2016-12-08

Primeira Lei da Robotica

Uma máquina não pode ferir um ser humano, ou, or inação, permitir que nehum ser humano sofra algum mal

Ninguém se lembrou de traduzir isto para russo pois não?

https://youtu.be/69Udbw_wVN8

Há cada vez mais videos públicos. Maquinas, desde IAs até às controladas à distáncia, com i intuito de lutar, matar, destruir. Alguem por favor traduza as leis da robotica em todas as linguas.

2016-07-03

Mesa de Lemos - Uma Crítica

Antes que os meus estimados colegas e amigos se interroguem "mas que diabo de filme ou jogo vem a ser esta "Mesa de Lemos" de que nunca ouvi falar?", sabei que se trata de um restaurante perto de Silgueiros. Esclarecido isto, segue-se, à maneira da miríade de sites de críticas de lojas, serviços e produtos variados, um título:

O lugar mais pretencioso do mundo:

Em poucas palavras, é um lugar que se orgulha de ser deliberadamente obtuso, um sítio que extrai um prazer perverso em obrigar a que tudo seja feito da maneira mais difícil. A maior parte de vós conheci num ou noutro curso de engenharia, onde o mantra reflecte que a solução mais simples é, geralmente, preferível; apresento-vos, portanto, a antítese do nosso credo:

É esta a parte onde, geralmente, eu postaria uma fotografia da fachada do restaurante. Infelizmente, não tenho nenhuma, e eis por quê: Sabendo que teria um desastre desta proporção para documentar, teria fotografado o edifício ao entrar, às 8 da noite do segundo dia de Julho no hemisfério norte, quando a luz se proporcionaria a tal tarefa. Infelizmente, quando de lá saí, às 11 da noite, tendo comido três pratos, já não havia luz de que falar. Tereis, portanto, que vos contentar com a minha descrição.

Imaginai-vos numa estrada secundária de campo, onde as tabuletas são escassas e dispersas, e ocasionalmente pejadas de palavras bárbaras que podem ou não se relacionar com o destino que procurais. Tomara eu ter-me achado nessa posição enquanto navegava precariamente os caminhos de terra e pedra que serpenteiam por entre as vinhas da Quinta de Lemos. Eis então que encontro um edifício! É lá que me dizem que não é aquele edifício que eu procuro; esse está enterrado três vezes mais profundamente nas vinhas (em mais que um sentido).

Findas mais umas voltas sinuosas entre sinalização escassa e pavimento quase inexistente, encontramos o restaurante: uma longa fachada de vidro e betão escavada na própria rocha da colina.

Permiti-me o interlúdio de uma crítica que mais se assemelha a uma censura para reconhecer que, sim senhor, estava bonito, de uma maneira minimalista e rústica, quase grosseira, que deixa desnudos o betão e a pedra.

Torna-se agora necessário estacionar o carro. Enquanto a vasta multitude de restaurantes prenuncia a própria porta com amplos estacionamentos, de onde não surge maior inconveniente, à saída do carro, que atravessar uma superfície plana e asfaltada, a Mesa de Lemos opina que ainda não percorrestes suficientes contracurvas por maus caminhos e manda-vos numa demanda para deixardes as vossas viaturas não diante do restaurante, nem sequer ao lado ou por detrás do restaurante, mas antes sobre o mesmo. Uma vez desembaraçados da responsabilidade de abandonardes o vosso veículo apenas onde não cause transtorno a outros automobilistas, espera-vos um caminho íngreme, de terra pejada de pedras crudes e bojudas até à porta do restaurante. Caso a inclinação vos desargade, podeis igualmente percorrer o caminho por onde lá chegastes, que, se é menos íngreme, é igualmente mais longo, e pejado mas mesmas pedras, acrescidas agora de outros condutores que, tal como vós, só querem estacionar. Caso tenhais tido a ideia de levar saltos altos, meus caros, estais na mata sem cachorro (desta dificuldade não falo empiricamente, mas a minha mãe poder-vos-ia ter contado, se não estivesse concentrada em, mesmo empoleirada no meu ombro, não cair).

Concluída a gincana de chegardes à porta, recebe-vos a Maîtresse D'. Podereis, agora, interpor que ela não parece ter tido dificuldade em chegar ao restaurante, apesar do caminho ingrato, mas deixai-me dizer-vos duas coisas:

1. Havia espaço para um único e solitário carro num recanto macadamizado, diante de uma porta para empregados.
2. A Maîtresse, não obstante a elegância do seu traje e do seu porte, usava sapatilhas. Sapatilhas desportivas. Num restaurante gourmet.

Queria agora citar uma passagem de um livro que toda a minha vida eu achei muito bonito:

"hipocrisia - substantivo feminino; devoção fingida."

Apesar do sorriso pronto, a Maîtresse não nos leva imediatamente à nossa mesa: como tínhamos, originalmente, feito reserva para três pessoas (um dos comensais não se pôde juntar a nós), mandou-nos esperar, e não foram os escassos segundos que demora afastar uma cadeira de uma mesa (antes que vos lembreis de argumentar que seria igualmente necessário re-organizar os pratos, talheres, copos e guardanapos, devo dizer-vos que nenhum desses objectos está na mesa quando sois conduzidos à mesma).

Finda a espera, fomos trazidos à nossa mesa. Ainda que não nos chocasse vê-la inteiramente despida, senão pela toalha e um castiçal, esperávamos ver ementas, mas tal estava reservado para mais tarde. Primeiro, mas não imediatamente, segue-se o que é chamado de "um ritual" - e esta parte não é, tanto quanto eu sei, opcional. O ritual consiste em serdes presenteados com um bloco de granito, sobre o qual repousa um toalhete húmido com que "lavar" as mãos (e, até aqui, tudo bem), uma taça com gravilha e algumas folhas sortidas (e, em defesa da mesma, era uma taça dodecaédrica bem bonita, que eu teria todo o gosto em ter em minha casa como centro de mesa) e dois copos de água fresquinha. Segue-se um discurso fátuo acerca da água, a qual é classificada como um "elemento" - senhores, sabemos hoje que o Platão substimou em muito tanto o número como a natureza do que designou por "elementos". Então, de um jarro, entorna água sobre a gravilha da taça, revindicando que tal simula adequadamente uma cascata, e convída-nos a desfrutar da água da Serra da Estrela que nos serviu - porventura porque não se apercebe que a mesma está comercialmente disponível numa multitude de superfícies e de que quem se dá ao luxo de comer em restaurantes gourmet pode, igualmente, mimar-se em sua casa com um método de refrigerar líquidos, outras bebidas, géneros alimentares e mesmo qualquer objcto que caiba no malvado frigorífico - eis a exclusividade dos restaurantes finos. Estou tentado a elogiar a escolha do dodecaedro como forma da taça, uma vez que o seu dual, o icosaedro, fora associado por Platão à água, mas recordo-me de outros patronos brindados com o mesmo ritual, com uma taça cúbica. Ainda que nunca dois "rituais" tenham decorrido em simultâneo. Homens, podíeis ter usado a MESMA TAÇA!!!

(tem calma, tubarão; tu não te desgraçes...)

OK, continuando... Ressequidos do calor da tarde e do sol que vos banhou no caminho até ao restaurante, é este o momento de apreciardes a água fresquinha, mas apenas até que vo-la tirem, ainda antes de verdes o menu. Quando, finalmente, vos trazem o menu, espera-vos um enigma: Da capa de cartolina dobrada ao meio caem quatro tiras de papel que, visto à transparência, têm a filigrana "conqueror". Não deslindo que relação tem a palavra com a Mesa de Lemos. Cada uma das três primieras tiras lista um número de pratos (a primeira três, a segunda cinco e a terceira sete), seguidos de um preço. A quarta tira lista todos os pratos das anteriores, acompanhando cada um do seu preço.

Eis o esquema: tendes o direito de escolher qualquer um dos três menus pre-concebidos, contentando-vos com a escolha da combinação entre entradas, pratos principais e sobrememsa. Não tendes o direito de prescindir ou substituir elementos, mas, desde há pouco tempo, é-vos dada a benesse de encomendar à lá carte, desde que estejais dispostos a pagar uma sobretaxa por cada prato - multa por não terdes os mesmos gostos que o Chefe Diogo.

Falo agora do nome dos pratos, porque é uma queixa comum da cozinha gourmet que produz pratos com nomes demasiado elaborados e pouco explícitos. Preparei, portanto, uma selecção sortida de nomes de pratos gourmet de outros restaurantes:

          "Brandy flamed peppercorn steak" - Convenhamos que a única dificuldade do nome aqui é saber falar inglês. Ultrapassado esse obstáculo, parece-me evidente que se trata de um bife incrustado com grãos de pimenta e flamejado com Brandy.

         "Blue cheese crusted filet Mignon with Port wine sauce" - Novamente, basta conhecer as palavras para saber que se trata de uma peça de carne cortada da ponta mais delgada do lombo com uma crosta de queijo azul e molho de vinho do Porto.

(Se vos estou a fazer fome, lembro-vos que o Chefe Rui Paula tem um excelente restaurante gourmet, na margem do rio Douro, chamado DOC).

          "Escargots à la Bourguignonne" - De acordo, este traz a dificuldade acrescida de que, se não souberdes que "Bourguignonne", neste contexto, significa grelhados em manteiga de alho e ervas, não é por sberdes falar francês que sabereis mais que que tratar-se de um prato de caracóis.

          "Telha de queijo com espargos fritos em azeite virgem" - Comi este no DOC. Uma delícia!

Segue-se agora ta listagem de todos os pratos de que me lembro da Mesa de Lemos (mais uma vez, dependo apenas da minha memória):

          O Acolhimento.
          O Tomate.
          O Coelho.
          O Atum.
          O Bacalhau.
          O Salmonete.
          O Imperador.
          O Bovino.
          O Cabrito.
          O Pudim.
          O Melão.
          Os Frutos Vermelhos.

Nesta altura do campeonato (por falar nisso, semi-finais, hem!?) já estou disposto a aturar a mania de preceder um ingrediente com um determinante artigo sintaticamente adequado, mas semanticamente desnecessário. Afinal, até o Chefe Rui Paula se lembra, ocasionalmente, de chamar a um prato "O porco bísaro feito assim e assado" (claro que não é "feito assim e assado"; o nome dá a entender o que diabo se está a pedir), mas isto é ridículo! Não fosse cada prato seguir uma designação da sua origem (que é, por vezes, tão útil como dizer-nos que o tomate - perdão, O Tomate - vem da horta e O Atum vem do mar), não saberia que O Pudim é suposto ser pudim de abade de Piriscos (deduzo, se bem que a revindicação do menu é que O Pudim vem de Piriscos, sem qualquer referência a membros do clero) e que O Melão é de Almeirim e, portanto, em princípio, não um membro de uma Boys Band portuguesa do final dos anos '90.

Nesta altura podereis querer saber que diabo vêm a ser os pratos aqui listados, mas devo advertir-vos contra colocar a mesma questão - trata-se de um tabu que, por violardes, sereis condenados a explicações lacónicas e inúteis de dúvidas que não pusestes, seguidas de redireccionamentos para outros membros da equipa do restaurante, promessas de confirmição com o Chefe e o inevitável desapontamento quando as mesmas promessas forem quebradas, resultando apenas em MAIS E MAIS ATRASOS E ESPERAS!!!

(olha a tua pressão arterial, tubarão!)

Pronto, passemos adiante. Pela minha parte, pedi O Acolhimento, O Atum (que era entrada), O Bacalhau e O Pudim. Julgo inevitável seguir com a cena hipster do Instagram de postar as fotografias do meu jantar de ontem, mas, com as minhas desculpas (não só pela prática mas também pela qualidade das fotografias - mas entandam que eu não levo máquinas fotográficas DSLR para os restaurantes e que não tiro fotografias com o telemóvel com frequência suficiente para o fazer em condições sempre), este desastre merece ser devidamente documentado.

O Acolhimento consiste em quatro pratos, servidos um de cada vez sempre e só quando um poder superior acha oportuno. E entre servir-nos cada prato e deixar-nos comer o prato em paz, o chefe dos empregados brinda-vos com uma extensíssima descrição de cada prato que, por algum motivo, não podia ter revelado ANTES de o terdes pedido, quando lho peguntastes repetidamente, enuncaindo cada iteração de forma diferente, tentando, desesperadamente, ouvir aquilo com que o homem AGORA NÃO SE CALA. O primeiro consiste num cepo de madeira, equilibrado no topo do qual repousa uma tacinha, com qualquer coisa comestível dentro:


Sirva-vos a minha mão de escala, e a minha palavra de garantia de que não há cá ilusão: não andei a escarafunhcar no Photoshop para fazer a minha mão parecer maior que o resto (eu disse "mão"), não pus a mão mais perto da lente para a fazer parecer maior e se peguei numa colher de café para comer este ovo de codorniz com ervas foi porque não me foi proposto outro talher (de outra forma, este acepipe não poderia ter durado duas colheradas).

O segundo acepipe:


Repito as minhas anteriores promessas: é esta a verdadeira grandeza do prato comparado com a minha mão.

Nesta altura foi servido o terceiro. Lamento ter-me esquecido de o fotografar - mas estava cheio de fome. Tratava-se de uma molheira com uma mistura de feijão e mexilhão, servido com uma espátula de madeira, como aquelas com que o médico nos recalca a língua para nos ver a garganta, a fingir de talher, colocada diante de mim a apontar para a esqueda, apesar de ter sido cortada na forma de uma colher. Seguidamente:


Peço desculpa de me ter esquecido de um elemento de escala, mas sabei que destes dois objectos, um era para mim e outro para a minha mãe. Ela conseguiu assentar os dentes no mesmo de maneira a fazê-lo render duas dentadas; eu não conseui a mesma proeza de exacidão...

Por quatro dentadas de comida me cobraram €10. As mesmas quatro dentadas me teriam ofereceido se tivesse pedido um menu.

No meu estado de hipoglicémia, esqueci-me igualmente de documentar O Atum. Tratava-se de um cruzamento cru entre o carpaccio e o sashimi (vedes!? Vedes que não é preciso entrar pelo gourmet para arranjar palavras invulgares para a comida!?). Melhor sashimi já comi num restaurante chinês em Viseu que se quis aventurar pelo sushi, pelo que recebeu críticas, na melhor das hipóteses, "tépidas" e muitíssimo melhor carpaccio comi uma vez numa esplanada em Amsterdão que a memória há de apagar. Mas eis O Bacalhau...


E, rezam as lendas antigas, que, se tiverdes fé num homem mágico no céu, encontrareis neste prato pudim de abade de Piriscos.


Esclareço que aquela coisa clara e vagamente capsular no meio do prato é sorvete de ananás. Sabíeis que, em Viseu, havia um tasco chamado "O Cacimbo"? Ficava perto do Liceu, e muitos professores gostavam de lá ir almoçar, porque a comida era rápida, razoável e barata. Hoje, O Cacimbo mudou de instalações e já não é uma tasca; é um restaurante despretencioso, onde o serviço é bom e a comida também, e razoavelmente preçada. Servem um pudim de abade de Piriscos com espuma de lima que, para além de meter este num chinelo, não cabe num chinelo de bebé.

 Não posso igualmente deixar de vos mostrar o prato d'Os Frutos Vermelhos que coube à minha mãe:



Se olhardes com atenção, talvez encontrareis Os Frutos Vermelhos, que eu vos juro que fotografei o prato antes de a minha mãe comer.

Sinto que devia falar da comida, e até era boa; salvo raras excepções, como a do malgorado atum ou do pudim, equanto estive a comer estive contente, mas estive lá três horas para sair dali e ir a ao frigorífico desenterrar os restos do almoço (juro-vos que não se trata de uma hipérbole ou uma fabricação cómica; se assim o escrevi, assim o fiz).

Mas o que mais me irrita é a pretensiosidade com que tudo é feito. Mesmo toques de requinte que, noutro contexto, eu teria achado engraçados (por exemplo, nunca um empregado traz uma bandeja ou mais que um prato, nem nunca um comensal é servido antes de outro na mesma mesa; vêm tantos empregados quantos comensais, cada um só com seu prato, e, se algum chegar à beira do "seu" comensal antes dos outros, espera para que todos os pratos sejam postos na mesa no mesmo instante), me pareciam falsas e irritantes. Algumas chegavam mesmo a estar mal feitas: por exemplo, os empregados usavam uma única luva branca, mas só para os talheres. Ou bem que usam luvas ou bem que não me queiram atirar areia para os olhos com requintes inconstantemente fingidos.

Se bem que merenda feita, companhia desfeita, sair dali é ainda menos fácil que lá chegar, que não há candeeiros que iluminem as ainda sinuosas curvas por entre as vinhas; apenas umas míseras luzinhas ladeiam os caminhos de quando em quando.

Chego agora ao fim da minha crítica. Quereis ainda um veredicto?

Nuke it from orbit!

Pax vobiscum atque vale.
(e bom apetite!)

2016-06-20

Geringonças victorianas

(Está visto que neste blog só um gajo é que posta, mas, ao menos, posta que se desunha...)

Pois como julgo que sabeis, agora vivo e trabalho em S. João da Madeira, mas vou muitas vezes a Viseu no fim-de-semana, a implicação óbvia do mesmo sendo que tenho muitas vezes que voltar.

Ontem preparava-me para entrar na cidade, tendo saído da N224, e esperava vez para entrar na estradita que dá acesso ao que os locais chamam a "estrada velha" e também a lugares nos arredores (como a aldeia de Cucujães, que fica aqui mencionada porque, à semelhança de Ul, acho piada ao nome) quando vejo vários automóveis à minha frente imobilizarem-se no entroncamento, parecendo aceitar ordens de um indivíduo num colete de elevada visibilidade.

Como podeis imaginar, estava a estrada temporariamente cortada (mas apenas num sentido) devido a uma prova de ciclismo. Ora eu já não estava particularmente bem disposto depois de ter sido forçado a andar às voltas em Viseu entre becos sem saída e ruas cortadas por causa das cavalhadas de Teivas* (outro nome cómico, desta vez acrescido da implicação de ser um pardiero tão mau, tão mau mas tão mau que até Viseu lhes parece melhor sítio para fazer cavalhadas. Ao menos Vildemoínhos (só nomes vencedores) tem a hombridade de só ratar ali um cantinho à saída de uma rotunda que, em todo o caso, a modos que já é "deles"), e quando me dizem que por causa dos sacanas dos ciclistas** vou ter de escolher entre ficar à espera de suas excelências numa estufa de vidro e aço (soberbamente esculpidas na forma elegante e intemporal do meu Ford Fiesta Mk VII***) à torreira do sol do meio da tarde ou passar todo o tempo que suas majestades demorarem a desimpedir a estrada (mantida por parte do dinheiro dos meus impostos em igual medida que pelos impostos deles, logo, à qual tenho, à partida, o mesmo direito) queimando gasolina futilmente para manter o ar condicionado a funcionar (porque na Ford, a economia das gamas mais modestas não obsta ao conforto dos grandes automóveis****), fiquei capaz de meter pela contra-mão e ir por ela à procura de algum Marco para deixar de Panatanas******.

Ó pá, é que já é galo! Quando não, vejamos:
 - Ainda há um punhado de semanas, vinha para casa do trabalho quando um grupo de ciclistas, que seguia:
   -> alinhado à largura da estrada;
   -> evitando a pista reservada aos ciclistas junto à berma;
   -> em contra-mão.*******
tem o desplante de se mostrar reluctante em sair da situação ilegal em que se encontra e me brinda com impropérios por querer seguir a minha marcha em situação regulamentar, conforme disposto no código das estradas, o qual é, recordo, o mesmo PARA TODOS OS UTENTES DA VIA PÚBLICA!
 - Não esquecer que o ano passado, por causa da Volta a Portugal, me obrigaram a demorar, sem exagero, 15 minutos a (juro-vos que não há aqui qualquer sombra de hipérbole) a atravessar uma rua em Viseu para ir cortar o cabelo - e ainda um badameco de um polícia municipal me queria parar quando eu seguia a pé pelo passeio.
 - E ontem isto...

Mas agora pensai cá comigo: se nos reuníssemos todos na mesma cidade, começássemos a trocar vangloriações das nossas habilidades equanto automobilistas e decidíssemos determinar experimentalmente qual de nós, em seu veículo, demoraria menos a completar certo percurso arbitrário, por acaso impediríamos algum ciclista de circular nas ruas da mesma cidade? Evidente que não! Assim que sequer tentássemos, alguém com o mais ínfimo iota de senso-comum nos teria remetido para o Autódromo do Estoril ou lugar que o valesse para disputarmos o nosso pequeno mede-pilas! Por que vernáculo do objecto a medir não hão de os ciclistas se vergar à mesma regra!?

Mas está tudo doido ou que!?

Antes de me despedir quero salientar que todas as provas do jogo "Crazy Bikers 3", disponível em breve para iOS e Android, decorrem em circuitos fechados onde nenhum utente da via foi/é/será importunado.

Pax vobiscum atque vale.

* Uma vez conheci um rapaz de Teivas. Até era bom moço, por isso custa-me dizer tanto mal de lá. Mas digo na mesma!
** Atenção que eu não tenho nada contra os ciclistas per se. Enquanto os ciclistas quiserem ser ciclistas sem estorvar ninguém, gosto muito deles todos (até me zangar com algum).
*** Não, a Ford não me paga nada para dizer bem deles (mas podia...); eu é que gosto muito do meu carro.
**** OK, pronto, admito: esta foi mesmo encomendada e paga pela Ford...*****
***** Não foi nada, mas eu ainda estou disponível!
****** Este trocadilho com o nome do ciclista Marco Pantani não resultou tão bem como na minha cabeça. Paciência...
******* Receio bem que "em contra mão" não transmita devidamente o sentimento com que as palavras devem ser tomadas. Em jeito de didascália, deixai-me deixar aqui "no caralho da contra-mão, porra! Em contra-motherfucking-mão, foda-se!"

2016-06-10

Pátria

(Já viram que dia é hoje?)

Aqui há dias fui acusado de não ser patriota e de não gostar de Portugal. Mas já respondo a isso...

Durante uns anos, a minha avó viveu numa residencial. Não era propriamente um lar de idosos, mas, na prática, era isso que fazia. Certa vez, calhava ser dia 25 de Abril, encontrou certo senhor idoso que, noutros tempos, fora simpatizante do regime fascista, ostentando uma gravata negra.

"Morreu-lhe agluém?" Perguntou a minha avó.

"Não." Respondeu, gravemente, o cavalheiro. "Estou de luto pela Pátria!"

"Pátria?" Comentou o meu pai, ouvindo a minha avó a contar a história. "Eu também tive isso quando era pequenino, mas depois passou-me."

Eu acho que "Pátria" é uma palavra um bocado perigosa. Sempre que a ouço ou a leio, vejo imagens de mártires que se sacrificaram não sei ao certo por o quê. Ao ser acusado de não ser patriota, lembrei-me de listar alguns lugares-comuns de patriotas ao longo da história de várias nações.

Havia os patriotas que se entregavam às lâminas sarracenas para empurrar para sul a fronteira do que havia de ser Portugal, mas esses eram, sobretudo, impelidos pela motivação de retomar as terras em nome do cristianismo. Ou seja, morreram por uma doutrina (que creio que a maior parte de nós considera falsa e) que nunca sequer soube os seus nomes.

Havia os patriotas Americanos, que, desafiando a vontade do Rei George, se entregavam aos mosquetes ingleses, mas esses eram, em última análise, motivados pela máxima "no taxation without representation". Ou seja, morreram por dinheiro (OK, não foi exactamente morrerem por dinheiro, mas entendeis o que quero dizer).

Houve o Imperador Pedro I do Brasil, que quis à viva força que essa colónia sul-americana deixasse de ser pertença de Portugal, mas todos sabemos que esse estava, sobretudo, a fazer birrinha porque lhe tinham tirada a coroa. Esse queria era mandar.

(Há aqui muita gente interessante pelo meio, mas vocês, se ainda não estão fartos de ler isto, hão de o ficar na mesma em breve, e escrevinhar para aqui mais coisas já só havia de servir para vos maçar.)

E agora há uns indivíduos que gritam "Allahu Akbar!" antes de rebentarem aos bocados, e que não caem exactamente ao abrigo da definição tradicional de "patriota", mas que, bem vistas as coisas, não deixam de ser fundamentalmente semelhantes.

Mas o que é que vem a ser "morrer pela pátria"? O que é, ao certo, a "Pátria"? Não me venham dizer que é o país onde se nasce, porque isso não responde à pergunta, só muda os termos da mesma. Morreríeis por qualquer talhão de terra por terdes tido a desventura de nascer lá? Valer-vos-ia a pena de vos sacrificardes pela soberania de um país constantemente em mudança de líderes, alternando os que ninguém quer e os de quem ninguém gosta? No caso das monarquias (e não digo as monarquias como o Reino Unido, em que nem o monarca nem a família real representam poder político de facto), compreendo que alguém tenha tanta fé no monarca e na sua linhagem que queira vivamente lutar por eles, mas neste regime de eterna mudança, por vezes para melhor, por vezes para pior, mas, aparentemente, nunca sequer para bem, "patriotismo" acaba por me soar ao nome de um veneno que faz os inocentes quererem perder-se por que se não perca quem lá fica a engoradar de desprezo pelos ideais que levaram à perda enganada de quem se quis sacrificar.

Dito isto, gosto de Portugal. É um país engraçado. Faltam algumas coisas (sobretudo juízo), mas a maior parte do que é indispensável já está. E tem sítios bonitos: campos verdes, serras viçosas ou nevadas, e até praias que, diz quem gosta disso, são um espectáculo (e lá nisso até os estrangeiros parecem concordar).

Agora patriota é que não sou. Não critico ninguém por ser, mas vinde-me pedir o que quer que seja "pela pátria" planeando voltar por onde viestes; se a pátria, seja isso o que for, realmente quiser algo de mim, que se mostre e venha falar comigo cara-a-cara.

Faz hoje 2 ou 3 anos, estava eu em Londres, num comboio, quando ouvi uns cavalheiros a falar português. Conforme saíram, antes de mim, aproveitei para lhes dizer "feliz dia da nossa Pátria!". Não queirais ler algum significado mais profundo nesse gesto.

Pax vobiscum aque vale.

Para todos os meus estimados colegas e amigos, sobretudo aqueles que (ainda ou já) estão no estrangeiro (outra vez), feliz dia da nossa Pátria.

2016-04-10

A brand new SCV

Porque já estou com saudades do Natal, um post mais ou menos natalício.

Creio que todos nós aqui nos recordamos de retumbante sucesso musical de Natal de 2007 (ou então de outro ano qualquer... sei lá) que parodia o tradicional cântigo em inglês "Twelve Days Of Christmas", mas com unidaded de Starcraft. Aqui há dias pus-me a pensar (nada de bom pode decorrer daqui):

"Mas afinal quantas unidades é que a Blizzard me deu ao todo?"

Se os meus estimados colegas e amigos sabem que eu sou suficientemente maluco para me pôr a fazer somas, também sabem que sou demasiado preguiçoso para fazer assim tantas. Então pesquisei um bocadinho e encontrei uma solução muito engraçada.

(Portanto, se não era imediatamente evidente, está aqui um post ligeiramente intelectual. Nada de muito. Se querem posts verdadeiramente inteligentes, falem com o Peres ou o Pedro - eles são melhores nisso que eu. Mas hoje venho fazer um post só um bocadinho inteligente.)

O número de itens recebidos cumulativamente ao fim de determinado dia pode representar-se de forma triangular. Desta forma, em cada linha representam-se, em tantos números quantos o número da linha, a soma dos objectos de determinada classe. Exemplificando:

1º Dia:

                                1                brand new SCV.

2º Dia:

                                2                brand new SCV (um do primeiro dia e outro do segundo)
                              1  1              (1 + 1 = 2*) terran Wraiths.

3º Dia:

                                3                brand new SCV
                              2  2              terran Wraiths
                            1  1  1            Marines.

Assim sendo, torna-se mais simples somar as instâncias de cada classe. Semelhantemente, torna-se fácil extrapolar o aspecto do número triangular que representa o 12º dia, com um 12 no vértice superior, dois 11s logo abaixo e assim sucessivamente até aos doze 1s na fila do fundo.

Mas podemos ainda evitar uma data de somas. Experimentemos "rodar" o número triangular do quarto dia em 60º (ou π/3 rad) em ambas as direcções, obtendo, de cada vez, um triângulo diferente e, depois, somar cada elemento com os elementos correspondentes dos outros dois triângulos (ou, se preferirem, "sobrepor" os três triângulos e somar cada número com os números com o qual coincide):

        1                      4                     1                    6
      2  1        +        3  3       +        1  2        =       6  6
    3  2  1              2  2  2              1  2  3             6  6  6
  4  3  2  1          1  1  1  1          1  2  3  4          6  6  6  6

Já viram que giro? O número triangular resultante tem o mesmo número em todas as posições! Isso simplifica-nos a vida. Resta-nos determinar a maneira mais fácil de calcular o número que prevalece na representação triangular do 12º dia (e não se esqueçam de dividir por 3 no final!).

Atentemos, portanto aos vértices. Uma vez que todas as posições terão o mesmo valor, basta-nos calcular o valor dos vértices **, o que é bastante simples: os vértices de baixo têsm sempre valor 1 e o vértice de cima tem sempre valor igual ao número de linhas (ou, no caso, dias). Logo, ao fim do 12º dia, o triângulo tem 14 em cada posição. Trata-se agora de determinar o número de posições do triângulo, sabendo que este tem 12 linhas e que cada linha tem tantas posições quanto o seu ordinal.

Todos os meus estimados colegas engenheiros e amigos têm obrigação de saber que é (n + 1) * n / 2, em que n é o número de linhas (/dias).

Portanto se conclui que a Blizzard me deu (12 + 1 + 1) * (12 + 1) * 12 / 2 / 3 = 364 unidades.

Vocês fazem ideia da quantidade de pylons que eu tive de construir?

Pax vobiscum atque vale and a bra-a-aynd new S. C. Vee!

* - Caso seja advogado, peça à sua secretária para lhe assegurar que esta conta está bem feita,
** - Atenção! Isto é má matemática, mesmo para os advogados! Idealmente, demonstrar-se-ia que a soma dos valores das posições equivalentes é constante independentemente da natureza topológica de cada posição, mas isso já é território moderadamente inteligente e hoje é Domingo.

(originalmente publicado a 10 de Abril de 2016)

EDIT: Ora hoje que já é Quinta-feira (14 de Abril), já se pode demonstrar que cada elemento do triângulo que soma os três anteriores tem o valor que tem.

Comece-se por definir uma notação: T(i, j) é a função que, a cada par ordenado (i, j) tal que i denota o número da linha e j a posição a contar da esquerda de cada elemento, faz corresponder o valor do elemento de um triângulo na posição (i, j), com j a variar entre [1; i] e i a variar entre [1; n], em que n denota o número de linhas do triângulo.

Para o primeiro triângulo, T1(i, j) = i - (j - 1), ou, para simplificar, i - j + 1. Quando não, vejamos:

T(1, 1) = 1 - 1 + 1 = 1;
T(2,1) = 2 - 1 + 1 = 2;
T(2 ,2 ) = 2 - 2 + 1 = 1;
T(3 ,1 ) = 3 - 1 + 1 = 3;
T(3 ,2 ) = 3 - 2 + 1 = 2;
T(3 , 3) = 3 - 3 + 1 = 1;
T(4 ,1 ) = 4 - 1 + 1 = 4;
T(4 , 2) = 4 - 2 + 1 = 3;
T(4 , 3) = 4 - 3 + 1 = 2;
T(4 , 4) = 4 - 4 + 1 = 1;

O segundo triângulo é mais simples, e, evidentemente, T2(i, j) = n + 1 - i. Isto deve ser evidente, uma vez que, conforme podeis constatar, cada elemento do segundo triângulo tem um valor tanto mais baixo quanto mais próximo da linha do fundo, independentemente da sua posição ao longo da linha (logo, a fórmula de T2 é independente de j).

O terceiro triângulo é igualmente simples, e T3(i, j) = j. Mais uma vez, isto é evidente, dado que cada elemento tem um valor tão mais elevado quanto a sua distância à ponta esquerda da linha a que pertence, logo, a fírmula de T3 é independente de i.

Finalmente, para o triângulo final,
T(i, j) = T1(i, j) + T2(i, j) + T3(i, j) <=>
<=> T(i, j) = i - j + 1 + n + 1 - i + j <=>
<=> T(i, j) = n + 2, o que não só é, conforme esperado, uma constante para cada triângulo, mas também equivalente à soma dos 3 vértices e, no caso do triângulo que representa a 4º dia, 6,

Q. E. D..

2016-03-07

"mas"

Há um certo elemento libertador em postar num blog "às moscas". Sinto que posso escrever o que quiser que não me vireis pedir contas. Podia fazer a afirmação mais controversa de que me lembrasse, ou mesmo inventar uma descarada e inverosímil mentira, ou, quem sabe, jurar a pés juntos que batata, excepto se parafuso parafuso parafuso parafuso pasta de dentes.

(Uma linha de intervalo)

Bem, vamos lá passar adiante, antes que venham por aí os Monty Python ordenar o mesmo.

Diz a sabedoria popular que "não há bela sem senão" nem "rosa sem espinhos", e, sinceramente, não acho que seja derrotismo aceitar o mesmo como um dado adquirido (derrotismo seria, porventura, privarmo-nos do estoicismo com o qual aceitamos o facto sem o ver, necessariamente, como uma "derrota" - aliás, o Nietzsche dizia que se deve achar essas contrapartidas "belas" e apreciá-las como às demais coisas boas da vida. O Nietzsche às vezes também era um bocado parvo... mas nem sempre).

Voltemos, portanto, ao "mas", essa belíssima conjugação que acompanha todas as alvíssaras, louvores e elogios.


"Fulana Assim-Assim é uma miúda espectacular, e quem me dera ter mais amigas como ela..."

MAS!

"... o namorado dela é um alcoólico imoral."


"Fulano Taltal tem uma perspectiva avassaladora sobre uma data de coisas, e tenho conversas extremamente estimulantes com ele..."

MAS!

"... o melhor amigo dele é um asno insuportável."


"Este emprego que comecei há menos de uma semana é impecável e paga rios de dinheiro..."

MAS!

"... o estafeta do escritório tem um hálito, na melhor das hipóteses, nauseabundo."


"A minha mãe trata-me como um príncipe e está sempre a ver quando é que eu preciso de alguma coisa..."

MAS!

"... o filho dela, para além de feio e socialmente incapaz, está a perder o cabelo."

(algumas destas situações são puramente hipotéticas).

A pergunta que vos deixo aqui hoje (deixo-a aqui para não se estragar, que não me parece que alguém cá venha mexer-lhe) é "como lidais com os "mas"?" É que, ultimamente, "paciência", que era a minha solução por omissão para estas pequenas contrapartidas da vida, parece revelar-se insuficiente.

Pax vobiscum...
MAS!
... atque vale.

2016-02-02

Feliz Ano Novo!

Se este é para ser o primeiro post de 2016, não vejo por que não começar com esta parte. Portanto, um feliz ano novo a todos os membros da Corporação Disco-Bar.

Seguidamente, já estamos em Fevereiro. Historicamente, Janeiro não existiu. Portanto, este ano só tem 11 meses. Toca a começar a aproveitá-los muito bem JÁ!!

Pax vobiscum atque vale.

2015-12-24

Star Wars - Episode VII: The Force Awakens (uma crítica)

Deixem-me começar por vos garantir que esta crítica é 100% isenta de spoilers, açúcares refinados, ácidos gordos saturados, sódio, glúten, lactose, glutamato monosódico, alergénios ou produtos de origem animal e, portanto, é adequada a toda a gente.

Portanto fui ontem, já com algum "atraso", ver o novo Star Wars (não estive para me debater com o prospecto de me contentar com um lugar menos bom, numa sala apinhada de fanáticos e preferi deixar passar o fim-de-semana de estreia). Caso ainda não o tenham visto, fica aqui a minha apreciação.

Antes de mais, direi que, visual e estéticamente, o filme está impecável, inspirando-se fortemente na triologia "clássica" (os chamados "Episódios IV, V e VI"), mas com tecnologia gráfica dos dias de hoje, sem cair, contudo, no erro da triologia "prequela" (os "Episódios I, II e III") de abusar do CGI, optando antes por mais efeitos práticos, que produzem uma imagem mais realista e, no fundo, mais "impressionante" (portanto, uma boa escolha).

A história segue os eventos estabelecidos nos seis filmes anteriores. Não é uma continuação directa do Episódio VI na medida em que este é uma continuação directa do Episódio V, implicando antes um intervalo de tempo alargado entre os dois filmes. O argumento deste filme está perfeitamente ao nível dos primeiros, prestando, em muitos momentos, homenagem ou referência ao primeiro filme (ou talvez a semelhança se deva ao facto de ambos seguirem, de forma mais ou menos rígida, a estrutura do monomito). Considerai, no entanto, o seguinte:

O primeiro filme foi feito de forma algo experimental, cruzando a ópera espacial com os filmes acerca da segunda Guerra Mundial das décadas anteriores, a ficção científica com a fantasia, e temperando-as bem com a inexperiência do seu criador, sem qualquer tipo de segurança de que quaisquer elementos da história que ficassem por contar poderiam ser devidamente abordados noutra altura, e, portanto, apesar de, no mythos da saga da Guerra das Estrelas, o filme não ser estanque, a (comparativamente curta) história de como o Luke abandona a quinta de humidade em Tatooine e destrói a Estrela da Morte fica inteiramente contada. Por outro lado, o filme seguinte, "O Império Contra-Ataca", foi feito com o embalo da cresecnte popularidade da marca e com a certeza de que havia de haver pelo menos mais um filme, pelo que o final se permite deixar muitas "pontas soltas" que só seriam resolvidas no filme seguinte. Semelhantemente, este filme foi escrito sob a premissa de que mais virão, pelo que o seu argumento não deve ser julgado como uma história inteira. Peço-vos mantenhais esse pensamento presente, porque virá à baila mais vezes ao longo desta crítica.

O realizador J. J. Abrams, que não é nenhum parvo, claramente se apercebeu de que os "velhos" filmes foram recebidos e são lembrados de forma muito mais favorável que os novos, e certamente quis isolar o que os distingue. Desta forma, não só se inspirou fortemente na primeira triologia como também quis incorporar, neste novo filme, elementos dos antigos. Assim sendo, conforme anunciado nos cartazes publicitários, este filme conta com as participações de Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Leia Organa), Mark Hamil (Luke Skywalker, e em melhor forma que alguma vez nos últimos anos), Peter Mayhew (Chewbacca) e Anthony Daniels (C-3PO). Estes actrores veteranos não só evocam as nossas ternas memórias dos primeiros contactos com este fascinante universo de fantasia como também ajudam a passar o testemunho à nova geração de protagonistas, nos quais é, de resto, colocado o ênfase do filme. Este novo grupo de personagens não se limita a ser uma colecção de equivalentes directos dos protagonistas dos primeiros filmes, mas antes apresenta-nos uma maneira alternativa de desempenhar os mesmos papéis - em suma, uma forma diferente de fazer o mesmo; suficientemente diferente para parecer original, suficientemente semelhante para ser igualmente bom.

Espaço agora ao vilão: Em minha opinião pessoal, o vilão é a personagem mais interessante, senão a mais importante de qualquer história, e sendo tanto a marca como o mythos da Guerra das Estrelas indissociável da figura do Darth Vader, este novo vilão tem a tarefa ingrata de se fazer comparar com um dos maus da fita mais icónicos da história do cinema. Não escamoteando a comparação, este antagonista inspira-se fortemente no seu antecessor, e presta-lhe homenagem, mas não tenta, ainda, substituí-lo. Mantendo em mente o espírito de trabalho em curso, é uma personagem ainda com muito espaço não só para se tornar mais bem definida mas também para crescer, pelo que a comparação com o Darth Vader da triologia clássica se assemelha injusta; uma comparação melhor seria com o Darth Vader do Episódio III - um vilão inexperiente, mas com o potencial de se tornar uma lenda - uma característica, de resto, partilhada pelos novos membros do panteão desta saga.

Finalmente, e porque não se pode fazer um filme da Guerra das Estrelas sem um duelo de sabres de luz, direi, acerca deste, que não me satisfez como me satisfizeram os do Episódio II. Ainda que se note claramente a "semelhança familiar" com o que tinha ficado estabelecido de filmes anteriores, a ausência do trabalho de Nick Gillard, que tinha coreografado e encenado os duelos dos três filmes anteriores, é evidente, mas estou disposto a atribuir a culpa da "timidez" deste último duelo ao carácter maturescente dos demais elementos do filme, esperando que venha a crescer e a tornar-se tão impressionante como os melhores que já vimos nesta saga.

Resumidamente, direi deste filme que, se estiverdes na disposição de o apreciar no contexto a que pertence, ao invés de como uma obra estanque, recomendo vivamente que o vejais (a não ser que não gosteis de Star Wars).

Noutra nota, como não podia deixar de ser nesta data...

DJIMGOLBELS, CRL, DJIMGOLBELS!!!

Um Feliz Natal a todos os meus estimados colegas e amigos da Corporação Disco-Bar.

Pax vobiscum atque vale.

2015-12-09

Vinte e cinco porcento

(Eu queria ter feito uma piadola com o título, tipo "we are the 25%", mas não me ocorreu mais nada sequer menos mau, por isso, vai mesmo assim...)

Às tantas, o melhor é começar por recordar os meus estimados colegas e amigos que conheci a maior parte de vós num ou noutro curso de engenharia, o que nos imbuíu com habilidades matemáticas um ou dois furos acima dos comuns mortais.

Então hoje, ia eu às compras, quando fui abordado por uma menina (ou talvez uma jovem senhora). Invariavelmente, não foi o meu charme nem a minha queixada hirsuta que a atraíram, mas antes a vontade dela de me vender um cartão de crédito. Vulgar. Banal.

Como é hábito dos vendedores, ela quis exultar as virtudes do produto, entre as quais, que, em certas marcas, o cartão oferecia um desconto até 25%. (Antes de mais nada, deixem-me salientar que, com esta história do até se ludibria muita gente. Eu conheço, pessoalmente, clientes da MEO que estão a pagar um balúrdio por "até 50 Mbps de Internet", de onde tiram, num dia bom, 7 Mbps, mas não podem sequer denunciar o contrato por incumprimento da outra parte porque 7 é menos que 50*). E, para reforçar a pujança deste argumento, deu-me um exemplo prático:

"Se comprar um frigorífico da Samsung, que é coisa para custar uns 450 Euros, tem logo um desconto de, para aí, 90 Euros."

Eu confesso que, até aqui, não estava a prestar grande atenção (é que eu já tenho mais um cartão de crédito que os que uso, e outro só vem estorvar), mas esta calinada acordou-me. Desculpei-me e pedi-lhe que se repetisse, e ela gaguejou por uns momentos enquanto tentava calcular 25% de 450 de cabeça até que voltou a cair na casa dos 90. Salientei que 25% de 450 são 112.5, ao que ela me respondeu que não era de matemática nem de ciências, mas antes de Direito.

(A propósito, as engenharias contam como ciências? Eu fico tentado a dizer que sim, que é preciso enveredar pelas ciências logo no 10º ano para se chegar a engenheiro, mas, com o barulho que a malta de Física, indubitavelmente uma ciência, fazia quando os confundiam com a malta de Engenharia Física, fico sem saber ao certo...)

Mas, profissões aparte, será pedir muito que toda a gente saiba de caras que 25% de "quatrocentos e tal" não pode nunca ser menos de 100? Ainda mais, quando se está a querer vender um produto, julgo eu, deve-se pensar bem no que se vai dizer antes de abrir a boca (claro que eu sou supeito de falar, já que, quando era delegado comercial, pensava sempre muito bem nas contas antes de falar de números, mas nunca vendi nada). Está bem que eu tenho tendência a julgar toda a gente pelos mesmos padrões por que me julgo a mim e aos meus pares (vós), mas, mesmo assim, isto é o tipo de asneira que, se eu a tivesse feito na 4ª classe, me teria auferido uma valente reguada em plena palma direita.

Se calhar sou eu que estou errado, e fazer contas de cabeça é domínio exclusivo de marrões e totós, nunca de quem vende cartões de crédito vestindo um casaco de 300 Euros (que, não tive coragem de lhe dizer, nem que o Armagedão destruísse todos os outros casacos que existem valeria tal montante)...

Enfim...

Pax vobiscum atque vale.

* OK, se calhar fiz esta conta demasiado depressa. Se há algum advogado a ler isto, lembre-se que, quando se conta até 50, primeiro conta-se até 7 e depois continua-se. Se me quiser processar por difamação contra a sua profissão, eu moro no nº 7 da minha rua; depois de passar o nº 50, é uma mão cheia de portas à frente.

2015-11-07

O Gás (e a Luz também)

Estou a mudar de casa. Nada contra a casa onde vivo, mas arranjei trabalho (yay!) noutra terra, de maneira que lá fui eu tratar de arrendar um imóvel.

Maravilhas de se arrendar um imóvel:

 - O senhorio tem que assinar os papéis. E eu tenho que assinar os papéis. Mas temos de os assinar ao mesmo tempo. Acho que é parte de uma qualificação para uma modalidade olímpica nova: a assinatura de papéis sincronizada (e Portugal cai ser tão bom nisso em 2016! Vai ficar toda a gente tipo "Qual papel? O papel!"). A disponibilidade do senhorio é que pode ou não ser lá muito conveniente...
 - O senhorio também tem que pagar o imposto de selo. E depois tem que vos fazer chegar o comprovativo do mesmo, senão o próximo item fica impossibilitado.
 - As luzes não acendem, a água não corre e o gás não flui. É preciso contractá-los. Idem para telecomunicações.
 - A casa não tem nada que não esteja aparafusado, pregado ou colado às paredes, ao chão ou ao tecto. Aqui, às vezes, vale-nos uma divindade nórdica, frequentemente esquecida do panteão Asgardiano: o deus pagão IKEA, padroeiro dos entusiastas de Legos que cresceram.
 - Depois disto tudo, ainda é preciso perder um dia ou dois a arrumar as coisas todas, carregá-las num veículo de tamanho adequado (que é preciso obter, de uma forma ou outra, já que pouca gente tem tal coisa), acartá-las para onde quer que seja que se vai morar e perder o mesmo dia ou dois outra vez a desempacotar tudo.

(respirando fundo)

Enfim, maçadas há-as sempre. Mas, caramba, a Galp não ajuda rigorosamente nada!

Fui à loja do Cidadão de S. João da Madeira (é para lá que vou trabalhar (yay!)). Encontrei o balcão da Galp (não foi difícil; era o único que não era nenhum dos outros dois). Pedi para contractar os serviços deles (agora também já dão electricidade). Foi então que começaram os meus sarilhos.

A Telma, que era a menina que me atendeu, disse-me o seguinte:

 - O anterior inquilino tinha contracto de gás na Gold Star (Goldstar? Goal Dstar? Ninguém me sabe dizer). Se eu não for à Go All-Star descobrir se o contracto está activo, foi rescindido ou cortado por falta de pagamento, "vai ser difícil fazer o meu contracto".
 - O escritório da tal companhia é junto à rotunda que dá acesso à A1.
 - Preciso de obter o "bilhete de identidade dos contadores" (sic) e fazer a leitura dos mesmos. Ela apontou os números de identificação.
 - A Galp não é fornecedora de electricidade.

Em resposta, respectivamente:

 - Primeiro, os contractos, obrigações e dívidas dos inquilinos anteriores não são da minha competência ou responsabilidade. Usá-los para obstar ao meu eventual contracto é, numa palavra, "merdoso". Para além disso, ninguém com quem eu falei sequer ouviu alguma vez falar da companhia, muito menos saber onde tem instalações.
 - De acordo com as indicações da Telma, os escritórios da Goldest Arr ficam não "perto" da A1 mas sim directamente em cima da A1. Quem circular ali entre Estarreja e Porto tenha cuidado para não bater.
 - Ela sabe (que não sabe) os números de identificação dos contadores, mas não me sabe obter o "bilhete de identidade" do contador? E mais ninguém acha isto estranho? Para além disso, os contadores do gás estão em caixas fechadas que não sem abrem sem uma chave com uma cavidade triangular, para não ir lá qualquer idiota fazer mafarriquicies (também é da maneira que não consigo fazer a leitura). Isto antes de nos lembrarmos que não era a primeira vez que o contador era removido no final do contracto. Quanto ao contador da electricidade, apesar de não existir, em todo o andar, um contador com o número que ela me disse, lá o achei e fiz a leitura.
 - WTF!?

E, com isto, perdi um dia. Hoje, Sábado, quis ver se resolvia alguma coisa na loja do cidadão (mas de Viseu, que a de S. João está fechada). Disse-me a menina com quem falei:

 - "Impossível."(sic) Foi esta toda a resposta dela assim que disse que queria contractar os serviços da Galp.
 - O sistema hoje não permite contractos novos.
 - Tenho que (ser eu a) descobrir dois códigos do serviço de gás e luz. Para os descobrir, tenho que ligar para um certo número.
 - De certeza que, com uma chave de fendas ou um garfo sou capaz de arrombar a caixa onde talvez esteja o contador.

Portanto, respectivamente:

 - "Ganda" espírito! Fiquei logo cheio de vontade de continuar a tentar ser cliente desta companhia. Claramente, eles querem que eu seja cliente deles. É assim mesmo: dá trabalho, logo, é impossível. Descartes terá dito algo semelhante, mas em latim (labuto ergo non sum... ou então outra coisa qualquer). Boa!
 - Julgo que é por o sistema ser judeu. "Honrarás o Shabbath e mante-lo-ás santo". Eu acho que vi o sistema a usar uma yarmulke uma vez. E aquela penca que o sistema tem não engana ninguém.
 - Mas tenho que ser eu, porque a Galp não tem telefones (toda a comunicação interna é feita por pombos correio. Não imaginam a esterqueira que vai nos escritórios deles), e, sem isso, "vai ser muito difícil para (ela) descobri-los". Ora, a Galp não faz coisas difícies; só fáceis. Isso e, claramente, não emprega ninguém cujo trabalho seja ajudar os potenciais clientes a comprometerm-se a passar vários meses a debitar, a favor deles, os seus preciosos sheckles em troco de gás e electricidade.
 - Ela acabou de me dar instrucções de como sabotar o equipamento da empresa para a qual trabalha? Não, isso não é, nunca, de maneira alguma, nem sequer parecido com um tiro no pé.

Galp... é mais "golpe", isso sim!

Pax vobiscum atque vale.

2015-10-27

O estranho caso de KIC 8462852

Estamos a observar o espaço hà já uma boa dúzia de anos, e estamos a ficar bom nisso.
Conseguimos observar breves diminuições na luminosidade que uma estrela nos envia, e isso indica que "algo" (um planeta normalmente) passou entre a estrela e o nosso ponto de observação.

Mas repito, são breves e minusculas diminuições na luminosidade. Por exemplo, se, fora do nosso sistema solar, alguem nos estiver a observar, e Jupiter (o nosso maior planeta) passar pela "frente" do nosso sol, isso representa quase 1% de diminuição da luminosidade do nosso sol.

É aqui que KIC 8462852 nos fascina. Senão observem:


Ao longo 4 anos (2009 a 2013) observámos KIC 8462852, e esta estrela mostra decréscimos abruptos, breves e não regulares na luminosidade. Nos pontos mais recentes (mais à direita e a amarelo no gráfico), vemos 20% no decréscimo de luminosidade de KIC, repetido irregularmente entre poucos dias.

Foram feitas contas, vistos e revistos todos os modelos naturais que conhecemos, e ficamos com 3 hipóteses:

1)Ou KiC tem uma nuvem de poeira enorme à sua volta.
2)Ou KiC tem um objecto cuja órbita não é regular à sua volta.
3)???

A hipótese 1 parecia a mais provável, mas foi já descartada a 99%. Nuvens de poeira são comuns em estrelas novas, e são-nos visíveis no especto de IR(infra-red). KiC é uma estrela madura, com um ciclo de 22 dias, e o especto IR mostra 0 em poeiras.

Hipótese 2 é assustadora. Fizeram-se as continhas, e para reduzir a luz de uma estrela como KiC em 20% era preciso uma "planeta" com 50% do seu tamanho passar à sua "frente" (KiC é 1.5 vezes maior que o nosso sol. 50% disso é.... nunca antes visto)

Hipótese 3... bem,...

Digamos apenas que temos neste momento, os 27 satélites do Very Large Array a "ouvir" KiC à procura de sinais de rádio.

KiC 8462852 está a apenas 1400 anos luz. O que quer esteja a passar à sua frente e a obscurever a sua luz, aconteceu à 1400 anos atrás. Com os protótipos de propulsão que temos actualmente, demoraríamos algo com 16000 anos a lá chegar.

Os resultados do Very Large Array devem chegar ainda esta semana. Até lá, procurem por notícias de KIC 8462852 pelo google, que está cheio de teorias engraçadas.




2015-09-09

Styx Master of Shadows

Este post eh para o Peres.














Um jogo de stealth a moda antiga, em que o stealth nao eh uma opcao, eh a unica opcao!
Tu es um pequeno goblin meio marado da tola, num mundo cheio de humanos (2 vezes maiores que tu), elfos e orcs (estes entao sao tao mais maiores, que nao ha opcao de luta - eles ganham e acabou-se; por outro lado encontram-se sempre acorrentados). Todos os teus inimigos sao mais fortes que tu, pelo que tens que aproveitar as sombras para ires navegando os niveis, que sao bastante grandes.













Convem andar silenciosamente e aproveitar buracos, poisos elevados e o escuro para nao alertar os guardas (que por vezes preferem bater uma sesta em vez de fazerem o seu trabalho). Geralmente ha patrulhas, e os guardas aproveitam para parar um bocado na conversa ou para comer/beber.
















Mas vais falhar, e vais ser visto. Com sorte consegues escapar usando uma habilidade ou metendo-te num sitio seguro. Se calhar tentas esconder-te debaixo de uma mesa (sera que os guardas burros se lembram de procurar ai, ou terao preguica de se abaixar?). Ou talvez consigas matar rapidamente o adversario. Mas se uma luta 1on1 eh dificil, com mais um inimigo a morte eh quase certa.













Um joguinho porreiro que passou despercebido e fez lembrar aqueles jogos dos finais dos anos noventa. Se jogaste algum dos "Thief"s e curtiste, entao este sera um bom jogo para ti.














E obviamente, nao tem que ser so o Peres a experimentar, os outros podem tambem!

2015-07-22

Que antipático...

Pois é...

Ora ontem à noite, cedendo à pressão de variadíssimos jogos e apps diversos que, por um motivo ou outro, me pedem para usar a minha conta do Facebook (que não existe... existia), criei uma conta nesse site. Por paranoia, não coloque lá o meu nome, mas, como usei o meu e-mail "padrão", o site do Sr. Zuckerberg anunciou-me logo perante uma data dos meus estimados colegas e amigos que já lá estavam (e vice versa). Naturalmente, como os meus colegas e amigos em questão são gente simpática, tenho estado, desde ontem, a receber pedidos de amizade.

Sucede, caríssimos, que eu não faço a menor intenção de usar o site ou de lá colocar uma gota que seja de informação acerca de mim mesmo. Desta forma, indeferirei todos os pedidos de amizade que lá caírem, mas, por favor, não julgueis que somos menos amigos por isso.

A esta hora, várias horas depois de ter ignorado os vossos pedidos, estareis a pensar, "olha este antipático do Chumbinho...". As minhas sentidas desculpas, mas é que esta conta é mesmo só para jogos e apps diversos me oferecerem todas as suas funcionalidades e/ou pararem de chatear.

Gosto, como sempre, muito de vós e, parafraseando o Capitão Kirk, sou e serei sempre vosso amigo, mas aquele site já teve, da minha parte, mais actividade que o que eu julgo que merece.

Pax vobiscum atque vale.

2015-04-24

Acudam, Vingadores!

Aqui há uns anos valentes, neste blog, terei feito uma piadola com a possibilidade de um site de encontros baseado na premissa de que, nele, homens solitários poderíam encontrar mulheres solteiras que se parecessem com a Gemma Atkinson. Creio que cheguei mesmo a criar um "anúncio" para tal site:



Sucede que, na altura, eu sentia-me atraído por mulheres bonitas e esculturais, com peitos roliços e avantajados e em idade fértil. Enfim, desvarios da juventude...

Ora ontem, estava eu a passear pelo IMDb.com, quando me deparei com esta pérola, que passo a transcrever:

     "To help hide Scarlett Johansson's pregnancy, three stunt doubles were hired. This caused a lot of confusion among the other actors since, according to them, all of the stunt women looked very similar to Johansson. Chris Evans stated that it got to the point where he would say hello and start a conversation with one of them, only to realize mid way that the person he was talking to wasn't Johansson."

OK, deixa cá ver se percebo... Circulam portanto por aí pelo menos três (3) senhoras que se parecem tanto com a Scarlett Johansson que mesmo o actor Chris Evans não conseguia, mesmo depois de ter acabado de iniciar uma conversa com uma delas, distinguo-las da própria Srª. Johansson.

O Chris Evans. O mesmo Chris Evans que já tinha contracenado com a Scarlett Johansson no primeiro filme dos Vingadores. O Chris Evans cuja personagem em "The Nanny Diaries" tem uma relação romântica com a personagem da Scarlett Johansson. Aquele Chris Evans que pasou essencialmente toda a duração do filme "Capitão América - O Soldado do Inverno" sentado ao lado de, caminhando ao lado de, conversando com ou beijando a Scarlett Johansson. E o homem não as conseguia distinguir...?

Pois...



... agora já não parece assim tão descabido, pois nao?

Pax vobiscum atque vale.

2015-03-06

ThePiratebay bloqueado

O ThePiratebay foi bloqueado em Portugal, por ordem judicial:

"

O site a que se pretende aceder encontra-se bloqueado na sequência do cumprimento de ordem judicial"


Acho que há conteudo pirata ou algo assim. Não sei, nunca lá fui.

Um primo de um vizinho meu disse-me que não alternativa. Não existe nada como Pirate Proxy ponto sx, ou Proxy bay ponto info.

Enfim.


2015-01-14

Dos estudantes universitários Portugueses

Antes de mais nada, perguntem-me por que é que estou a fazer este post. Vá lá, perguntem. A sério...

        "ArabianShark, por que é que estás a fazer este post?"

Excelente questão. A respota simples é "porque tenho coisas para fazer, mas não me apetece fazê-las, portanto, vou fazê-las assim que acabar de fazer esta outra tarefa que me ocorreu ainda agora e que é postar no blog da malta". Ou seja, estou a procrastinar...

        "Mas, ArabianShark, isso não é, digamos, feio?"

Sim, é, seu sacana moralista, muito obrigado. Agora cala-te e vê o filme...

É verdade, hoje trago um filme para vós. Apraz-me dizer, acerca do mesmo, antes de aqui o colocar, para vos evitar a maçada de andar a clicar em links e ser redireccionado para outros sites (afinal, aqui no Disco-Bar é que se está bem), que se trata de uma produção da revista "Sábado", que foi para as ruas de Lisboa entrevistar uma centena de estudantes universitários. A esta altura, os meus estimados colegas e amigos já deduziram, de certeza, que vai sair daqui asneira, e não sem razão. Ora, os leitores e colaboradores deste blog que me conhecem conheceram-me quando éramos estudantes universitários, o que ainda não foi assim há tanto tempo quanto isso, de maneira que, apesar de já não ser uma classe com a qual nos identifiquemos completamente, continua a ser uma classe com a qual (pelo menos eu) sinto alguma afinidade. Resta-me a consolação de saber que, uma vez que o filme retrata muito menos de 100 estudantes, a grande maioria deve ter feito suficientemente boa figura para não figurar no filme.

Portanto, sem mais delongas, permitam-me apresentar...

O Filme:


*suspiro*

Pax vobiscum atque vale.

2014-12-24

Mais uma vez...

... estamos naquela altura do ano. O perú está no forno, a lareira está acesa (mas há de se apagar, não se queime o Pai Natal), os presentes estão debaixo da árvore e os ausentes no coração. Não resta senão dizer...

DJIMGOBELS CRL, DJIMGOBELS!!!

Um Feliz Natal para todos os meus estimados colegas e amigos da Corporação Disco-Bar :)

Pax vobiscum atque vale.

2014-12-18

Não consigo imaginar um título adequado ao conteúdo desta entrada...

... porque, simplesmente, estou sem palavras.

Bem, vamos lá começar por relatar os factos.

Então sucedeu que, a 17 de Setembro de 2011, enquanto eu andava ocupado a arranjar casa em Londres, um vilão quis assaltar uma padaria em Albergaria-a-Velha, no distrito de Aveiro (quem transitava de autocarro entre Aveiro e Viseu ou São Pedro do Sul conhece a localidade, de certeza). Entrou pelo establecimento adentro, de cara tapada, com uma espingarda de caça e atingiu o dono, que, depreendo, especulando, não deve ter ficado lá muito satisfeito. Fortuitamente, familiares do cavalheiro vieram em seu auxílio e subjudaram o assaltante, servindo-se, para o efeito, de murros e pontapés (para este último pormenor, acerca do qual ouvi na televisão, não encontrei fonte que possa citar, por isso, não vou postar isso na Wikipédia, mas digo-lo-vo). Ora sucede (e isto posso eu, que nunca assaltei nenhuma padaria, mas já levei tanto socos como pontapés, confirmar) que murros e pontapés, portanto, aleijam. Imagino, de novo, especulando, que aleijem mesmo quando são recebidos no decorrer ou como consequência de cometer um crime. Calha mesmo que estes aleijaram tanto que o bandido que os recebeu ficou em mau estado. Ora, apesar de me identificar como um pacifista, não posso, honestamente, dizer que tenha pena de um indivíduo que é maltratado por pessoas que tentam defender um parente que a "vítima" acabou de balear deliberadamente e com intenção de roubar.

(fim da parte mais ou menos razoável)

Sucede que hoje, 17 de Dezembro de 2014 (25º aniversário dos Simpsons, que se estrearam no programa "The Tracy Ulman Show" e que hoje são um importante marco na cultura popular Americana e quiçá da Humanidade), três anos e três meses depois do sucedido, ao ladrão, que tinha acusado as suas próprias vítimas de, no acto de meramente se defenderem, desarmados, depois de um deles ter recebido um ferimento de uma arma de fogo, crimes contra a sua integridade física, foi concedido, por acordo, uma indeminização de 7500 euros.

Portanto (TL;DR):
    - Bandido assalta padaria;
    - Bandido atinge dono da padaria;
    - Parentes da vítima defendem-na de outros eventuais ferimentos e/ou mafarriquices;
    - Tribunal concede ao bandido o direito de chatear a vítima tanto que...
    - Vítima e familiares acedem a indeminizar bandido só para se livrarem da chatice.

Vocês lembram-se de, aqui há muitos anos, lermos acerca de casos jurídicos nos Estados Unidos como "homem põe charutos no seguro, fuma-os e reclama indeminização sobre os bens segurados que foram destruídos numa série de pequenos incêndios", o contra-processo da seguradora por "várias instâncias de fogo-posto" ou mesmo "homem adquire auto-caravana com cruise control, activa o cruise control, ausenta-se do lugar do condutor e processa o fabricante do automóvel na sequência do acidente resultante por não lhe terem explicado que cruise control não é um piloto automático"? Lembram-se, igualmente, de pensar "eh, pá, isto só na América"? Recordam-se, porventura, do misto de alívio e desapontamento ao saber que algumas dessas histórias se vêm a revelar como farsas? Cheira-me que isto nem na América.

Em prol de toda a verdade, apraz-me dizer que, apesar da indeminização que a vítima e familiares acederam a pagar ao assaltante, este último tinha sido condenado a pagar uma indeminização de maior valor às suas vítimas, na qual este novo valor será descontado, mas sou da opinião que isso não desculpa os tribunais por terem permitido que se chegasse a este ponto do que eu consigo qualificar apenas como "estupidez".

Fontes:
Jornal de Notícias (visitado em 17 de Dezembro de 2014)
Notícias ao Minuto (incluído apenas porque apresenta verbatim o mesmo texto do JN, o que eu achei digno de nota)
Visão (apenas resumo, incluído à laia de TL:DR das fontes)

Pax vobiscum atque vale.

(Isto nem na América...)