2017-02-26

No mundo do Facebook, o que acontece aos ciclos de feedback?

No mundo utópico da Internet aberta, os ciclos de feedback eram relativamente simples.

Vamos supor que a companhia Pêra tinha o PêraLivro Pro.

Eu queria comprar o PêraLivro Pro, procurava pelo PêraLivro Pro 2016, via as reviews, e decidia comprar.

Na verdade, não funciona assim tão bem.
Primeiro, porque a maior parte das companhias usa modelos semelhantes e confusos, como forma de implementar o confusopólio (curiosamente, a Apple não o faz). Outra consequência disto é o facto dos testes comparativos da Proteste serem úteis em termos de informação, mas não em termos do modelo 'Escolha Acertada', dado ele nunca existir no mercado à altura da publicação.

Segundo, porque se por um lado as reviews continuam a existir em revistas de especialidade, aparenta existirem dois tipos de review:
  • as pagas pelos fornecedores do produto ou serviço a ser feito o review
  • as mal feitas, sem um bom estudo.
Concretizo isto num exemplo: tentem determinar qual o melhor fornecedor de VPN, por mais ou menos €5/mês, que existe. Vão chegar à conclusão que é uma com um símbolo fofinho verde -- Private Internet Access.

No entanto, para os utilizadores reais de VPN, vão chegar à conclusão que será a AirVPN.

Terceiro, o facto de as pessoas 'verdadeiras' comentarem no Facebook e em mais nenhum lado, em rants minimalistas (caso contrário ninguém lê), e não em textos de maior qualidade, leva a que o estudo de mercado que possam fazer seja francamente reduzido, e tenha de ser baseado na echo-chamber que o Facebook é.


Por outro lado...
Podemos estar simplesmente a ver a democratização do acesso à Internet e das leis do custo benefício a funcionar, misturado com um race to bottom. Podemos ver isto assim:
  • o Facebook dá voz a incontáveis pessoas que não querem gastar muito tempo na publicação e o fazem como forma de cimentar os laços pessoais e sociais e nada mais.
  • os blogs, com um custo de publicação (em termos de tempo, por exemplo) superior ao Facebook, relegados segundo plano
  • revistas selectas com reviews decentes, como existindo, mas sendo reduzidas dado o modelo maioritário, o modelo do click-bait, incentivar trabalho nas headlines e pouco ou nenhuma no corpo do texto.

Assim, na Internet, a promotora da igualdade do acesso à informação, acabou por ser moldada à semelhança da sociedade que a usa, a reduzir os ciclos de feedback de tal forma que se torna difícil (mas não, espero eu, impossível), encontrar fontes úteis de informação.

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