Felicidade...tudo o que eu quero...ah, tu também, idealista? E tu, materialista? Como? Todos a queremos? Mas...se ela não existe...
Todos querem um pouco da fumaça...aliás, todos querem segurar a névoa...e nunca a largar. Jamais ficar triste...não ter remorsos...não ter sequer situações que pudessem levar a remorsos ou tristeza. Só sorrisos...a cara dorida da constante posição de felicidade dos lábios. Dorida, disse? Mas que dor, se seríamos felizes? A boca só poderia sorrir ainda mais...
Sonhemos, portanto...que as minhas palavras pintem um quadro para o qual possamos todos olhar...e que ele enfeite as paredes de cada um de nós. Cada parede! Para que jamais nos esqueçamos do que nunca poderemos ter. É uma tela. Um simples deserto branco onde alguém construiu um paraíso inacessível. Material de sonhos. E são os sonhos que nos guiam. É o desejo por algo que nos faz passar de A a B. E de volta para A. E talvez mesmo para Z, só para depararmos então com o início, trocista, aguardando mais uma volta. Que importa? Algum dia pararemos. Algum dia teremos o Z só para nós.
Como somos bonitos...e estranhos, somos estranhos...mas estranhos apaixonantes, estranhos que dão vontade de observar todos os dias, a cada hora, analisando cada ínfimo gesto.
Não há felicidade. Não há amor duradouro, fortuna ou saúde eternas. Há momentos em que a boca não sente dor e as cicatrizes da guerra não doem tanto. São essas crianças que nos pedem que as acarinhemos, que cuidemos delas e as façamos crescer. Mesmo sabendo nós que elas morrem amanhã. Ou daí a um mês. Ou no dia da nossa morte. E esse pode ser amanhã. Não há felicidade a longo prazo. Porque não temos longo prazo. Não sabemos se o temos, e ainda bem. Há o agora. A felicidade não se constrói. Quem o diz perdeu ainda mais, enquanto erigia o seu império de sorrisos. E agora que o tem, cansa-se. Não lhe parece suficiente.
Merda para o futuro! Nele só há memórias e cicatrizes! Porque o bem já passou. E esperou por nós enquanto se preparava já para dar outro passo.
O essencial é a consciência. Fazê-la em palha, para que não pese. Em betão, para que não desapareça com os ventos do passado. Enganam-nos...o que não existe é o futuro. E o passado. O nosso passado é que nós guardamos. O nosso futuro não é...Só o presente existe realmente. Só a ele o vemos e ouvimos e tocamos...
E que venha o bem sucedido e o que tem sorte ao amor e todos os que se dizem felizes no mundo. Eu prometo sorrir por eles. Afinal, eu acho-me feliz. Não sei por quanto tempo. Que idiota...
2006-02-16
2006-01-24
2006-01-22
.|.
"Porque esta cena das citações já não tem piada!"
Adivinhem quem foi? (EU)
2006-01-19
*
"Porque o mundo é o Inferno e os homens são por um lado as suas almas atormentadas, e por outro os diabos à solta."
Arthur Schopenhauer
2005-10-30
Histórias a mais
Não serei único nisto...mas sei que apenas eu o faço assim. Só eu vejo em cada passo que dou mais um na direcção do que me espera, em cada gota de água que decora o meu casaco uma gota de tinta que completa aquele cenário, em cada mulher que acho bela a donzela que devo salvar. Um mar a ser atravessado na poça que se deita no passeio perante mim, um desafio no mais pequeno problema com que me deparo.
Mais pessoas o fazem. Mas só eu o faço assim. Sou eu o único herói da minha vida, os outros não mais que figurantes mais ou menos importantes desta lenda já esquecida antes de sequer estar escrita. Então porque me importo com personagens secundárias? Porque embarco em longas conversas, me rio de piadas, me preocupo e me apaixono por outros? E porque sabe isso tão bem? Porque não posso viver sozinho, na perfeição do erro que sou? Sem seres fascinantes irrompendo por minha minúscula compreensão, divina no seu mundo que é o meu também?
Não posso viver comigo e os meus eus? Porque sofrer por outros é tão natural como a morte...e a morte é frustrante...é contrária ao herói que sou...porque um herói passa a vida lutando por ela. Para no fim esperar apenas que a sua história ainda ecoe...
Mais pessoas o fazem. Mas só eu o faço assim. Sou eu o único herói da minha vida, os outros não mais que figurantes mais ou menos importantes desta lenda já esquecida antes de sequer estar escrita. Então porque me importo com personagens secundárias? Porque embarco em longas conversas, me rio de piadas, me preocupo e me apaixono por outros? E porque sabe isso tão bem? Porque não posso viver sozinho, na perfeição do erro que sou? Sem seres fascinantes irrompendo por minha minúscula compreensão, divina no seu mundo que é o meu também?
Não posso viver comigo e os meus eus? Porque sofrer por outros é tão natural como a morte...e a morte é frustrante...é contrária ao herói que sou...porque um herói passa a vida lutando por ela. Para no fim esperar apenas que a sua história ainda ecoe...
2005-08-12
"A Vida é Sempre a Perder"
Perco o meu destino num gume de uma navalha, ao fundo um acorde de guitarra, e eu sei, que assim que a lâmina ferir a minha alma... vai ficar tudo bem! E porque é tarde - porque sempre foi tarde - não dá para esperar nem mais um segundo. Cansa respirar e este constante arrogante palpitar já foi longe demais.
A vida é uma fronteira! Fica retido neste meu olhar aquela vontade de amar, aquele medo de sofrer, aquele receio de magoar, o dilacerante desejo de morrer. O acorde ecoa num timbre final, num suspiro terminal, na visão obsoleta de um corpo mazelado e frio, afogado em solidão e escorraçado pelo seu próprio sangue. Tão demente, tão hediondo que o vómito do sofrimento padece por sofrer.
Com este adeus começa... o fim! Termina mais uma história, outra lição de vida. Destino, se o houve, desmorou-se no destino de si mesmo, no decapitar sangrento de toda a resignação que em cólera se havia camuflado. Foste um espelho e um espectador, um atento crítico de uma farsa perdida. Trabalhaste o improviso de um riso, o charme de um pensar, esboçaste num rascunho tosco uma personalidade ingrata e fútil. Foste um nada, um desejar ser nada querendo ser tudo.
Mereço morrer!
A vida é uma fronteira! Fica retido neste meu olhar aquela vontade de amar, aquele medo de sofrer, aquele receio de magoar, o dilacerante desejo de morrer. O acorde ecoa num timbre final, num suspiro terminal, na visão obsoleta de um corpo mazelado e frio, afogado em solidão e escorraçado pelo seu próprio sangue. Tão demente, tão hediondo que o vómito do sofrimento padece por sofrer.
Com este adeus começa... o fim! Termina mais uma história, outra lição de vida. Destino, se o houve, desmorou-se no destino de si mesmo, no decapitar sangrento de toda a resignação que em cólera se havia camuflado. Foste um espelho e um espectador, um atento crítico de uma farsa perdida. Trabalhaste o improviso de um riso, o charme de um pensar, esboçaste num rascunho tosco uma personalidade ingrata e fútil. Foste um nada, um desejar ser nada querendo ser tudo.
Mereço morrer!
2005-07-24
*
Nos meus sonhos... és minha! Neste meu mundo, feito por mim, tenho-te e desejo-te tanto que, no fundo, este meu mundo é teu. Respiro o teu suave cheiro, delicio-me no delíquio dos teus lábios e desmaio perdido no teu corpo. Aqui, a eternidade demora o que a paixão quiser.
E como me sabe bem ter-te. Se te abraço, se te agarro, se te beijo... e se acordo?! São meros sonhos, simples entorpecimentos inconscientes, momentos esquecidos no mais utópico canto da memória. Mas enquanto sonho, tudo é tão real como quanto a realidade pode ser.
Quero adormecer, deixem-me ao menos sonhar - a minha vida são os meus sonhos, é a vogante vontade de amar. Não sei ser feliz, mas quando vedo os olhos e te vejo na escuridão não preciso saber... Morrerei quando acordar!
E como me sabe bem ter-te. Se te abraço, se te agarro, se te beijo... e se acordo?! São meros sonhos, simples entorpecimentos inconscientes, momentos esquecidos no mais utópico canto da memória. Mas enquanto sonho, tudo é tão real como quanto a realidade pode ser.
Quero adormecer, deixem-me ao menos sonhar - a minha vida são os meus sonhos, é a vogante vontade de amar. Não sei ser feliz, mas quando vedo os olhos e te vejo na escuridão não preciso saber... Morrerei quando acordar!
2005-07-12
Gimme' Your Best Shot

O Verão queima-nos as delicadas entranhas, por estes dias. O sangue ferve, muito graças a roupas minimalistas ou à sua respectiva inexistência, e a líbido assemelha-se a um hamster aproveitando os seus últimos momentos de vida com uma overdose de ecstasy. São dias em que o animal em nós parece sair à rua com desmesurada frequência, só esporadicamente regressando à toca enquanto nos deixa matutando sobre o que acabamos de sentir. E agora...mais uma das questões pseudometafísicas (dicionários são fiiixxxss) que tanto me apraz colocar. E aqui vai, portanto...Em vossa opinião, caros frequentadores do Disco - "Onde somos todos filhos do mesmo verme" - o que é que torna a vida verdadeiramente interessante?
Se partilharem - ainda que vagamente - da minha opinião, e responderem "Simplesmente estar vivo", tentem perscutar um pouco mais fundo os recantos cavernosos das vossas mentes. Não peço o passatempo favorito, nada disso. Tão somente um aspecto razoavelmente definido (não tem de ser concreto, e não é de aspectos concretos que estou à espera, mas façam o favor de me surpreender) que tenha o condão de proporcionar um paladar especial à vossa estadia nesta louca bola de espelhos rodopiante que grassa pelo vazio(??) interminável(?).
A minha humilde pessoa(!?) pensa que nada dá mais gozo à vida que a diversidade de pensamentos e opiniões. O "caos" (não aprecio o gosto do vocábulo, mas ultramegahiperdiversidade era muito comprido) de individualidade que (ainda...) existe no nosso Mundo, e a forma como todos, nas nossas peles de padrões mais ou menos distintos, tentamos entender as acções e pensamentos do próximo, sem nunca o conseguirmos verdadeiramente...mas sem nunca deixarmos de o fazer. E eu sei que pedi apenas um, mas o aspecto que acabei de referir encontra-se (acreditem) perfeitamente empatado no topo com essa hydra com a tendência para enigmas e questões difíceis de uma esfinge que é, tão simplesmente, o amor...
Iluminem-me, então, com a vossa visão do que é melhor na vida, o que vos faz realmente mexer...dêem-me a gasolina mais aditivada que encontram por estas paragens...e depois, se ainda tiverem paciência, critiquem as opções do indivíduo mais próximo.
Um Verão...razoável...
2005-06-30
Para Além do Bem e do Mal (desculpa, Friedrich Wilhelm)
Não raras vezes dou comigo a pensar se escrevo porque tal me preenche...ou se, pelo contrário, colocar pensamentos por palavras (actos e omissões - não resisti) é como puxar um autoclismo interior. Mas que se dane, a verdade (e ela existe?) é que me permite alhear da minha eterna odisseia de descoberta do meu lugar.
Mas vamos a isto, pois que sinto o metabolismo abrandar a cada letra. E uma vez mais vos proponho (caros irmãos - eu tenho de parar de gozar com os senhores da Cruz) um exercício, que, espero, se revele ainda mais capaz de mexer com as vossas entranhas (só para o caso do anterior não o ter feito) do que a questão da tristeza e da alegria. Companheiros de pensamentos demasiadamente intrincados para permitirem uma vida social razoavelmente fútil e, portanto - atendendo à sociedade de hoje - saudável: Existe...Bem e Mal?
Dizem os Pearl Jam - esses oráculos na Terra - o seguinte: "There's no right or wrong, but I'm sure there's Good and Bad" Thumbing My Way to Heaven, versículo 4, parágrafo 35. Da forma como eu o vejo, o verso indica-nos as intenções como o ponto de um acto a medir. Será correcto, este ponto de vista? Se, com a teoricamente melhor das intenções - amarmos alguém (num próximo post explicarei porque acho o amor e a paixão elementos com muito de nefasto) - prendermos essa pessoa em casa para que não se magoe...é correcto? Ou errado? E é um exemplo de prática do Bem? Ou do Mal? Seguindo a lógica Pearljamiana - soa-me a nome de droga... - é um acto Bom. Não interessa se a/o prisioneira/o por amor (obsessão!, grita o povo, e eu quase que grito com ele) é tocado pelo espectro da demência, por ter de conviver consigo mesmo e os seus pensamentos , cada vez mais livres das grilhetas - quem diria que podem ser saudáveis - da rotina e da sociedade. A intenção foi proteger o ser amado, e provavelmente não há melhor razão para um acto. Mas, e se um(a) outro/a apaixonado/a pela pessoa em causa se dá conta do trágico rumo que a vida desta tomou? Não terá ele razões para, digamos, matar (no mínimo umas costelas, convenhamos) o/a Romeu/Julieta del Cárcere? Afinal, trata-se do indivíduo responsável pelo boicote do futuro deste último apaixonado com a pessoa aprisionada.
Seguramente já deu pa perceber que é uma flor plena de espinhos, esta questão...por um lado, as intenções são extremamente importantes. De nada vale ajudar uma pessoa se a intenção é sermos nós a enterrar-lhe qualquer vontade de viver. Assim como não pode ser descurada a intenção de uma pessoa que causa problemas a outra ao tentar ajudá-la. Mas, vistos do lado das consequências, estes dois casos ficam completamente alterados.
Mais uma vez aguardo, na minha poltrona - útero de cada novo pensamento meu - os vossos pontos de vista. Porque, como já alguém dizia, a graça da vida é que passamos muito (demasiado) tempo a tentar entender, não só os actos de outros, mas também (estranho, não?) os nossos. Ide em Paz, e que a Força esteja convosco.
Ah, e não se esqueçam do que dizia Nietzsche: "Qualquer acto de amor está para além do Bem e do Mal." Por isso, apaixonem-se por tudo o que fazem. Só assim sairão de uma grande idiotice com a consciência limpa. Tanto quanto possível, pelo menos.
Mas vamos a isto, pois que sinto o metabolismo abrandar a cada letra. E uma vez mais vos proponho (caros irmãos - eu tenho de parar de gozar com os senhores da Cruz) um exercício, que, espero, se revele ainda mais capaz de mexer com as vossas entranhas (só para o caso do anterior não o ter feito) do que a questão da tristeza e da alegria. Companheiros de pensamentos demasiadamente intrincados para permitirem uma vida social razoavelmente fútil e, portanto - atendendo à sociedade de hoje - saudável: Existe...Bem e Mal?
Dizem os Pearl Jam - esses oráculos na Terra - o seguinte: "There's no right or wrong, but I'm sure there's Good and Bad" Thumbing My Way to Heaven, versículo 4, parágrafo 35. Da forma como eu o vejo, o verso indica-nos as intenções como o ponto de um acto a medir. Será correcto, este ponto de vista? Se, com a teoricamente melhor das intenções - amarmos alguém (num próximo post explicarei porque acho o amor e a paixão elementos com muito de nefasto) - prendermos essa pessoa em casa para que não se magoe...é correcto? Ou errado? E é um exemplo de prática do Bem? Ou do Mal? Seguindo a lógica Pearljamiana - soa-me a nome de droga... - é um acto Bom. Não interessa se a/o prisioneira/o por amor (obsessão!, grita o povo, e eu quase que grito com ele) é tocado pelo espectro da demência, por ter de conviver consigo mesmo e os seus pensamentos , cada vez mais livres das grilhetas - quem diria que podem ser saudáveis - da rotina e da sociedade. A intenção foi proteger o ser amado, e provavelmente não há melhor razão para um acto. Mas, e se um(a) outro/a apaixonado/a pela pessoa em causa se dá conta do trágico rumo que a vida desta tomou? Não terá ele razões para, digamos, matar (no mínimo umas costelas, convenhamos) o/a Romeu/Julieta del Cárcere? Afinal, trata-se do indivíduo responsável pelo boicote do futuro deste último apaixonado com a pessoa aprisionada.
Seguramente já deu pa perceber que é uma flor plena de espinhos, esta questão...por um lado, as intenções são extremamente importantes. De nada vale ajudar uma pessoa se a intenção é sermos nós a enterrar-lhe qualquer vontade de viver. Assim como não pode ser descurada a intenção de uma pessoa que causa problemas a outra ao tentar ajudá-la. Mas, vistos do lado das consequências, estes dois casos ficam completamente alterados.
Mais uma vez aguardo, na minha poltrona - útero de cada novo pensamento meu - os vossos pontos de vista. Porque, como já alguém dizia, a graça da vida é que passamos muito (demasiado) tempo a tentar entender, não só os actos de outros, mas também (estranho, não?) os nossos. Ide em Paz, e que a Força esteja convosco.
Ah, e não se esqueçam do que dizia Nietzsche: "Qualquer acto de amor está para além do Bem e do Mal." Por isso, apaixonem-se por tudo o que fazem. Só assim sairão de uma grande idiotice com a consciência limpa. Tanto quanto possível, pelo menos.
Para variar...uma decisão fácil (ou não!)
O que proponho ao leitor é um simples exercício, avisando desde já - embora duvidando de tal ocorrência - que futuras depressões ou estados de prolongada contemplação derivados das conclusões deste post não são da responsabilidade do autor. Comecemos, então, pois que o nefasto tabaco ameaça, a cada momento, levar-me para mais longe de vós.
Tristeza...alegria. Dois antónimos. E duas palavras dotadas de uma bela particularidade...estão foneticamente em consonância com o seu significado. E o exercício é o seguinte: olhe o leitor para trás, para o seu passado. Não sendo os menores de 14 meses aconselhados a frequentar o Disco-Bar, tomo como como garantido que o leitor possui ambos os vocábulos em causa na sua experiência como ser humano. Mais ainda, que o leitor matutou e alcançou consciência (condição horripilante de esclarecimento - não raro em demasia) dessas suas experiências. Olhemos portanto para trás do ombro...e peço um olhar frio, essencialmente direccionado à estética e o mais distante possível dos sentimentos. E aqui vai:
agora que vê as coisas com outros olhos (isto é fundamental), de qual gosta mais? Da chuva de Outono no corpo nu que é a tristeza...ou do radioso dia de sol que é a alegria?
Pode ficar aqui a minha opinião...E ela está nas metáforas que empreguei. Um dia de sol radioso é algo capaz de reabilitar um coração mais amarfanhado que o capacete de um operário vitimado. São horas em que o astro rei faz juz a designação, e em que os instintos falam mais alto. Somos felizes, porque o céu é azul e está calor. Porque, no fundo, as coisas simples são o melhor da nossa vida, e perdoem-me o lugar comum.
Mas, e a tristeza? O Outono, cujas nuvens de vários matizes de cinzento falham, não raras vezes, em encobrir pedaços de azul...da felicidade simples que a nossa vida teve e parece ter perdido para todo o sempre? E a chuva casual que nos molha? E, se por acaso, estivermos nus, como referi na metáfora? Não é desagradável? Claro. Mas...não é belo? E não é também bela a noite tempestuosa? Ou a pessoa, envergando um casaco preto, que ondula ao gélido vento outonal e é tornado pesado pela chuva miúda, que parece posar para uma câmara que só ela vê, num precipício povoado por uma única árvore, tão despida de folhas como a pessoa de razões para sorrir? Não é uma imagem simples...não é uma imagem agradável, se nos imaginarmos no lugar desse indivíduo - ou mesmo da árvore, nua e sem capacidade para fugir à chuva, ao vento, e ao tecto de betão que as nuvens formam. Mas, esteticamente, é bela. Imaginem-se num quadro com esse tema. O céu ainda é escuro, mas o vento não é frio e a chuva não vos gela a pele. É uma cena muito mais poética e dada a interpretações que um simples céu azul...A diferença entre cada um dos meus textos é prova disso.
Quem está de alguma forma ligado a artes poderá (sublinho) ter mais facilidade neste exercício. Porque é inegável que são as fazes tristes as mais pródigas no fornecimento de temática e não só para as obras.
A tristeza é complicada, e muito melhor amante que a alegria, essa mulher de beleza simples mas enorme que nos cativa simplesmente porque nos lembramos dela. A tristeza é uma dama de negro que deita nas suas roupas perfumes inebriantes: melancolia, dor, confusão...é muito mais dedicada e protectora de cada marido que pretende devorar. O caminho para ela é cheio de descobertas que nos fascinam, e não raro de alegrias efémeras. E sempre a fêmea obscura surge quando nos separamos da alegria, acarinhando-nos e oferendo-nos a sua cama.
Não há duvidas sobre que estado preferimos. Mas os sentimentos nem sempre nos devem desviar de conclusões que parecem lógicas. Dêem-me as vossas. Um bem haja, esperando que actualmente partilhem o vosso leito com a alegria.
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