanto remoto. Mas as fontes nórdicas dizem que, quando Ragnar volta às pilhagens em Inglaterra, Aella, um tirano local que usurpa o poder em York o consegue capturar e rapidamente o atira a um "poço de serpentes". O que é facto é que os filhos de Ragnar amassam aquilo que é chamado de "O grande exército pagão" e vingam o seu Pai passando a Inglaterra a ferro e fogo nos próximos anos.


Pode este relato parecer nada mais que o resumo de actos bárbaros infligidos nos povos ordeiros da Europa, mas não é verdade. Foi esta brutalidade Viking que marca para sempre a nobreza Europeia. Foi a altura de acordar. Era necessário ter um exército profissional. Forças a cavalo móveis. Mas acima de tudo, tornou-se uma emergência a derrota dos povos do norte. E foram realmente derrotados, mas nunca no campo de batalha. Os vikings foram simplesmente convertidos. Um Católico não pilha e mata um irmão da fé. 

Depois de convertidos foram dos maiores aliados do Cristianismo no Oriente. Os Bizantinos passaram a manter um contingente de "guardas Varangios", composto exclusivamente de nórdicos e pagos a peso de ouro, usados em momentos cruciais nos combates contra o Islão.







2013-05-24

Geek mode On! - Python Checksum 16

Visto que nos últimos tempos não tenho feito outra coisa senão andar a programar Python 3 para redes, achei que seria interessante passar esta pequena função que tanta importância tem, para fazer o checksum 16bits em pacotes de rede (IP, TCP, UDP etc...)


1:  import array  
2:    
3:  def checksum16(byteStrIn):  
4:    byteStringCpy = byteStrIn + bytes([0]* (len(byteStrIn)%2))  
5:    tmpArray = array.array("H", byteStringCpy)      
6:    tmpArray.byteswap()  
7:    cksum = sum(tmpArray)  
8:    cksum = (cksum >> 16) + (cksum & 0xffff)  
9:    cksum += (cksum >> 16)    
10:    return (~cksum) & 0xFFFF  

PS: O código HTML foi gerado aqui!

2013-05-15

WW2 e bruxas.

Normalmente, WW2 e bruxas na mesma frase só por lapso.
Nas não! É claro que nunca ninguém espera a inquisição espanhola e as suas bruxas, mas o título deste post tem razão de ser.

Apresento o Focke-Wulf FW 190
Atingindo 650 km/h a 6000m de altitude, 800km de raio de alcance, foi o caça alemão de eleição durante o conflito. Superior durante grande parte do conflito às variantes soviéticas, francesas e britânicas.

Apresento o Polikarpov Po-2
Com uma sofrível velocidade de 110km/h, feito de madeira, esta relíquia da década de 20 parece estar deslocada no superconflicto que foi a ww2.




Mas aqui entram as bruxas. 
Ao contrário de muitos dos exércitos da época, os Soviéticos eram muito práticos quando à igualdade dos sexos:
Consegue pegar numa arma? Bem vinda ao exército Vermelho!

Foi assim que mulheres como Natalya Meklin criaram as Bruxas da noite (bom, na verdade criaram o 588º regimento de bombardeiros nocturnos, o nome de bruxas da noite foi dado pelos alemães, mas adiante)

O 588º pilotava exclusivamente Polikarpov's em missões nocturnas de alto risco.
O avião era low tech? Era.
O avião era um pedaço de lenha com asas? Era.
O que fizeram então com este avião que lhes mereceu a alcunha?

A vida de um soldado de infantaria na frente de batalha não era fácil. Nervos em franja grande parte do dia, era de noite que se tentava umas horas de reposo. No início do conflito, os soldados alemãs ainda faziam fogueiras à noite para se manterem quentes e mais confortáveis... mas então começaram a vir as bruxas:

Usando o Polikarpov, voando quase rente ao chão e a baixa velocidade. Quando se aproximavam da frente, desligavam o motor e simplesmente deslizavam pelo ar, sem qualquer ruído aerodinâmico (madeira, lembram-se?) nem mecânico (motor desligado). Chegavam perto dos locais de repouso dos soldados, e largavam 6 bombas de 50kg. O próximo ruído que se ouvia, era semelhante a uma máquina de costura, vindo do motor do avião já a se afastar. Estes bombardeamentos causavam mais do que baixas. Em breve, deixou de haver fogueiras à noite para o lado Alemão, os soldados dispersavam-se para tentarem dormir e o simples ruído de um pássaro a bater as asas podia levantar o alerta, com medo das "bruxas da noite". 

É claro, os Fock-Wulf tentavam interceptar o inimigo depois de largadas as bombas. Um avião a 100km/h não pode fugir a um caça. Um pardal não foge a uma águia, certo?

Hehe, quando o Wulf enfrentava o Polikarpov durante a noite acontecia normalmente 1 de 3 coisas:
  1. O Wulf acabava o combustível ou a munição sem mandar o Polikarpov abaixo. É incível o que um pedaço de lenha com um motor aguenta. Depois de atingido não perdia as suas características aerodinâmicas.
  2. O Polikarpov voava perto do solo, enquanto que o Wulf necessitava de se manter em altitude. Tinha de se aproximar perigosamente do solo (a 600km\h!) para poder sequer disparar!
  3. A velocidade máxima do Polikarpov era inferior da velocidade mínima do Wulf! Um Fock-Wulf, se reduzisse a velocidade para os 110km\h caia a pique e fora de controlo! Aliás, há mais de um caso de Fock-Wulfs que se auto-despenharam para tentar abater um Polikarpov!
As "Bruxas da noite" voaram mais de 23.000 missões, largando mais de 3.000.000kg de bombas

O Polikarpov-P2 foi dos aviões mais produzidos na história da aviação e, a última baixa que provocou foi em 1954, quando um F-94 americano reduziu a velocidade em demasia e se despenhou, enquanto tentava abater um P2.



2013-05-10

Entre o Martelo e o Islão, o dia que mudou o mundo

Por volta o ano 622, começa na península Arábica com o profeta Maomé  um fervor relígioso (e político, porque não) que iria mudar o mundo . Em pouco mais de 10 anos a península está sob o domínio de um único Calipha, e começa a pressão sobre o já decadente Império Bizantino (o que sobrou do império Romano) 




O resto da Europa é uma manta de retalhos de tribos germânicas, que tinham completamente atropelado o império Romano Ocidental depois de 375. Com a queda de roma, cai também a Europa nas chamadas "Dark Ages". Povos "bárbaros", fronteiras pouco definidas, sem língua comum, retrocessos civilizacionais  militares e científicos.



Não é de admirar que assim que o Islão bate à porta de península ibérica, as tribos Visigodas desmoronam e  recuam para o norte montanhoso da península e para França, além dos Pirenéus  O califado Umayyad absorveu e adoptou as tácticas de todos os povos, tribos e até Impérios que enfrentou (absorveu inclusive o que restava dos Persas), e na altura que chegou à Península era uma horda com a melhor tecnologia da época. Sabres recurvados, fáceis e rápidos de manejar, infantaria irregular que era usada para fustigar linhas de mantimentos, mas acima de tudo, a adopção do estribo na sua cavalaria permitia que o cavaleiro tivesse maior equilíbrio, controlo, mas acima de tudo, permitia a utilização de mais armadura e armas mais pesadas a cavalo.



O resultado? Um aglomerado de camponeses visigóticos, que eram obrigados pelo seu senhor local a lutar no tempo entre as colheitas, e assim que a cavalaria Umayyad entrava em contacto com a linha inimiga, era uma debandada descontrolada. A desvantagem desta cavalaria era a dificuldade de lutar em terreno montanhoso. Daí a continuidade do enclave cristão nas astúrias (que recebia mantimentos por mar), e a "segurança" que as tribos Francas sentiam.

Mas um senhor dos Francos perdia o sono todas as noites com a situação na Ibéria, Carolus Martlelus (Karl Martel, Carlos Martel) acreditava que era um questão de tempos até que a barreira dos Pirenéus fosse ultrapassada pela torrente islâmica. Outros lideres Francos ignoravam a questão, ainda por cima quando a primeira onda Umayyad invadiu o Sul de França, Odo, o Grande teve uma vitória relativamente fácil ao emboscar o exército inimigo.



Entretanto, Martelus fazia o impensável, até ao ponto de o acusarem de herege. Como já tinha referido, desde a queda do Império que não existiam exércitos profissionais na Europa. Quando havia guerra eram levantadas as milícias, milícias estas compostas de gente simples cuja maior preocupação era voltar a casa a tempo da colheita. Martelus, durante 10 anos, retirou terra e dinheiro à igreja (até o Vaticano esteve há beira de o excomungar), pegou no melhor que as tribos Francas tinham, e fez-lhes uma proposta:

Lutem por mim, todo o ano, e eu não só vos pago, como alimento as vossas famílias.

E durante estes 10 anos treinou, alimentou, e pagou um exército para combater um inimigo invisível.
E foi só em 732, na grande invasão muçulmana que todos os Francos se viraram para Carolus. O próprio Odo, que tinha derrotado a primeira expedição, jurou vassalagem a Carolus caso ele o ajudasse.

Já a invasão Umayyad está a chegar a Tours (bem no norte de França!) que Carolus aparece no campo de batalha.


Minto. Na verdade, são os muçulmanos que aparecem no campo de batalha, pois os Francos fizeram questão de chegar mais cedo e escolher o terreno. O exército de Carolus era em tudo diferente do que havia no mundo naquela época. Treinado durante 10 anos, exclusivamente de infantaria pesada (e quando digo pesada devia dizer mesmo pesada, cada homem tinha cerca de 35kg da melhor armadura que o dinheiro comprava na altura, tudo pago por Martelus) e em formação cerrada, quase se assemelhando à falange Grega.



Para agravar, escolheram uma posição numa colina, por detrás de um pequeno bosque. A horda muçulmana tinha um dilema. Sabia que ali estava um inimigo, inimigo esse que impedia a pilhagem de Tours. Mas não fazia ideia de quantos são, nem como estavam organizados. Tudo o que os muçulmanos tinham enfrentado em 100 anos de guerra até aquela data no ocidente eram bárbaros desorganizados, o que podia correr mal?

Abd-al-Rahmân liderava a hoste Umayyad, e podia ter simplesmente ignorado a colina, ido à volta e em direcção a Tours. Mas mostrar fraqueza frente às suas tropas? Ainda por cima, contra bárbaros?

As escaramuças duraram sete dias, e durante esses 7 dias não conseguiram saber nem a disposição das tropas francas nem o seu número, pois Martelus usou as milícias para "salpicar" o terreno, dando a impressão que tinha, como esperado, uma tropa irregular e pouco disciplinada.

A carga muçulmana deve ter sido tremenda. 20.000 homens a cavalo deve criar um barulho e um tremor no próprio solo difícil de imaginar, mas quando passam a zona florestada e encontram uma linha sólida de ferro e láminas... bom, digamos que nesse dia, Carolus ganhou o cognome de Martellus (martelo). 

Foi muito mais do que a primeira grande derrota dos Califas. Era a última e única linha de defesa entre os Pirinéus e o Volga. Não havia literalmente nada para além dos francos de Carolus até se chegar às estepes russas e às hordas mongois. Demoraram 700 anos a reconquistar a Península Ibérica, que pensar caso e Europa tivesse sido inundada depois de 732?

Só em nota final, Martellus foi o primeiro da Dinastia dos Carolíngios  chamar-lhes os fundadores da Idade Média não é exagero. O seu neto foi Carlos Magno, rei dos Francos, dos Lombardos e Imperador do Sacro Império Romano.

2013-04-30

Autoavaliação no estado

A secretária de estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, diz que as operações de swap feitas pela refer entre 2001 e 2007 "foram sempre inteiramente adequadas e transparentes".



Ou seja, limpas. Efectuadas por pessoas do melhor calibre e competência. Sem sujidade. De acordo com todo os procedimentos correctos. Para esclarecer bem a coisa inclusive  o próprio IGCP, que faz a gestão da dívida pública, chega à conclusão que estas operações não são consideradas "tóxicas", mas apenas "exóticas". Fantástico malta.

Detalhes?
Vejamos...
Maria Luís Albuquerque, directora financeira da refer entre 2001 e 2007.
A refer contratou swaps enquanto Maria Luís Albuquerque era sua directora financeira.
Maria Luís Albuquerque é nomeada secretária de estado e chefia o IGCP.
O IGCP, sob tutela de , ora, Maria Luís Albuquerque, define o que são swaps tóxicos.
O mesmo IGCP, diz que os swaps da refer são "exóticos", mas não tóxicos, gerando apenas 40 milhões de euros em prejuizo.
Maria Luís Albuquerque continua secretária de estado, e eu continuo a pagar a dívida da refer.


2013-04-16

Game of Thrones, uma mão amiga

Quem viu o último episódio sabe o que as boas acções fazem. Tenta-se salvar uma "donzela", dar uma mão amiga, e quase que toda a gente "perde a cabeça" como na season 1.


Para mim Jaime Lannister é um dos grandes personagens da Série. Começa na Season 1 com "things i do for love", depois temos não só a relação incestuosa com a irmã, mas o desdém que ele tem para com tudo e todos.
É depois capturado pelos Stark, aprende humildade e tem umas lições de vida com a "cara de cavalo" Brienne. Quiçá, estava até a mudar, a mostrar um lado humano, e pimba... cá vai disto. Felizmente não será o fim dele (ou será?!?) e ainda temos muito game of thrones pela frente.

O que estão a achar da season 3 até agora?

2013-04-12

Defcon 3

Pela 1ª vez desde 11 de Setembro, os Estados Unidos estão em Defcon 3

O que significa Defcon 3? Significa que não existem ameaças iminentes de guerra nuclear, mas a situação está fluida e pode rapidamente mudar.

Se quando forem a este site:
http://defconwarningsystem.com/
Em vez do nível DEFCON tiverem leituras de radiação, então estamos com problemas.
Se não conseguirem aceder à página, então estamos com muitos muitos problemas.

2013-04-09

Coreia do Norte descobre o fogo.

Coreia do Norte descobre o fogo.

7 dias depois dominam a roda.

Cerca de 2 meses depois começam a usar pontas de seta feitas de pedra.

Porque  vão voltar à idade da Pedra se a retórica nuclear continuar:

IA, o exemplo prático em Crusader Kings 2

Nos últimos anos, quando se fala em IAs ( inteligências artificiais) no meio das tecnologias, vem logo à mente o xadrez, em que já nem se fala em jogos entre humanos, mas sim máquinas. Ou talvez os drones, que identificam possíveis alvos para confirmação humana. Mas serão estes casos verdadeiras IAs?

O xadrez é um caso em que as regras de jogo já estão mais do que dissecadas. Já não existem variáveis. Criatividade não é factor, existem as jogadas óptimas para cada situação ou as que levam à derrota. Já só interessa o tempo de computação.



O caso dos drones é diferente. Processamento de imagem, padrão de voo, comunicação encriptada, para mim, é tanta inteligência como uma bola a rolar do monte a baixo. Faz aquilo que faz (que é rolar), ou neste caso, identificar padrões.



Trago aqui para a mesa de discussão então o meu favorito Crusader Kings 2. Como sabem por posts anteriores, é um simulador medieval, que vai deste 1066 até quase ao advento dos descobrimentos. Para onde é a IA aqui chamada? Bom, para mim, é um exemplo clássico de "pensa eficaz", em vez de "pensa grande". Passo a explicar.

Cada pequenina região no mapa tem um nobre que a governa a partir de um castelo. E um Burguês que responde pela(s) cidade. E um mebro do clero que responde pelas terras da igreja na região. Para além disso, um nobre pode depois ter títulos que lhe dá poderes sobre várias regiões, ou países, ou até impérios. Só isto faz uns milhares de personagens em toda a Europa. Adicionamos depois mensageiros, nobres sem terras, casamentos que dão origens a filhos (que podem vir a ter terras, ou não), etc, etc, etc, e ficamos com um número infindável de personagens nesta Europa.



Crusader Kings 2 simula os comportamentos desta gentalha toda. E simula bem, com utilização mínima de recursos da máquina! O que acontece, é que em vez de ter algoritmos super complexos, que tentam simular comportamentos humanos, desde traição a cobiça, Crusader Kings 2 pega na base do comportamento.

Cada personagem tem defeitos e virtudes que se comportam como "código genético". Para além deste código genético, há certos princípios a serem respeitados, como desejo de sobreviver (fora de uma prisão), manter aquilo que tem e cobiçar o que é de outros. Se cobiça o que é de alguém de família, ou apenas o que é de alguém de outra religião já é definido na "genética" da personagem.



Exemplo: O nosso Afonso, o Henriques, com os traços de bravo, ambicioso, honesto e agressivo é naturalmente propenso a atacar a expandir território (e a bater na Mãe), e faz com que as suas relações com personagens cobardes e/ou falsos se deteriorem. Não há aqui cálculos complexos de relações, é simples preto e branco. É sim a mistura destes traços que traz a dinâmica para o sistema.

Imaginem o adorado Irmão de Afonso(que ainda não se casou), que é o próximo na linha de sucessão e, sendo nobre, deseja um título. Numa escala de -100 a 100, estará digamos em -40 de relações, porque (-20 deseja o título de Rei, e -20 deseja um titulo nobre). Afonso, esperto que é, para tentar apaziguar o irmão dá-lhe um título e terras do clero. Ora, um membro do clero, que não pode casar, ter filhos, ou herdar... A relação passa de -40 para -100.



Bolo em cima da cereja: uma criança, ao nascer, vai herdar traços dos país (exemplo: glutão), mas também traços de quem o educa até ser maior de idade, e pode por fim ganhar ou perder traços conforme o que lhe aconteça na vida (Se o nosso Afonso estiver à beira da morte depois de uma batalha, pode vir a perder o traço de bravo e ganhar o de cobarde\inválido).



Só só só para terminar este cocktail que define comportamentos, temos reinos\condados definidos no mapa. Se o reino de portugal estiver metade controlado, digamos, por um conde católico e a outra metade por um muçulmano, teremos inevitavelmente fonte de conflito, pois ambos querem unir o reino.











2013-04-07

A Guerra Fria nas escolas

Como bem sabem, no início da década de 40 grande parte da Europa estava sob jugo Alemão. Os poucos "neutrais" (Portugal, Espanha, Suiça...) eram de tal modo irrelevantes militarmente que podem bem ser esquecidos do mapa neste período da história.

Avançamos para 45-46, e a Europa é libertada por (grande parte) forças Americanas e começa assim a ideia do "Ocidente", moderno, culto, informado vs a hoste vermelha Soviética (escravizados, sem cultura, drones em fábricas).

Ainda hoje, na Europa, existem 2 histórias que se contam sobre a segunda guerra mundial:

  1. A História onde os USA deram totalmente cabo da máquina de guerra Alemã, e salvaram o mundo da tirania.
  2. A verdadeira História.
Escrevendo nos livros de história e não só, até com a cultura de Hollywood foi-se criando a primeira versão, que, em linhas resumidas, é algo como isto:
  • 1939 - Alemanha invade e conquista Polónia
  • 1940 - Alemanha invade e conquista França e Paises Baixos
  • 1941 - Alemanha invade URSS
  • 1943 - Aliados desembarcam na Sicília.
  • 1944 - Dia D, desembarque na Normandia
  • 1945 - Aliados chegam a Berlim, acabando a guerra na Europa
O Elefante branco no meio disto tudo é este:


A "Frente Leste" é apenas a maior operação militar da história da humanidade. Podemos pegar e somar todos os outros teatros de guerra de 39 a 45, e a frente leste continua a ser maior. 10 milhões de soldados soviéticos mortos (20 vezes as baixas americanas na guerra), onde se adicionam 14 milhões de civis.

Vamos falar de panzers. No total da frente Americana, 5710 blindados aliados destruídos  para 839 alemães (ratio 1:7). Frente Este, 83500 blindados soviéticos destruídos, para 2735 panzer alemães (1:30).

80% das divisões de infantaria alemãs estavam na frente Este. 
As alemães que ocupavam a França em 44, eram os demasiados feridos e cansados para lutar na Frente Este. O estado do exército alemão na Europa era tal debilitado que faltava diesel para o transporte móvel de infantaria, é o que chamamos de "bater no ceguinho". No entanto, temos isto em prime time:


Percebo a ideia, os vencedores escrevem a história, mas nem sequer um nota de rodapé quanto ao esforço Russo é triste. É triste para os 80% de homens russos nascidos em 1923 que não sobreviveram para além de 1945.

Ficamos então com a "cruzada pela liberdade" Ocidental. 




O que têm a Coreia do Norte e o Irão em comum?

Tenho dado alguma atenção especial em relação à situação na Coreia do Norte.
Sempre olhei para a situação como sendo a birra de um miudo, fruto da lavagem cerebral do pai, ou seja, acreditava realmente naquilo que o papá dizia...

No entanto pergunto-me, não seria isto a perfeita desculpa para uma invasão do Irão pelos Estados Unidos da América?
Observem este artigo de um jornal japonês.


North Korean nuclear crisis could speed up action on Iran


Pois é... Se a Coreia do Norte ousar sequer disparar um míssil  vai ser a razão perfeita para os Norte-Americanos dizerem "Bem avisamos! Olhem ali o Irão que também quer fazer o mesmo!"
Cada vez mais acho que todo este escalar da situação, poderá ter sido criado internamente pelos próprios Americanos... afinal de contas, que melhor maneira de meter meio-mundo a odiar armas nucleares com o extra de conseguir meter a China e a Rússia a apoiar uma futura invasão do Irão.


2013-03-25

A cleptocracia neste mundo...

Pois é, mais uma vez José Gomes Ferreira arrasa com mais uma verdade (fresh news)!


Mas sejamos realistas... isto é uma gota de água quando comparado com a cleptocracia existente no Reino Unido e Estados Unidos da América. Max Keiser mostra como o Reino Unido está mais que lixado com F grande...

Prata? Ouro? Bitcoins? Virar fanático Americano, comprar armas, munição e passar o resto da vida a proteger os nossos bens do governo? Engraçado que aquilo que parecia uma grande parvoíce à uns anos, começa agora a ser uma realidade...
Já dizia a minha mãezinha... a seu tempo, a tudo se chega...

2013-03-23

Quanto dinheiro Russo está realmente nos bancos do chipre?

Os números oficiais do banco central do chipre, noticiam algo como 68.4 mil milhões de euros nos seu bancos, em Janeiro de 2013. Tendo em conta os seus 800 mil habitantes, chegamos ao ridículo e irreal número de 85.500 euros por habitante. Poderia certamente ser o país com melhor qualidade de vida.

A realidade é que o chipre, com os seus apetecíveis 10% em impostos para empresas lá sediadas (ao contrário dos 25% em Portugal) fazem com que inúmeras empresas, maioritariamente russas estejam sediadas na ilha.

O número oficial é então de 20 mil milhões de euros depositados em bancos do chipre como sendo provenientes de cidadãos e empresas russas.

Logo de seguida, temos cerca de 12 mil milhões presos de transferências no chipre. Estes 12 mil milhões vêm de operações rotineiras de bancos a até ministérios russos (desde salários até à compra de canetas para o escritório), que usam os bancos do chipre para evitar taxas e impostos vários.

Para terminar, e oficialmente, mais 40 mil milhões presos de empréstimos russos. Empréstimos esses de bancos russos a cidadãos e entidades russas que até à umas semanas usavam a pequena ilha para aumentarem as margens de lucro.

Oficialmente então, 72 mil milhões de euros. Sendo o problema do chipre um problema de liquidez dos bancos (ou seja, os bancos do chipre, bêbados de dinheiro fácil, apostaram nos "cavalos errados", ergo, dívida grega, e quando a troika e o fmi acordaram o haircut da divida grega em 70%, acabaram por provocar esta crise de liquidez nos bancos cipriotas). Ora, estão a ver então o problema.

Bancos do chipre, usando dinheiro Russo, aposta na dívida grega e perde tudo (ou quase tudo, 70%). Ficam apertados de dinheiro, mantêm segredo é claro, e pedem agora resgate. União europeia (aka, frau Merkel, ainda por cima em ano de eleições) não quer resgatar dinheiro Russo, e está a fazer-se difícil (ou quem sabe, quer mesmo que o chipre caia, para mostrar a solidez da União).

Para mim é dificil de perceber. A união europeia que queima 240 mil milhões na grécia, 75 mil milhões em Portugal, 110 mil milhões na Irlanda, a estava a preparar 300 mil milhões para os bancos espanhóis, propõe agora condições draconianas aos 12 mil milhões para o chipre.




Controlo de armas

Como os meus estimados colegas e amigos sabem, volta e meia e os Americanos lembram-se de andar às turras com a segunda emenda e as leis que regulam a posse e aquisição de armas de fogo.

Não vou estar para aqui a debater o tema, porque não é lá muito interessante, para mim, pelo menos, mas vou deixar aqui um link para um debate que me está a parecer mais interessante que o costume.

Portanto...

A propósito, consta que no Canadá não só as leis são menos estritas como também (creio, mas não insisto) há mais armas de fogo nas mãos de cidadãos privados, mas menos acidentes e incidentes relacionados com armas de fogo.

Pax vobiscum atque vale.

2013-03-19

Guerra Financeira

Eu sei que o Goucha não acha muita piada que se faça disto um blog de Random posts, mas este artigo tem tudo menos de random.
Já dizia Max Keiser "A 3º Guerra Mundial já começou faz muito tempo e é uma guerra monetária"

Pois bem. Em continuação do artigo anterior do Peres, leiam agora este artigo do IOnline! Já só falta serem os Norte-Americanos a chegarem-se à frente.

GAZPROM PAGA RESGATE A Gazprom, gigante do gás russa, não perdeu tempo e propôs pagar o resgate de 10 mil milhões de euros a troco dos direitos de exploração das reservas de gás do país. A proposta da Gazprom terá sido entregue domingo à noite ao presidente cipriota Nicos Anastasiades, segundo a televisão russa Sigma TV.

Guerra financeira mais evidente que isto, só se for andar aos tiros com balas de ouro...

Edit:
Desculpa estar a usar o teu post Clay, mas em seguimento do que dizes:

Parlamento do chipre não aceita resgate da união europeia\confisco bancário
Qual o próximo passo?

2013-03-18

"Mais valia içarem a bandeira alemã no palácio presidencial"

As palavras não são minhas, mas sim de Vladimir Putin, referindo-se ao maior assalto organizado da história moderna, totalizando 6,5 mil milhões de Euros que são roubados por transferência bancária a reformados, jovens, casais, empresas, ricos e pobres no chipre. Podem agora discutir se roubam 6, 7, 15 ou 3%, mas a caixa de pandora foi aberta.