2010-11-06

"O fim da net grátis"

"O fim da net grátis" é a capa da revista "Visão".

Afirma que no futuro dominado pela "App Store" como meio principal de obter coisas, quer seja no iPad (o foque do artigo), quer seja no Ubuntu/Windows/OS X (adição minha), o pessoal vai finalmente (re)começar a pagar pelos fornecedores de artigos típicos de revistas/jornais (e também de software onde na net há a sua distribuição grátis apesar de ilegal -- palavras minhas, ideia deles).

Vejo duas hipóteses:
1) o artigo está correcto e as pessoas vão efectivamente começar a pagar por coisas que se desabituaram a pagar.

2) o artigo é apenas um sintoma da indústria tradicional que se recusa a adaptar e prefere colocar as culpas nos malvados dos utilizadores que são uns piratas e não querer pagar nada e que finalmente vão aprender o que é bom para a tosse.

Sinceramente, parece-me que o artigo foi escrito com a mentalidade 2 e que por acaso acertou com os factos da hipótese 1.

Acredito que o futuro será dominado pelas "App Stores" e que comprar um CD para instalar um determinado programa será um fantasma do passado. O iPhone/iPad, o Android e o último Ubuntu (10.10) já têm "App Store" e o Windows 8 e o próximo OS X (Lion) irão ter também.
Será muito mais fácil instalar uma aplicação pela "App Store" que andar a sacar o torrent e a imagem e como tal a pirataria diminuirá.

O único senão disto é que os senhores com mentalidade 2 ficarão contentes e auto-congratular-se-ão como "nós" aprendemos o que era bom para a tosse e reconhecemos como eles tinham razão. E aqueles que há anos advogam que os modelos de distribuição de software usados estão ultrapassados e que levam a um inflação de preços que só contribui para o aumento da pirataria serão esquecidos.

Rancores à parte, espero que as "Apps Stores" venham e se estabeleçam. As diferente companhias terão provavelmente metodologias diferentes quanto à gestão do software disponível nas suas "App Stores" portanto será algo interessante de ver. Espero que os programas/jogos/revistas/jornais, agora livres do encargo da distribuição física e alvo de uma concorrência mais cerrada devido à facilidade de estabelecer concorrência, vejam os seus preços a descer significativamente e que tanto consumidores como indústria de software colham os benefícios desta evolução.

3 comments:

Sintra said...

Estou aqui para informar que nao tenho opiniao no assunto, mas desejo deixar um comentario.

I like my shit free.

ArabianShark said...

Sintra, um conceito extraordinário: NTL;R;DC (Not Too Long; Read; Didn't Care). Brilhante!

Não me chocava se, de hoje para amanhã, as páginas dos jornais, por exemplo, passassem a ser pagas, mas continuassem a ter publicidade. Também não me espantava se o software passasse a ser praticamente todo vendido online, o que, de muitas formas, é prática cada vez mais corrente (há a AppStore e as suas contrapartes, há o Steam, há a EA Store e mais uma data de coisas parecidas, sem esquecer que a maior parte dos MMORPGs disponibilizam o client para download, às vezes só mediante pagamento).

Mas faço recordar os seguintes dois pontos:

1. Comparado com sacar um torrent e montar uma imagem anted de instalar um programa, meter o CD e executar o instalador não é mais difícil que que seleccionar o programa da lista e mandar instalar, sobretudo no caso de o CD ter um Autorun (e quase todos têm), ou seja, se o busílis da questão fosse a facilidade, nem agora havia pirataria de software, excepto CDs ilegalmente copiados, o que é cada vez menos comum. Por aí, não vejo a pirataria a diminuir.

2. A pirataria, neste contexto, começou com a duplicação de media e acredito que continua a ser esse o grosso da questão. Nesse caso, provavelmente continua a ser mais fácil sacar o filme ou as músicas e abrir os ficheiros na pasta de downloads que sacar pelo iTunes e depois andar à caça do conteúdo por entre a interface do programa (sobretudo na minha experiência com o iTunes), mesmo que por pouco.

Tendo isso em consideração, começo a acreditar que a pirataria poderia, nessa situação, expandir-se para albergar não só o que já alberga como também o que ainda não alberga porque ainda é grátis.

Ou então outra coisa qualquer.

Anonymous said...

Então e os ziliões de apps gratuitas? Onde é que elas entram nesse esquema? Se estão a contar com as App Stores para salvar a indústria...