2012-01-27

ACTA; censura selectiva no Twitter : uma exploração do futuro

O Twitter vai começar a censurar tweets de forma localizada, para respeitar as leis de cada país. Acho que não têm outra opção e, visto que afirmam avisar a pessoa e registar de forma apropriada os tweets escondidos ou removidos, parece-me normal e sensato...

Mas...


Resolvi ir ver um exemplo de algo que eles tivessem censurado. Um cromo qualquer no Twitter a fazer publicidade a um site de torrents muito conhecido cuja percepção pelo público em geral é que 90% do material lá é ilegal, comentando que a "sheet music" de não sei o quê custa $105 mas é grátis no tal site.

E o tweet foi removido. Fair enough.


A questão é... Se eu fosse um gajo que trabalhasse numa companhia tipo RIAA ou MPAA, eu ia fazer pressão para os ISP/serviços de chat/conversação começassem a censurar certos links. Não faz sentido eles mandarem os tweets públicos abaixo e em privado por chat as pessoas conversarem sem problemas os endereços desses mesmos sites.

Notem que o MSN Messenger já censura silenciosamente links de sites como o Mediafire.com e links para páginas de phishing (parece que envia o link mas depois nunca chega à outra pessoa, ou ás vezes dá erro uns dois minutos depois de enviares).

Para quando a implementação disto de forma geral? Por exemplo, dizes "baiadospiratas.com" e a mensagem não é entregue e alguém recebe um e-mail a dizer que tu estás a incentivar à pirataria, podendo tu ser ou não notificado do facto de teres sido censurado e de essa tua má acção ter sido registada algures?

Eu acho que provavelmente é esse o caminho a seguir -- não faria sentido pararem onde estão e não faz sentido as companhias não tentarem proteger os seus "direitos".

A ACTA é provavelmente um passo mais perto dessa realidade. Eu tenho de ler as 39 páginas daquela treta e provavelmente vou ficar na mesma que aquelas coisas são escritas de maneira a desincentivar de as ler e compreender.

Mas no meu ponto de vista a ACTA vai permitir coisas como (interpretação livre do texto de várias fontes):
  • tirar-te a Net caso te portes mal (não diretamente mas o ISP passa a ser responsável pelo teu comportamento e o mais normal é cortar-te a Net antes que seja processado)
  • pôr os ISP a vigiar-te
  • pôr o teu e-mail e chat e Facebook a ser vigiado
  • leva as companhias a serem excessivamente cautelosas, por exemplo, se tivesse posto aqui um link para a BaíaDosPiratas.com o mais seguro para o Blogger/Blogspot era bloquear o post ou o site.
Coisas mais mundanas (continua a ser interpretação minha)
  • fazer cópias de DVD/Bluray para uso pessoal -> ilegal (ter-se-ia de usar ferramentas de 'bypass' à protecção)
  • ver em Linux DVD/Bluray -> ilegal (visto os programas em Linux normalmente permitirem ver como funcionam internamente, seriam possivelmente considerados como ferramentas de 'bypass' à protecção, pois "ensinariam" a fazê-lo)
  • cópias de jogos -> ilegal (obviamente xD)

A ACTA permitirá também que caso alguém no governo tenha vontade de implementar um estado policial, já tenha todas as ferramentas necessárias para tal implementadas e a funcionar.


Há também este vídeo abaixo que explica o problema da ACTA; de notar que o principal problema é que a ACTA aparentemente refere "propriedade intelectual" sem referir o que isso significa. Actualmente "propriedade intelectual" é uma frase de marketing para atrair a simpatia das pessoas pela semelhança aos direitos de propriedade, correspondendo na verdade a três coisas totalmente diferentes:
  • copyright
  • trademark
  • patentes
Sem definir a que se referem por "propriedade intelectual" na ACTA, deixam à mercê de quem interpreta o documento o que é que está lá escrito, o que não é bom.
De notar que mesmo que pretendam referir-se ás três coisas, essas três coisas são fundamentalmente diferentes e deviam portanto ser especificadas sempre ao invés de se usar um termo genérico.




Métodos de luta contra a ACTA:

2 comments:

Peres said...

Cambada de xupistas são o que são. Cada vez mais detesto estados/governos gigantes e intervencionistas.

Middles ages é que era:
Burgueses/nobres pagavam 10% de impostos. Proprietários de terras pagavam 10% do que produziam. Servos eram isentos.

Se roubavas, eras enforcado. Se violavas, eras enforcado. Se matavas, eras enforcado.

Políticas eram para a vida. Não havia promessas eleitorais, compra de votos, enganar o eleitor.

Dinheiro era Dinheiro. A moeda de ouro valia sempre o mesmo, não havia inflacção/deflacção galopante.

Não havia desemprego. Se eras servo trabalhas terras. Se eras burguês tinhas a tua própria loja (sem renda) e se eras nobre... bem, eras nobre. Se não conseguias trabalhar/tinhas deficiência ias para um convento/igreja e tinhas uma vidinha decente.

Pedro F. said...

Se o Nobre dissesse que tu tinhas roubado, eras enforcado xD

O governo está armado em parvo sem dúvida, é um dos argumentos do que defendem um estado mais pequeno. Espero que consigamos fazê-lo sem prejudicar os pontos positivos que um estado tem para oferecer.