2012-09-10

opinião sobre: "SIBS: Como lidar com o monopólio"

Para a secção de "polícia da internet" ou "castigadores da parvoice", o artigo intitulado "SIBS: Como lidar com o monopólio", que deve grande popularidade nas redes sociais, aparenta ter erros factuais na sua argumentação, nomeadamente sobre quem são os responsáveis por aumento das taxas.
Acredito mais nos dois últimos comentários da página que no artigo em si.
Devo acrescentar que, apesar das premissas aparentarem estar erradas (nomeadamente, responsáveis pelas taxas), a proposta parece-me, no entanto, viável (note-se: isto é um juízo de valor, não de facto), apesar de não ir resolver o problema dado que as premissas do problema estão erradas.
Citando um tal Fernando de um comentário do post em questão:
Há aqui muita confusão quanto aos protagonistas. Fala-se como se as comissões pagas pelos comerciantes fossem integralmente para a SIBS, quando só uma pequeníssima parte do valor pago é para esta empresa. A maior parte do valor pago vai para a entidade emissora do cartão usado (por exemplo, um banco português), para a entidade detentora da marca de cartão (Visa, MasterCard, etc.), para a entidade que instalou o terminal de pagamento (em princípio outro banco), para o banco onde o comerciante tem conta e para o nosso banco (que autoriza o débito em conta). O valor cobrado pela SIBS é, de todos, o mais baixo. O emissor do cartão deve ser dos que mais cobra, pois, se alguns devolvem ao cliente 1% do valor das suas compras (por ex., um banco credita esse valor num PPR em nome do cliente), é porque cobram bem mais do que 1%…


Acrescento também, de um tal Cristóvão Matos, de um comentário ao mesmo post, ênfase meu:
Porque é que não é correcto dizer que a SIBS é um MONOPÓLIO:
A SIBS FPS, enquanto processador puro, é uma infra-estrutura. Há que separar a infra-estrutura dos serviços (comercial). Tome-se o exemplo da rede ferroviária: não é economicamente eficiente que cada operador crie a sua rede ferroviária, mas sim que disponibilize serviços sobre uma rede comum (ex: REFER). O mesmo se aplica à rede eléctrica: a REN gere a infra-estrutura, que é usada pela EDP, pela Endesa, etc…
O negócio de processamento é um negócio de volume, só sustentável acima de 1000 milhões de transacções / ano. Quanto maior o volume, menor o custo.
A SIBS FPS é o 5.º/6.º maior processador europeu. Existem cerca de 15-20 processadores significativos (volume superior a 500 milhões/ano) e a tendência que se tem verificado é a da consolidação, ou seja, redução do número por via de fusões/aquisições.
O modelo de negócio da SIBS é de cost-recovery, ou seja, de cobertura dos custos operacionais. A SIBS é um dos processadores europeus mais baratos – o custo médio por transacção é de 0,1 €. O da SIBS é metade.
A vertente comercial do serviço SIBS, ou seja, a disponibilização de serviços sobre a rede Multibanco (rede da SIBS FPS) é responsabilidade da SIBS Pagamentos (dona do scheme/marca MB), e dos clientes (bancos acquirers/emissores, entidades de pagamentos, etc…).
O mercado português não está fechado a outros processadores. Se os bancos escolhem a SIBS como processador não é por favor, porque têm outras possibilidades. É porque é o mais eficiente e porque tem os melhores serviços. A rede Multibanco apresenta uma oferta de serviços que é úma referência mundial ao nível de serviços.
Portanto, deveriamos estar todos muito orgulhosos por termos uma empresa reconhecida a nível mundial pela sua capacidade de inovação à escala global: foi em Portugal e com a SIBS que nasceram os cartões pré-pagos carregados em ATM, as compras de bilhetes de comboios e espectáculos, os pagamentos ao Estado, o MB Net, a Via Verde, o pagamento de Portagens, etc…
Não sei se sabem que enquanto que em Portugal é possível fazer quase tudo num ATM, no estrangeiro, apenas uma pequena fracção desses serviços está disponível.

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